sexta-feira, 13 de julho de 2012

ES– Lição 3 - Tessalônica nos dias de Paulo – 3º Trim, 2012

 

 

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Publicado em 09/07/2012 por VideosdeEsperanca #3 - Tessalônica nos dias de Paulo - Esboço da Lição da Escola Sabatina, 3 Trimestre de 2012, da Igreja Adventista do Sétimo Dia

 

Fonte: Videos Esperança

 

Lição 3 – de 14 a 21 de julho

 

Tessalônica nos dias de Paulo

 

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Sábado à tarde

Ano Bíblico: Pv 16–19

VERSO PARA MEMORIZAR: “Embora seja livre de todos, fiz-me escravo de todos, para ganhar o maior número possível de pessoas”(1Co 9:19, NVI).

Leituras da semana: Jo 11:48-50; 1Jo 2:15-17; 1Co 9:19-27; Jo 3:3-8; 1Co 16:19

Pensamento-chave: Um breve estudo do contexto da antiga Tessalônica demonstra que a abordagem de Paulo aos cidadãos locais foi elaborada de modo cuidadoso e único.

Ofoco principal desta lição será um resumo do que a história, literatura e arqueologia nos falam acerca de Tessalônica.

Esse material é importante por duas razões. Em primeiro lugar, nos ajuda a perceber como os ouvintes e leitores originais de Paulo poderiam entendê-lo. Ao fazer isso, esclarece o significado do que ele escreveu e o impacto de seus escritos sobre a igreja e a sociedade daquela época.

Em segundo lugar, quanto mais sabemos sobre as ideias e crenças dos tessalonicenses, mais podemos compreender aquilo que Paulo estava combatendo. A fim de promover o evangelho, Paulo também teria que corrigir ideias erradas. Assim, embora não esteja diretamente focalizada na Bíblia, esta lição prepara o terreno para nossa leitura das duas cartas aos Tessalonicenses, durante o restante das lições deste trimestre.

Domingo

Ano Bíblico: Pv 20–24

Os romanos chegam a Tessalônica

1. Como as decisões políticas e religiosas acerca do ministério de Jesus foram influenciadas pela chegada dos romanos à Palestina e a Jerusalém no primeiro século? A terrível lógica de Caifás fazia sentido? Jo 11:48-50

No contexto de uma guerra civil entre as cidades-estados gregas, por volta de 168 a.C., os tessalonicenses convidaram os romanos para tomar posse da sua cidade e protegê-la dos inimigos locais. Os romanos recompensaram Tessalônica por estar do “lado certo” da guerra civil, permitindo que a cidade, em grande medida, governasse a si mesma. Ela se tornou uma cidade livre dentro do império, o que significava que poderia controlar, amplamente, seus problemas internos e seu destino. Como resultado, as classes mais ricas e mais poderosas da cidade foram autorizadas a continuar a viver, em muitos aspectos, como tinham vivido antes. Eram, portanto, a favor de Roma e do imperador nos dias de Paulo. Mas a vida não era tão agradável para as pessoas comuns, especialmente das classes trabalhadoras.

Havia três grandes aspectos negativos do governo romano de Tessalônica. Em primeiro lugar, a chegada dos romanos promoveu mudanças econômicas. O comércio era interrompido pela guerra e pelas mudanças de governo, tanto local quanto regional. Essas interrupções afetavam de modo mais severo os mais pobres do que os mais ricos. Com o tempo, esse aspecto negativo se tornou menos significativo.

Em segundo lugar, embora Tessalônica, em grande medida, governasse a si mesma, ainda havia uma sensação de impotência política. Alguns líderes locais foram substituídos por estrangeiros, leais a uma cidade distante (Roma), e não a Tessalônica. Não importam as vantagens da ocupação estrangeira, ela não é popular por muito tempo.

Em terceiro lugar, havia a inevitável exploração colonial que acompanhava a ocupação. Os romanos exigiam certa quantidade de exportação de impostos. Porcentagens de produtos agrícolas, minerais e outros produtos locais eram desviadas e enviadas a Roma para apoiar as necessidades mais amplas do império.

Assim, embora Tessalônica estivesse em uma situação bem melhor do que a de Jerusalém, por exemplo, o governo e a ocupação de Roma inevitavelmente criavam tensões significativas nas comunidades locais. Em Tessalônica, essas tensões eram especialmente difíceis para os pobres e as classes trabalhadoras. À medida que as décadas passavam, os tessalonicences se tornavam cada vez mais frustrados e ansiavam por uma mudança na situação.

Como a situação política atual em sua comunidade influencia o trabalho da igreja? Que tipo de coisas a igreja pode ou deve fazer para melhorar seu desempenho e sua posição na comunidade?

Segunda

Ano Bíblico: Pv 25–27

Uma resposta pagã a Roma

Aresposta pagã à incapacidade sentida por muitas pessoas de Tessalônica foi um movimento espiritual que os estudiosos chamam de culto de Cabirus, fundamentado em um homem chamado Cabirus, que falou em favor dos marginalizados e foi assassinado por seus dois irmãos. Ele foi enterrado com os símbolos da realeza, e o movimento passou a tratá-lo como herói martirizado.

As classes operárias acreditavam que Cabirus havia manifestado poderes miraculosos enquanto vivia. Eles também acreditavam que, de tempos em tempos, Cabirus, silenciosamente, voltava à vida a fim de ajudar as pessoas; pensavam que ele voltaria para trazer justiça às classes trabalhadoras e devolver à cidade a independência e grandeza do passado. O culto de Cabirus oferecia esperança aos oprimidos, em termos que lembram a esperança bíblica.

As coisas ficam ainda mais interessantes quando descobrimos que a adoração de Cabirus incluía sacrifícios de sangue para celebrar seu martírio. De um modo que lembra Paulo, os tessalonicenses falavam da “participação em seu sangue”. Dessa forma, obtinham alívio da culpa. Distinções de classes também eram abolidas. No culto de Cabirus todas as classes da sociedade eram tratadas de forma igual.

Porém houve mais uma dinâmica. Quando o culto ao imperador surgiu, na época de Augusto, os romanos proclamaram que Cabirus já tinha vindo na pessoa de César. Em outras palavras, o poder de ocupação se apropriou da esperança dos oprimidos. Como resultado, a vida espiritual de Tessalônica não mais proporcionava alívio para as classes trabalhadoras. As pessoas comuns ficaram sem uma religião significativa. A existência do culto ao imperador também significava que, se alguém parecido com o verdadeiro Cabirus chegasse à cidade, seria uma ameaça imediata ao sistema estabelecido.

A resposta romana ao culto de Cabirus deixou um vazio espiritual no coração do povo, um vácuo que somente o evangelho podia preencher. Cristo era a verdadeira realização da esperança e dos sonhos que o povo de Tessalônica havia depositado em Cabirus. O evangelho oferecia paz interior para o momento e, na segunda vinda de Cristo, a transformação definitiva das realidades econômicas e políticas contemporâneas.

2. Que verdades essenciais são expressas nos seguintes textos? Você experimentou a realidade dessas palavras, em relação ao fato de que as coisas do mundo são transitórias e não trazem satisfação? 1 Jo 2:15-17; Ec 2:1-11

Terça

Ano Bíblico: Pv 28–31

O evangelho como ponto de contato

Diante do que aprendemos ontem, não é difícil ver por que, quando o evangelho chegou a Tessalônica, muitos não judeus da cidade responderam positivamente. Não importando que Paulo conhecesse ou não o culto de Cabirus antes de chegar à cidade, sua abordagem messiânica na sinagoga ecoava os anseios espirituais específicos dos pagãos locais.

Quando o evangelho chegou a Tessalônica, as classes trabalhadoras da cidade estavam prontas para recebê-lo, e responderam em grande número. Eles estavam também prontos para interpretações extremas do evangelho. O culto de Cabirus tinha introduzido nas pessoas um espírito de rebelião contra as autoridades, o que pode ter sido a causa da conduta desordeira abordada por Paulo em suas duas cartas (veja 1Ts 4:11, 12; 5:14; 2Ts 3:6, 7, 11).

3. Qual foi a estratégia missionária fundamental apresentada por Paulo? Que perigo potencial se esconde nesse método? Como os dois princípios contidos nessa estratégia podem ser mantidos em equilíbrio? 1Co 9:19-27

O evangelho tem maior impacto quando influencia as necessidades, esperanças e sonhos das pessoas. Embora o Espírito Santo ofereça pontes para o evangelho, isso normalmente acontece como resultado de ouvi-lo intensamente e experimentá-lo com atitude de oração. A experiência também nos ensinou que as pessoas estão mais abertas à mensagem adventista em tempos de mudança. Entre as mudanças que tornam as pessoas abertas a novas ideias estão: turbulência econômica, conflitos políticos, guerras, casamentos, divórcios, mudança no lugar de residência, problemas de saúde e morte. Os tessalonicenses haviam experimentado sua parcela de mudanças e deslocamento, e isso ajudou o evangelho a criar raízes.

Mas as pessoas batizadas em tempos de deslocamento também tendem a ser instáveis, pelo menos no início. A maior parte das apostasias ocorre nos primeiros meses após a conversão. As cartas a Tessalônica testificam da considerável instabilidade na igreja nos meses seguintes à visita de Paulo.

O que podemos fazer para ajudar os membros que ainda estão se ajustando à nova vida em Cristo? O que você pode fazer para ajudar a manter essas pessoas firmes no Senhor? Você ficará surpreso ao descobrir também quanto esse tipo de ministério fortalecerá sua própria fé.

Quarta

Ano Bíblico: Ec 1–4

Paulo, o “pregador de rua”

No contexto greco-romano do primeiro século ocorreu uma proliferação de filósofos populares que, nas praças públicas, procuravam influenciar indivíduos e grupos, de modo semelhante ao que os pregadores de rua fazem hoje.

Esses filósofos acreditavam que as pessoas tinham uma capacidade interior de mudar sua vida (uma forma de conversão). Eles esperavam que seus discursos públicos e suas conversas particulares produzissem mudanças em seus alunos. Procuravam criar em seus ouvintes dúvidas sobre suas ideias e práticas. Por esse meio, os ouvintes se tornariam abertos a novas ideias e mudanças. O objetivo final era produzir autoconfiança e crescimento moral.

Esperava-se que esses filósofos populares obtivessem o direito de falar conquistando primeiramente a liberdade moral na própria vida interior. “Médico, cura-te a ti mesmo” era um conceito bem conhecido no mundo antigo.

Esses filósofos também estavam cientes da necessidade de variar a mensagem a fim de atender às diferentes mentalidades, e da importância de manter a integridade tanto no caráter do professor quanto na mensagem que estava sendo ensinada.

4. Existem paralelos entre esses mestres populares e Paulo, que também viajava por toda parte e trabalhava em lugares públicos? At 17:17; 19:9, 10

Existiam paralelos. No entanto, havia duas diferenças significativas entre a abordagem de Paulo e a dos filósofos populares. Em primeiro lugar, Paulo não apenas trabalhava nos lugares públicos, mas também buscava formar uma comunidade duradoura. Isso requeria certa separação do “mundo”, juntamente com a formação de laços emocionais e profundo compromisso com o grupo. Em segundo lugar, Paulo ensinava que a conversão não era uma decisão interna, produzida pelo discurso sábio. Ao contrário, era uma obra sobrenatural de Deus, de fora para dentro (leia Gl 4:19; Jo 3:3-8; Fp 1:6). O ensinamento de Paulo era mais do que apenas uma filosofia. Era a proclamação da verdade e a revelação da poderosa obra de Deus na salvação da humanidade.

O lado escuro dos filósofos populares é que eles descobriram um meio fácil de ganhar a vida. Muitos eram interesseiros, nada mais. Alguns exploravam sexualmente seus ouvintes. Embora houvesse professores honestos entre eles, havia, no mundo antigo, bastante ceticismo em relação aos pregadores itinerantes.

Paulo procurava evitar parte desse ceticismo recusando geralmente ajuda de seus ouvintes e, em lugar disso, fazendo árduo trabalho manual para se sustentar. Isso, além de seus sofrimentos, demonstrava que ele realmente acreditava no que pregava e que não estava fazendo isso para ganho pessoal. De muitas maneiras, a vida de Paulo era o sermão mais poderoso que ele podia pregar.

Quinta

Ano Bíblico: Ec 5–8

Igrejas nos lares

5. Que exemplos temos de igrejas nos lares? Rm 16:5; 1Co 16:19; Cl 4:15; Fm 1, 2

No mundo romano, havia dois tipos principais de residências. Havia a domus, uma casa grande, para uma única família, construída em torno de um pátio, típica dos ricos. Essas casas podiam ter um local de reuniões para 30 a 100 pessoas. O outro tipo de residência era a insula, com lojas e locais de trabalho no piso térreo, diante da rua, e apartamentos (lares) nos andares de cima. Essa era a principal habitação urbana das classes trabalhadoras. Um desses apartamentos ou locais de trabalho normalmente podia acomodar igrejas menores.

A domus e muitas insulas podiam abrigar uma família maior, incluindo duas ou três gerações, empregados da empresa familiar, visitantes e até mesmo escravos. Se o chefe da família se convertesse, isso poderia ter grande impacto sobre todos os outros que viviam ali.

O local ideal para uma igreja no lar era perto do centro da cidade. As lojas e locais de trabalho relacionados com aquela casa promoviam o contato com artesãos, comerciantes, clientes e trabalhadores braçais à procura de emprego. Esse foi o cenário em que grande parte do trabalho missionário de Paulo pode ter sido feito.

Em algumas partes do mundo, as pessoas ainda adoram em igrejas nos lares, porque muitas vezes isso é tudo que elas têm. Ou, em alguns casos, não estão autorizadas a fazer qualquer outra coisa, e assim as igrejas nas casas são a única opção.

6. Como Paulo organizava sua vida profissional e o trabalho evangelístico? At 18:1-4

Como cidadão romano e, em certo grau, como membro da elite judaica, Paulo deve ter sido da classe alta. Se foi assim, fazer trabalho manual deve ter sido um sacrifício para ele. No entanto, por meio desse trabalho, ele se identificava com as classes trabalhadoras e as alcançava (1Co 9:19-23).

Sua igreja interage com a comunidade? Os membros participam da comunidade ou têm a “mentalidade fechada”, isolando-se dos perigos do mundo, deixando assim de influenciar?

Sexta

Ano Bíblico: Ec 9–12

Estudo adicional

A Providência havia dirigido os movimentos das nações, e a onda do impulso e influência humanos, até que o mundo se achasse maduro para a vinda do Libertador...

“Por essa época, os sistemas pagãos iam perdendo o domínio sobre o povo. Os homens estavam cansados de aparências e fábulas. Ansiavam uma religião capaz de satisfazer o coração” (Ellen G. White, O Desejado de Todas as Nações, p. 32).

“Fora da nação judaica havia homens que prediziam o aparecimento de um instrutor divino. Esses homens andavam em busca da verdade, e recebiam o Espírito de inspiração” (Idem, p. 33).

“Quando Paulo visitou Corinto pela primeira vez, encontrou-se entre gente que suspeitava dos intuitos dos estrangeiros. Os gregos do litoral eram espertos negociantes. Por tanto tempo se haviam exercitado em sagazes práticas comerciais, que haviam chegado a considerar o ganho como piedade, e que fazer dinheiro, fosse por meios lícitos ou não, era coisa recomendável. Paulo se achava familiarizado com suas características, e não lhes queria dar ocasião de dizer que ele pregava o evangelho a fim de se enriquecer... Ele procurava afastar qualquer motivo para um mau juízo, a fim de não prejudicar a influência da mensagem” (Ellen G. White, Obreiros Evangélicos, p. 234, 235).

Perguntas para reflexão

1. O que Ellen White quis dizer quando escreveu que o “Espírito de inspiração” foi dado aos mestres gentios? Deus está atuando no mundo das ideias fora do contexto cristão? Uma pessoa pode ser salva se nunca ouviu o nome de Jesus?

2. Em que contextos uma casa ou apartamento poderia ser um local eficaz para uma igreja no mundo de hoje? Utilizar os prédios das igrejas é sempre a melhor maneira de realizar as atividades dela? Por quê?

3. Como sua igreja pode adaptar melhor o evangelismo à comunidade local?

Resumo: Os relatos bíblicos da atividade missionária de Paulo estão no contexto da Roma antiga. À medida que vemos Paulo lidando com questões cotidianas, podemos aprender a melhor forma de aplicar os princípios e as lições que Deus colocou nas Escrituras. Nas cartas aos Tessalonicenses, Paulo estava guiando os antigos cristãos urbanos por tempos desafiadores.

Respostas sugestivas: 1: Os romanos queriam manter o domínio; os judeus queriam paz com os romanos; Jesus morreu por causa disso e acima de tudo para nos salvar. 2: Os prazeres da carne são transitórios e contrários ao amor de Deus; os bens materiais e as experiências da vida não trazem satisfação duradoura. 3: Adaptar a mensagem, a linguagem e o comportamento do mensageiro, de modo que se identifiquem com as características do público-alvo, desde que os princípios da verdade não sejam prejudicados. 4: Paulo pregava em lugares públicos e acreditava que a vida das pessoas podia mudar, mas entendia que Deus é o Autor das mudanças. 5: Priscila e Áquila; Ninfa; Filemom. 6: Paulo trabalhava em seu ofício comercial durante a semana e aos sábados se dedicava ao evangelismo.

Resumo da Lição 3 – Tessalônica nos dias de Paulo

Texto-chave: 1 Coríntios 9:19-27

O aluno deverá...

Reconhecer: Que a pregação do evangelho produz os melhores resultados quando é realizada de uma forma que atenda as necessidades dos ouvintes.

Sentir: Gratidão para com as pessoas que procuraram nos ensinar o evangelho.
Fazer: Aprender mais sobre as pessoas da comunidade e adaptar o evangelho para suprir às necessidades das pessoas.

Esboço

I. Conhecer: Todas as coisas para com todas as pessoas

A. Uma leitura atenta de Atos e das cartas de Paulo indica que Paulo adaptava sua apresentação do evangelho para atender às necessidades específicas de seus ouvintes. Quantas metáforas diferentes, ou comparações, Paulo usa nas seguintes passagens para descrever o que Jesus fez por nós? Rm 3:24, 25; 5:10; 1Co 5:6, 7; Gl 4:4, 5.

B. Que metáforas Jesus usou para descrever o evangelho? Mc 1:15; 4:1-9; Mt 13:1-52.

C. O que sabemos sobre o contexto em que Jesus e Paulo trabalharam e como isso explicar por que suas exposições do evangelho eram tão diferentes?

II. Sentir: Tornando o evangelho pessoal

A. Quais são algumas vantagens em tentar apresentar o evangelho aos outros de uma forma relevante para eles? Quais são as possíveis desvantagens?

B. Para você, qual foi a exposição mais significativa do evangelho? Por quê?

III. Fazer: Requisitos para adaptar o evangelho

A. Apresentar o evangelho de uma forma que atenda às necessidades dos outros requer um sólido conhecimento do evangelho e uma compreensão exata das necessidades daqueles a quem queremos alcançar. Como é o seu desempenho e o de sua você nessas áreas? Que medidas podem ser tomadas para melhorar suas habilidades?

Resumo: O evangelho é compartilhado de forma mais eficaz quando atende às necessidades específicas das pessoas que queremos alcançar para Cristo.

Ciclo do aprendizado

Motivação

Conceito-chave para o crescimento espiritual: O tipo de transformação que o evangelho procura realizar só pode acontecer quando a mensagem de Cristo é vista como relevante para as preocupações e problemas que as pessoas enfrentam.
Na década de 1960, Don e Carol Richardson viajaram para Nova Guiné como missionários. Eles queriam compartilhar o evangelho com o povo sawi, um grupo de canibais caçadores de cabeças que não tinha nenhuma informação nem noção sobre Deus. Depois de aprender a língua, os Richardsons começaram a contar aos Sawi a história de Jesus e Sua crucificação. Os sawi gostaram da história, mas não da maneira que os missionários esperavam. Do ponto de vista dos sawi, o herói da história não foi Jesus, mas Judas! Em sua cultura, o último ato heróico era fingir fazer as pazes com o inimigo e depois trai-lo e assassiná-lo quando menos se esperasse. Para os sawi, Jesus foi um tolo por ser enganado tão facilmente.

Não conseguindo convencer as tribos sawi a pôr fim às lutas e mortes constantes, e desanimados pela falta de sucesso na disseminação do evangelho, os Richardsons anunciaram que estavam indo embora. Com medo de perder o acesso à medicina moderna e aos suprimentos que os missionários haviam levado, os líderes das tribos sawi prometeram fazer as pazes e convidaram os dois missionários, que não acreditavam nessa promessa, para participar da cerimônia de paz.

Como garantia da paz, as tribos rivais trocaram crianças, que seriam criadas por outra tribo. Os sawi chamavam cada criança de "tarop tim" ou "criança da paz". Enquanto essas crianças vivessem, a paz estava assegurada. Embora o povo sawi considerasse o assassinato uma coisa trivial, assassinar uma criança da paz era diferente. Para eles não havia ato mais desprezível e vergonhoso.

Nessa cerimônia os Richardsons descobriram o segredo de que precisavam para apresentar o evangelho de modo relevante para o povo sawi. Judas não foi o herói na história do evangelho. Jesus era a divina Criança da paz, e Judas havia conspirado para matá-Lo.

Horrorizados com o que Judas tinha feito, os sawi ficaram ansiosos para ouvir o restante da história que contava como Deus havia trazido a Criança da Paz de volta à vida. Posteriormente, muitos dos sawi, comovidos pela história do evangelho, tornaram-se cristãos.

Pense nisto: O povo sawi responderam ao evangelho somente quando sua mensagem fez sentido dentro de sua cultura. Que obstáculos culturais impedem as pessoas de se identificarem com a história do evangelho?

Compreensão

Comentário Bíblico

I. O majestoso evangelho dos romanos

(Recapitule com a classe João 11:48-50.)

Embora a lição desta semana trate de uma quantidade considerável de informações históricas sobre Tessalônica, é importante não perder de vista o objetivo principal do autor: o domínio de Roma em Tessalônica criou um vazio e fome na vida de muitos habitantes gentios da cidade. Foi isso que deu a Paulo a oportunidade de proclamar Cristo como resposta às suas reais necessidades. A importância desse ponto, e sua relevância para nós, podem ser vistas mais claramente se considerarmos o contraste entre as alegações feitas por Roma antiga e a proclamação do Cristo ressuscitado, feita por Paulo.

O Império Romano é frequentemente elogiado por trazer dois séculos de estabilidade política, segurança e paz para o mundo mediterrâneo. No entanto, a "paz romana" ocorreu a um preço muito alto: violência, dominação, exploração das classes pobres e trabalhadoras e morte por crucifixão de qualquer pessoa que afrontasse ou desafiasse o poder de Roma. Esse foi um fato muito claro para os líderes judeus em Jerusalém quando eles estavam deliberando sobre o rumo que deviam tomar ao lidar com Jesus (Jo 11:48-50).

Com o poder e opressão romanos também veio a arrogância romana. Certamente não há exemplo mais impressionante do que a Inscrição de Priene, que remonta ao ano 9 a.C., cerca de cinco anos antes do nascimento de Jesus. A inscrição enche Augusto César de elogios, chamando-o de salvador do mundo e fonte de paz e justiça.

Num forte contraste, Paulo respondeu a tais afirmações com um enfático "não!". Se Jesus é o Senhor, César certamente não é. Tudo que Roma reivindicava para si mesma, Paulo reclamava para o Cristo ressuscitado. Nesse contexto, é claro que o evangelho de Paulo não era apenas a respeito de como encontrar vida eterna além do túmulo, mas também incluía o acesso a uma nova maneira de viver no presente sob o senhorio de Jesus e pelo poder do Espírito Santo. O evangelho era um chamado radical para seguir Jesus. Embora os romanos possam ter se aproveitado da esperança inútil que os tessalonicenses encontravam no culto de Cabirus, Paulo ofereceu uma esperança mais segura, enraizada no Jesus crucificado, cuja ressurreição havia desafiado não apenas o poder de Roma, mas a própria morte!

Pense nisto: Que formas de opressão as pessoas experimentam hoje em sua comunidade, seja por meio de forças políticas ou culturais? Como a mensagem do Cristo ressuscitado pode atender essas necessidades?

II. Todas as coisas para com todas as pessoas

(Recapitule com a classe 1 Coríntios 9:19-27 comentário.)

Uma das razões pelas quais a mensagem de Paulo sobre o Cristo ressuscitado teve tanto sucesso em Tessalônica foi sua capacidade de conectar a mensagem do evangelho às preocupações e necessidades dos tessalonicenses. Não pense que isso aconteceu por acaso. Um exame das palavras de Paulo em 1 Coríntios 9:19-22 deixa claro que Paulo, antes de pregar o evangelho em algum lugar, tomava tempo para conhecer as pessoas que ele estava tentando alcançar.

Em relação a alguns dos líderes de Corinto, Paulo precisava tomar uma posição decisiva sobre o direito dos cristãos de comer carne vendida no mercado depois que os animais tinham sido abatidos em templos pagãos e oferecidos primeiramente aos ídolos (1Co 8:4-6). Visto que os deuses pagãos não existiam realmente, qual era o mal em comer carne que tinha sido oferecida a eles? Cristãos que pensavam de outra forma estavam, na opinião de alguns líderes, sendo supersticiosos e não viviam de acordo com a verdade do evangelho.

Em vez de tomar partido, Paulo defendeu uma norma muito maior para o comportamento. Ele disse que os cristãos devem ser motivados em primeiro lugar pelo amor aos outros, não apenas pelo exercício dos próprios direitos. De fato, alguns "direitos" podem ser um "erro" se eles acabam prejudicando a causa de Cristo na vida de um irmão (1Co 8:7-13).

É nesse contexto que Paulo fala sobre ser "tudo para com todos" (1Co 9:22). Quando Paulo estava entre os judeus, estava disposto a se adaptar aos costumes e práticas do judaísmo. Se estivesse entre os gentios, não insistia em mostrar que era judeu. Ele estava disposto a se ajustar a qualquer contexto social, desde que isso não comprometesse as crenças centrais da sua fé em Cristo. Sua única preocupação era ter consciência das crenças e costumes das pessoas e demonstrar sensibilidade para com elas, a fim de encontrar uma oportunidade de compartilhar Cristo de um modo relevante para elas.

Pense nisto: A determinação de Paulo de ser "tudo para com todos" significava que ele tinha que estar disposto a gastar tempo com pessoas que não eram crentes. Você e sua igreja estão buscando deliberadamente interagir com os não cristãos e compreender suas necessidades?

Aplicação

Perguntas para reflexão

1. Como um cristão pode manter os princípios cristãos e se relacionar com os incrédulos sem ser influenciado negativamente pelo seu estilo de vida?

2. Comente algumas das histórias do Antigo Testamento em que os seguidores de Deus influenciaram e se envolveram com os incrédulos, mas permaneceram fiéis a Deus. Em contraste com isso, peça que os alunos façam uma lista de exemplos negativos nos quais aconteceu o oposto. Qual é a razão para a diferença entre os que permaneceram fiéis e os que não permaneceram? Que lições podemos aprender com isso?

Perguntas de aplicação

1. A igreja tem obtido sucesso em apresentar as verdades eternas de Cristo, no contexto de um mundo cujas preocupações estão em constante mudança? Por outro lado, em que aspectos temos falhado?

2. As igrejas muitas vezes gostam de copiar os esforços evangelísticos que funcionam para outras igrejas, na esperança de que experimentarão o mesmo sucesso. Quais são os perigos de adotar ideias evangelísticas com pouca reflexão sobre as necessidades da própria comunidade? Justifique sua resposta.

Criatividade

Atividade: A fim de alcançar os incrédulos em nossa comunidade, precisamos conhecer bem as pessoas. Para ajudar nisso, peça à sua classe para criar uma lista das características e qualidades que melhor descrevem a sua comunidade. Devem ser considerados os seguintes itens: (1) localização (rural, urbana, cidade do interior, etc.); (2) etnia; (3) religião; (4) média de idade e gênero; (5) renda familiar média. Essas informações muitas vezes podem ser encontradas na internet.

Usando as informações reunidas, faça um perfil da pessoa que você identificou. Com esse indivíduo em mente, elabore uma lista de coisas que sua igreja pode fazer para alcançar essa pessoa.

COMENTÁRIO LIÇÃO 3 – TESSALÔNICA NOS DIAS DE PAULO

Para apreciar a importância da cidade de Tessalônica no mundo romano do primeiro século e compreender as vantagens estratégicas obtidas pelo avanço do evangelho nela e a partir dela é necessário considerar sua localização geográfica. Já se disse que “a história de um povo é inseparável da região em que habita”.

O grande progresso da cidade aconteceu, em grande parte, devido à união entre a terra e o mar, o porto e a estrada, que facilitou o crescimento do comércio entre a Macedônia e todo o império romano. Nenhum outro local em toda a região oferecia tantas vantagens como as de Tessalônica.

Seguindo pela Via Egnátia os apóstolos percorreram os 160 quilômetros de Filipos a Tessalônica, com prováveis paradas noturnas em Anfípolis (cerca de 50 km de Filipos) e Apolônia (a 48 km de Anfípolis). Eles não pregaram nesses dois pequenos povoados, provavelmente por não haver sinagoga.

OS ROMANOS CHEGAM A TESSALÔNICA

Um dos fatores de maior destaque para o desenvolvimento de Tessalônica foi sua localização sobre a Via Egnátia. Por isso, cabe aqui uma informação complementar sobre a importância dessa estrada, ligada ao fato de que Paulo sabia usar os recursos disponíveis na época para acelerar o processo de evangelização. Era uma rota militar, construída pelos romanos, entre os anos 146 e 120 a.C.

Em realidade, o caminho era uma extensão da Via Ápia que saía de Roma e passava pelo sudoeste da Itália até chegar à cidade portuária de Brindisi. Portanto, servia como elo entre Roma e o leste. Constituía um instrumento vital no programa de expansão do império romano. Era também fator decisivo no desenvolvimento da vida religiosa porque representantes dos diversos cultos passavam pela cidade ou se estabeleciam nela.

A grande estrada romana, a Via Egnátia, começava em Neápolis e passava por Filipos, Anfípolis (At 16:12), Apolônia e Tessalônica, depois dirigia-se a oeste, atravessando a Macedônia até a praia do mar Adriático em Dirráquio (na atual Albânia, frente a Brindisi), de onde  os viajantes podiam atravessar para a Itália e, pela via Ápia, chegar a Roma. As campanhas missionárias de Paulo foram muito facilitadas onde havia boas estradas, as “rodovias expressas” do mundo antigo (Atos: Introdução e Comentário).

De todas as cidades e aldeias ao longo dessa estrada, Tessalônica era a maior e mais influente. Localizada no atual Golfo de Salônica, era um importante centro comercial, fundada em 315 a.C., por Cassandro, general de Alexandre Magno. Cassandro se casou com a irmã de Alexandre e o nome dela era Tessalônica. A cidade foi edificada na forma de um anfiteatro nas colinas no fundo da baía. A estrada atravessava o centro da cidade, como prova um vestígio dela. Em Tessalônica a via é chamada pelo antigo nome: a Inácia; e parte da rua que segue seu trajeto tem o mesmo nome, até hoje.

Quando os romanos conquistaram a Macedônia, dividiram-na em quatro partes. Tessalônica foi a capital de uma delas. Mais tarde (146 a.C.) tornou-se a capital de toda a província da Macedônia.  Atualmente, Salônica é a segunda maior cidade da Grécia, tendo uma população de cerca de 300 mil pessoas. Uma estrada de ferro liga a cidade a Atenas. Uma das relíquias mais famosas da antiguidade é o arco do triunfo do Imperador Constantino.

UMA RESPOSTA PAGÃ A ROMA

Quando Paulo e seus companheiros chegaram pela primeira vez em Tessalônica para pregar o evangelho, não entravam em um lugar carente de religiosidade. Os tessalonicenses eram adoradores de várias deidades, e a proclamação de Cristo os desafiava a abandonar seu culto anterior respondendo a seus mais profundos anelos e inquietudes religiosas. Era um povo imerso em um mundo cheio de deuses (veja 1 Ts 1:9).

Na região, Atenas não era a única cidade “cheia de ídolos”, cujos habitantes eram “sumamente religiosos em tudo que faziam (At 17:16, 22). Tessalônica também era o lar de um grande número de deidades, às quais as pessoas dedicavam devoção religiosa genuína.

Em Tessalônica, a religião cumpria funções sociais e políticas. Seria um erro separá-la dos demais aspectos da vida cotidiana da cidade. A união entre a religião e a política chega a seu clímax no culto ao imperador. A adoração do rei como deus tinha uma tradição longa no leste, especialmente na Macedônia. A cidade de Tessalônica desfrutou de grandes benefícios por causa de sua relação privilegiada com Roma.”

Várias deidades se associaram especialmente com a cidade de Tessalônica, como o culto a Cabirus. Os Cabirus eram deuses cujo culto se centrava na ilha de Samotrácia (At 16:11), e essa religião possivelmente tivesse chegado a Tessalônica diretamente dali. Em Samotrácia eram adorados dois Cabiri, pai e filho, mas o culto em Tessalônica se transformou e se dirigiu somente a um deles, o Cabirus.

Estrabão descreve o culto a Cabirus por sua atividade enlouquecida, inspirada pelo som de gritos, flauta, címbalo e tambor, acompanhada de danças frenéticas. É provável que muitos dos cristãos convertidos do paganismo, em Tessalônica, tivessem participado dos ritos de Cabirus, que eram impregnados de excessos sexuais (1Ts 1:9). Daí a importância dos conselhos de Paulo relativos à pureza sexual dos novos crentes (Eugenio Green, 1 y 2 Tesalonicenses).

O EVANGELHO COMO PONTO DE CONTATO

Apesar de tudo, “a adoração a Cabirus era um culto redentor escatológico local, popular entre o proletariado, que possuía algumas semelhanças estruturais superficiais com o Evangelho cristão. Depois que perderam o que a fé recentemente adquirida lhes propiciara, alguns dos adeptos originais do culto a Cabirus encontraram no Evangelho um substituto adequado. Ocorreram mudanças na sociedade tessalonicense com a troca para o poder romano e a chegada de novos habitantes com poder governamental e comercial. Essa mudança de poder contribuiu para uma situação social na qual o Evangelho escatológico paulino era visto com simpatia” (Dicionário de Paulo e suas Cartas, p. 1194).

PAULO, O PREGADOR DE RUA

Paulo tem muitas coisas em comum com os filósofos, seus contemporâneos, e também muitas diferenças. Paulo, como os platônicos, tinha o entendimento de Deus como ser não limitado à matéria, mas ele não pensava que Deus está distante do mundo material. Paulo imaginava Deus envolvido em Sua criação, onde Ele Se revela, chama as pessoas ao arrependimento e à fé em seu Filho Jesus.

Enquanto a filosofia afirmava que a maneira de obter o conhecimento de Deus e do mundo era raciocinar a partir de certos princípios, para Paulo esse conhecimento só poderia ser recebido como revelação de Deus, intermediada pelo Espírito.

Paulo considerava-se ministro do evangelho. Isso acarretava um trabalho árduo, e ele enfrentou forte oposição, sofrimento e prisão. Contudo, estava ansioso para anunciar o Evangelho, principalmente nos lugares em que ainda não o tinham ouvido. Era tarefa específica de Paulo pregar o evangelho aos gentios. E ele o fez em todas as circunstâncias possíveis.

IGREJAS NOS LARES

O uso da importante palavra grega “ekklesia”, que significa “congregação”, “igreja”, “reunião” ou “assembleia”, faz parte do ensinamento paulino a respeito do povo de Deus. Cronologicamente, o primeiro uso desse termo ocorre em 1 Tessalonicenses 1:1, na saudação aos cristãos de Tessalônica.

O termo é usado para reunião em uma casa particular, isto é, uma “igreja doméstica”. Às vezes, a congregação inteira de uma cidade era pequena o bastante para se reunir na casa de um de seus membros. É preciso lembrar que só em meados do terceiro século o cristianismo passou a ter propriedades com o propósito de culto.

Há exemplos de igrejas nos lares de Ninfa, em Laodiceia (Cl 4:15); de Filemon, em Colossos (Fm 1, 2); e de Lídia, em Filipos (At 16:15, 40). Em Corinto, Gaio é descrito como anfitrião de “toda a igreja” (Rm 16:23).

Nos primeiros séculos do cristianismo, o uso das casas dos membros da igreja para reuniões de adoração e propósitos evangelísticos serve de modelo e inspiração para nossos modernos “pequenos grupos nos lares”.

O estudo das ações e estratégias missionárias de Paulo nos ensina a melhor forma de aplicar os princípios e as lições que Deus colocou nas Escrituras.

Na próxima semana entraremos diretamente no estudo do texto paulino da primeira carta aos tessalonicenses. Assim sendo, coloco aqui rápidas considerações sobre as...

CARACTERÍSTICAS DISTINTIVAS DE PAULO, O ESCRITOR
Paulo escreveu tanto, e em épocas tão distintas de sua vida, que não é possível falar de um só estilo. Em geral, a compreensão de seus escritos não é tão fácil ao leitor do século 21 pelas seguintes razões:

1. Seus contínuos arrazoados

De pensamento muito lógico, Paulo gostava de comprovar o que ensinava, como também de demonstrar os erros de seus oponentes. De seus métodos de pregação, Lucas diz que ele entrava nas sinagogas e disputava; qualquer ambiente era-lhe propício para discutir e colocar em xeque sofismas enganosos.

Paulo tinha um estilo de arrazoado condensado e convincente. Era hábil no uso de paradoxos e contrastes. Com um golpe destruidor, detonava um sofisma ou uma ideia distorcida. Com poucas palavras, colocava a verdade sob luz meridiana.

2. Seus parêntesis

Ao ditar suas cartas, fazia frequentes referências a outros temas, apartando-se, às vezes, do tema principal, ao que nem sempre retomava no ponto em que o havia deixado. Esses arrazoados às vezes tomam a forma de um argumento dentro de outro argumento. Esse método pode até dificultar a captação imediata de seu ensino, mas sempre faz avançar a verdade que está sendo desenvolvida. Com frequência, lança uma torrente de luz sobre coisas que de outra maneira permaneceriam obscuras.

3. Suas abundantes citações do Antigo Testamento

É necessário ler detidamente a passagem citada para entender claramente de que se trata. Muitas vezes, as citações são fragmentos diversos de textos e passagens do AT. Lembre-se de que a educação de Paulo foi exclusivamente judaica. As referências às vezes concordam com o original hebraico, e outras, com a Septuaginta.

4. Seu temperamento apaixonado, entusiasta e dinâmico

O tipo de personalidade de Paulo o levou a deixar de lado os cânones habituais de redação.

No tocante à estrutura de certas frases, às vezes há pensamentos que parecem não haver sido de todo completados. O autor deixa uma palavra sem a devida concordância com o resto do pensamento expresso na frase (isso se chama anacoluto). Há cláusulas que permanecem aparentemente truncadas.

Isso, em parte, deve-se ao fato de que Paulo ditava suas cartas. Possivelmente, ele não tivesse tempo para reler seu conteúdo. Não se pode estranhar que usasse uma linguagem elíptica para acelerar suas frases, movido que era pelo profundo sentimento que impulsionava sua vida. Para ele, o que importava fundamentalmente era o pensamento e a doutrina a serem expressos. O estilo permanecia completamente subordinado ao que ele queria ensinar. Daí o fluir das ideias que não se detêm diante de considerações de ordem rigorosamente metódica para expor os pensamentos. Por isso, às vezes, falta uma ordem aparente, que de maneira nenhuma deprecia sua mensagem.

5. A tradução de certas palavras gregas

No que se refere à gramática, a linguagem usada por Paulo é correta. Suas expressões são as mais variadas e ricas do Novo Testamento.
Talvez por isso, em nossas versões disponíveis frequentemente aparecem palavras gregas traduzidas como nexos explicativos, como:“pois”, “pelo qual”, “porém”, “porque”, “mas”, “portanto”, “todavia”, etc. Desta maneira, a argumentação continua versículo a versículo, capítulo após capítulo. Nem sempre há o que hoje chamamos de “ponto final”. Isso pode tornar complexa a apresentação da verdade desenvolvida. Onde João usaria simples e unicamente a palavra “kai” (e), o apóstolo dos gentios emprega todas essas outras palavras que vão entrelaçando seus períodos e cláusulas, nos quais se relaciona um pensamento após outro, sempre ligados com nexos explicativos.

6. Pregando um evangelho para todos os homens,sem considerações nacionais ou raciais, Paulo revelou de maneira mais definida e completa o plano da redenção. Apresentou a descrição mais gráfica da condição do pecador: designando o pecado com vários termos (delito, transgressão, desobediência, ofensa, iniquidade, impiedade, inimizade, etc.). Mais: descreveu o pecado em seus três aspectos: como um fato (violação da lei de Deus); como um princípio (hostilidade contra Deus) e como um estado (carência da verdadeira justificação). Destacou a soberania de Deus. Escreveu amplamente acerca dos propósitos divinos, a graça, a justiça e o amor do Eterno. Dirigiu todos os olhos à cruz; destacou a todos o sepulcro vazio, e tem erguido os pensamentos dos leitores para o trono ocupado pelo Cristo ressuscitado. Este é o tema supremo de Paulo.

Seu enfoque cristológico também é particular: não fala muito dos milagres e palavras de Jesus, porém destaca com propriedade Sua morte e ressurreição. Pela encarnação, vida, morte e ressurreição de Jesus, fica assegurada ao pecador arrependido a posse de uma justiça perfeita, a mesma justiça de Deus, atribuída gratuitamente aos homens.

7. O Adventismo de Paulo – as epístolas de Paulo estão repletas de detalhes específicos acerca da segunda vinda de Cristo, a ressurreição dos mortos, a libertação de toda a criação que geme sob o pecado do homem e a restauração final de todas as coisas ao eterno domínio de Deus.

Por todas estas coisas, “nosso amado irmão Paulo, vos escreveu, segundo a sabedoria que lhe tem sido dada, ao falar acerca destes assuntos, como, de fato costuma fazer em todas as suas epístolas, nas quais há certas coisas difíceis de entender, que os indoutos e inconstantes deturpam” (2Pe 3:15, 16).

Este capítulo está fundamentado no curso de “Epístolas del Nuevo Testamento” – do prof. Humberto Raul Treyer.

Pr. JSilvio  

Ministerial – Paulistana

 

Fonte:

Casa Publicadora Brasileira ( http://www.cpb.com.br/ )

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