domingo, 3 de novembro de 2013

ES - Lição 6 - O Dia da Expiação – 4º Trim, 2013




Lição 6 - O Dia da Expiação


2 a 9 de novembro





Sábado à tarde

Ano Bíblico: Jo 12, 13

VERSO PARA MEMORIZAR:

"Quem, ó Deus, é semelhante a Ti, que perdoas a iniquidade e Te esqueces da transgressão do restante da Tua herança? O Senhor não retém a Sua ira para sempre, porque tem prazer na misericórdia. Tornará a ter compaixão de nós; pisará aos pés as nossas iniquidades e lançará todos os nossos pecados nas profundezas do mar" 
(Mq 7:18, 19).


Leituras da Semana:


O Dia da Expiação, ou Yom Kippur, conforme revelado em Levítico 16, é o ritual mais solene do Antigo Testamento. Ele foi intencionalmente colocado no centro do livro de Levítico, que está no centro dos cinco livros de Moisés, para ilustrar o "santíssimo" caráter desse ritual. Mencionado também como o sábado dos sábados (Lv 16:31, International Standard Version), o dia requeria a cessação de todo trabalho, o que é único para um festival israelita anual. Esse fato coloca esse dia justamente dentro do conceito do sábado, um tempo para descansar no que Deus, como Criador e Redentor, fez (e fará) por nós.

Nesta semana, estudaremos o que acontecia no Dia da Expiação no santuário terrestre, especificamente os rituais com os dois bodes, que nos ajudam a entender melhor verdades mais profundas a respeito da salvação e eliminação final do pecado.

Domingo

Ano Bíblico: Jo 14, 15 

A purificação anual

1. Leia Levítico 16:16, 30. O que era purificado no Dia da Expiação?

Ao longo do ano, todos os tipos de pecados e impurezas rituais eram transferidos para o santuário. O Dia da Expiação era o tempo para sua remoção. Havia três partes principais no Dia da Expiação:

1. A oferta da purificação pelo sacerdote. O sumo sacerdote sacrificava um novilho por seus pecados, certificando-se de que ele (o sacerdote) estaria puro ao entrar no santuário e realizar o ritual para purificá-lo.

2. A oferta de purificação do bode "para o Senhor" (Lv 16:8). Durante o ano, as ofertas de purificação levavam todos os pecados dos israelitas para o santuário. O Dia da Expiação era o momento de remover esses pecados do santuário. Esse processo era feito mediante o sangue do bode "para o Senhor".

3. O ritual da eliminação com o bode vivo para Azazel. Deus queria afastar os pecados de Seu povo para longe do santuário e do acampamento. Portanto, outro bode vivo era enviado ao deserto.

2. Leia Levítico 16:15. O que acontecia com o bode mencionado nesse texto, e o que ele simbolizava?

Visto que não havia confissão do pecado nem imposição de mãos envolvidas com o bode para o Senhor, seu sangue não era portador de pecado. Assim, ele não contaminava, mas, em vez disso, purificava. O efeito é claramente descrito nos versos 16 e 20. O sumo sacerdote fazia expiação com o sangue do bode do Senhor, purificando todo o santuário. O mesmo procedimento também efetuava a purificação do povo para que, quando o santuário fosse purificado de todos os pecados das pessoas, elas também fossem purificadas. Nesse sentido, o Dia da Expiação era único, pois somente nesse dia tanto o santuário quanto o povo eram purificados.

O Dia da Expiação era a segunda etapa de uma expiação em duas fases. Na primeira fase, durante o ano, os israelitas eram perdoados. Seus pecados não eram apagados, mas confiados ao próprio Deus, que havia prometido cuidar deles. A segunda fase não se relacionava tanto com o perdão, porque as pessoas já estavam perdoadas. Na verdade, o verbo "perdoar" não ocorre em Levítico 16 nem em Levítico 23:27-32. Isso nos mostra que o plano da salvação lida com algo mais do que apenas o perdão dos nossos pecados, um ponto que tem ainda mais sentido quando compreendido no contexto mais amplo do grande conflito.

Segunda

Ano Bíblico: Jo 16–18 

Além do perdão

3. Leia Levítico 16:32-34. Qual era a principal tarefa do sumo sacerdote no Dia da Expiação?

A principal função do sumo sacerdote era a de servir de mediador entre Deus e a humanidade. Sua tarefa no Dia da Expiação era imensa. Administrava o sistema do Santuário e realizava diversos rituais de sacrifícios e ofertas (Hb 8:3). Ele realizava quase todos os rituais, exceto o de levar o bode para Azazel ao deserto, embora ele desse a ordem para fazer isso.

No Dia da Expiação, o "grande" sacerdote, como ele também era chamado, se tornava um exemplo vivo de Cristo. Assim como a atenção do povo de Deus se voltava para o sumo sacerdote, Jesus é o centro exclusivo de nossa atenção. Como as atividades do sumo sacerdote na Terra traziam purificação para as pessoas, igualmente a obra de Jesus no santuário celestial faz o mesmo por nós (Rm 8:34; 1Jo 1:9). Assim como no Dia da Expiação a única esperança do povo estava no sumo sacerdote, nossa única esperança está em Cristo.

"O sangue de Cristo, embora devesse livrar da condenação da lei o pecador arrependido, não cancelaria o pecado; este ficaria registrado no santuário até a expiação final; assim, no cerimonial típico, o sangue da oferta pelo pecado removia do penitente o pecado, mas este permanecia no santuário até o dia da expiação" (Ellen G. White, Patriarcas e Profetas, p. 357).

De acordo com Levítico 16:16-20, o sumo sacerdote entrava no lugar santíssimo e o purificava das impurezas rituais, transgressões e pecados. Então, ele transferia todas as iniquidades, transgressões e pecados de Israel para o bode vivo e os enviava, por meio do bode, para o deserto. Assim, todas as falhas morais de Israel eram removidas, o que alcançava o único objetivo do Dia da Expiação: a purificação moral que ia além do perdão. Não era necessário um novo perdão nesse dia. Deus já havia perdoado seus pecados.

Enquanto lutamos para abandonar os pecados, como podemos aprender a depender totalmente dos méritos de Cristo como nossa única esperança de salvação?

Terça

Ano Bíblico: Jo 19–21 

Azazel

4. Leia Levítico 16:20-22. O que acontecia com o bode vivo?

O ritual com o bode vivo não era uma oferta. Depois que a sorte era lançada para decidir qual dos dois bodes seria para o Senhor e qual seria para Azazel (bode emissário; em inglês, o termo muitas vezes é traduzido como scapegoat [bode expiatório]), apenas o bode para o Senhor é mencionado como oferta de purificação (v. 9, 15). Por outro lado, o bode para Azazel é chamado de "bode vivo". Ele não era morto, provavelmente para evitar qualquer ideia de que o ritual constituísse um sacrifício. O bode vivo entrava em ação somente depois que o sumo sacerdote terminava a expiação de todo o santuário (v. 20). Este ponto deve ser enfatizado: o ritual que se seguia com o bode vivo não tinha nada a ver com a efetiva purificação do santuário ou do povo. Eles já tinham sido purificados.

Quem ou o que é Azazel? Os antigos intérpretes judeus identificavam Azazel como o anjo caído, principal originador do mal e líder dos anjos maus. Nós o conhecemos como símbolo do próprio Lúcifer.

O ritual com o bode vivo era um rito de eliminação que realizava a remoção final dos pecados, que seriam colocados sobre o seu originador e depois retirados do povo para sempre. A "expiação" era feita sobre ele no sentido punitivo 
(Lv 16:10), visto que o bode suportava a responsabilidade final pelo pecado.

Então Satanás desempenha um papel em nossa salvação, como alguns falsamente acusam que ensinamos? Claro que não! Satanás nunca, de nenhuma forma, carrega o pecado por nós como substituto. Só Jesus fez isso, e é uma blasfêmia pensar que Satanás tivesse alguma parte em nossa redenção.

O ritual com o bode vivo encontra paralelo na lei da testemunha falsa (Dt 19:16-21). O acusador e o acusado se apresentavam diante do Senhor, representado pelos sacerdotes e juízes. Era realizada uma investigação e, se fosse comprovado que o acusador era uma testemunha falsa, ele devia receber a punição que pretendia para o inocente (por exemplo, o perverso Hamã que levantou uma forca para o leal Mordecai).

Graças a Deus por Seu misericordioso perdão e pelo fato de que Ele não mais Se lembrará dos nossos pecados (Jr 31:34). Como podemos aprender a nos esquecermos dos nossos pecados, uma vez que eles estão perdoados? Por que é tão importante fazer isso?


Quarta

Ano Bíblico: At 1–3 

No Dia da Expiação

"Em tais condições, no ministério do tabernáculo e do templo que mais tarde tomou seu lugar, ensinava-se ao povo cada dia as grandes verdades relativas à morte e ministério de Cristo e, uma vez ao ano, sua mente era transportada para os acontecimentos finais do grande conflito entre Cristo e Satanás, e para a final purificação do Universo, de pecado e pecadores" (Ellen G. White, Patriarcas e Profetas, p. 358).

5. Leia Levítico 16:29-31 e 23:27-32. O que Deus esperava que os israelitas fizessem no Yom Kippur (Dia da Expiação)? Como esses princípios se aplicam a nós, que vivemos no antitípico "Dia da Expiação"?

Se alguém no antigo Israel não seguisse essas instruções, devia ser eliminado e destruído (Lv 23:29, 30). O Dia da Expiação realmente significava nada menos do que vida e morte. Ele exigia completa lealdade para com Deus.

Imagine que alguém tivesse confessado seus pecados durante a primeira fase da expiação ao longo do ano, ou seja, por meio dos sacrifícios diários, mas não levasse a sério o Dia da Expiação. Por seu desrespeito ao que Deus desejava demonstrar nesse dia, essa pessoa teria demonstrado sua deslealdade para com o Senhor.

Isso significa que uma pessoa que professa fé em Deus ainda pode perder a salvação. Como adventistas do sétimo dia, não acreditamos na expressão "uma vez salvo, salvo para sempre", porque a Bíblia não ensina isso. Estamos seguros em Cristo apenas enquanto vivemos pela fé e nos entregamos a Ele, clamando por Seu poder para a vitória, quando tentados, e Seu perdão, quando caímos.

6. Leia Mateus 18:23-35. Que lição devemos tirar dessa parábola?

Quinta

Ano Bíblico: At 4–6 

O Yom Kippur de Isaías

Em Isaías 6:1-6, o profeta viu o Rei celestial sentado em um "alto e sublime" trono no templo. A visão é uma cena de juízo que apresenta Deus como vindo para o julgamento (Is 5:16). Isaías viu o verdadeiro Rei, identificado no Evangelho de João como Jesus Cristo (Jo 12:41).

Embora Isaías fosse profeta de Deus e chamasse as pessoas ao arrependimento, entendia que, na presença de Deus, ele estava perdido. Confrontado com a santidade e glória de Deus, Isaías percebeu sua própria pecaminosidade e também a impureza de seu povo. Santidade e pecado são incompatíveis. Como Isaías, precisamos chegar à conclusão de que não podemos passar pelo juízo divino confiando em nós mesmos. Nossa única esperança é ter um Substituto.

7. Que paralelos para o Dia da Expiação aparecem em Isaías 6:1-6?

A combinação de um templo cheio de fumaça, um altar, julgamento e expiação para o pecado e a impureza, lembra claramente o Dia da Expiação. Isaías experimentou seu próprio "Dia da Expiação", por assim dizer.

Atuando como sacerdote, um serafim (que literalmente significa "aquele que arde") tomou uma brasa viva do altar, o que pressupõe algum tipo de oferta, para remover o pecado do profeta. Essa é uma imagem apropriada para a purificação do pecado, que é possível mediante o sacrifício de Jesus e Seu ministério de mediação sacerdotal. Isaías reconheceu isso como um ritual de purificação e se manteve quieto enquanto a brasa tocava seus lábios. Assim a sua "iniquidade foi tirada" e seu pecado perdoado (Is 6:7). A voz passiva no verso 7 mostra que o perdão é concedido por Aquele que está sentado no trono. O Juiz também é o Salvador.

A divina obra de purificação nos leva do "ai de mim!" para "eis-me aqui, envia-­me a mim". Compreender a obra celestial no Dia da Expiação leva à disposição para a proclamação, porque um verdadeiro entendimento conduz à segurança e certeza. A razão disso é sabermos que, no juízo, temos um Substituto, Jesus Cristo, cuja justiça (simbolizada pelo sangue) nos permitirá ficar sem medo da condenação (Rm 8:1). Gratidão motiva a missão. Pecadores absolvidos são os melhores embaixadores de Deus (2Co 5:18-20), porque eles sabem que Deus os libertou.



Sexta

Ano Bíblico: At 7–9 

Estudo adicional

"Ocorre agora o acontecimento prefigurado na última e solene cerimônia do Dia da Expiação. Quando se completava o ministério no lugar santíssimo, e os pecados de Israel eram removidos do santuário em virtude do sangue da oferta pelo pecado, o bode emissário era, então, apresentado vivo perante o Senhor; e na presença da congregação o sumo sacerdote confessava sobre ele "todas as iniquidades dos filhos de Israel, e todas as suas transgressões, segundo todos os seus pecados", pondo-os sobre a cabeça do bode (Lv 16:21, RC). Semelhantemente, ao completar-se a obra de expiação no santuário celestial, na presença de Deus e dos anjos do Céu e da multidão dos remidos, serão então postos sobre Satanás os pecados do povo de Deus. Ele será declarado culpado de todo o mal que os fez cometer" (Ellen G. White, O Grande Conflito, p. 658).

Perguntas para reflexão

1. Por que a compreensão do plano da salvação seria incompleta se deixasse de fora, ou minimizasse, a obra de Cristo como Sumo Sacerdote? O que o santuário nos ensina sobre a importância da obra de intercessão no santuário para o plano da salvação? A maior parte do livro de Hebreus é dedicada à obra de Cristo no santuário celestial. Em vista disso, qual é a importância dessa obra?

2. Alguém escreveu que a obra de Cristo, desde Sua morte até Seu ministério no santuário celestial, é simplesmente parte do "método planejado por Deus" para lidar com o problema do pecado de uma forma que ajude a responder a todas as perguntas acerca de Sua justiça, honestidade e amor. Pense nas implicações desse conceito, especialmente à luz do grande conflito e o que ele ensina sobre as grandes questões envolvidas na tragédia do pecado.

3. Muitos adventistas do sétimo dia foram ensinados sobre o Dia da Expiação de uma forma que os deixou sem a certeza da salvação. Tal visão vem da falsa compreensão do propósito do Dia da Expiação. O que significa a palavra "expiação"? Como é alcançada? Quem faz a obra de expiação? Como ela é realizada? Como as respostas a essas perguntas nos ajudam a entender por que o Dia da Expiação é realmente uma boa notícia?

Respostas sugestivas: 1. No Dia da Expiação, eram purificados o santuário e a congregação. 2. O bode era imolado, como símbolo do sacrifício de Cristo em favor do pecador. 3. A principal tarefa do sacerdote era interceder em favor do povo diante de Deus. No Dia da Expiação, sua tarefa principal era fazer expiação pelo santuário e por todo o povo. 4. Os pecados do povo eram colocados sobre esse bode, que era levado ao deserto, onde morria solitário. 5. O povo devia recolher-se espiritualmente, humilhar-se, confessar e abandonar seus pecados. Hoje, Deus requer de nós que façamos o mesmo. 6. Devemos perdoar nosso ofensor, assim como somos perdoados por Deus. 7. No cenário da visão de Isaías, há um templo cheio de fumaça, um altar e uma cena de julgamento. Da parte do profeta, há reconhecimento e confissão de sua impureza e a consequente remoção dela.



ESCOLA SABATINA



Texto-chave: Levítico 4

O aluno deverá...

Conhecer: Os fundamentos da tipologia do Dia da Expiação.

Sentir: A importância da mensagem do Dia da Expiação.

Fazer: Decidir participar dos privilégios especiais do povo de Deus no Dia da Expiação antitípico.

Esboço

I. Conhecer: Atividades do Dia da Expiação (Lv 16; 23:26-32)

A. O sacrifício "contínuo" (tamid) queimava sobre o altar durante o Dia da Expiação (Nm 29:11). O que isso nos ensina sobre a base da nossa aceitação diante de Deus durante o juízo investigativo?

B. O sangue do bode "para o Senhor" purificava o santuário do registro acumulado de pecados confessados (Lv 16:3-19). Como o Dia da Expiação antitípico vai além do perdão?

C. O bode emissário (ou Azazel; às vezes traduzido em inglês como scapegoat [bode expiatório]) representa Satanás (Lv 16:5-10, 20-23). Seria Satanás nosso "portador de pecados"? Explique. (Veja Dt 19:15-19; Ap 12:10; 20:10).

D. Atividades congregacionais eram requeridas do antigo Israel durante o Dia da Expiação (Lv 16:30; 23:26-32). Como essas atividades se aplicam ao Dia da Expiação antitípico?

II. Sentir: Certeza no Juízo

O Dia da Expiação envolve arrependimento, purificação e juízo investigativo. Como podemos ter certeza da salvação em todo esse processo?

III. Fazer: Fixar os olhos em Jesus!

Decida participar dos privilégios do Israel espiritual "fixando os olhos em Jesus" durante o juízo investigativo.

Resumo: O ritual do Dia da Expiação aponta para a obra do juízo investigativo realizada por Cristo no santuário celestial e revela as atividades especiais do povo de Deus durante esse tempo.

Ciclo do Aprendizado

Motivação

Focalizando as Escrituras: Levítico 16:29, 30

Conceito-chave para o crescimento espiritual: O ritual do Dia da Expiação do Antigo Testamento prefigura a obra de Cristo e as responsabilidades de Seu povo durante o Dia da Expiação antitípico.

Somente para o professor: Alguma vez você já se perguntou ou foi perguntado: "Por que os adventistas do sétimo dia passam tanto tempo estudando o Dia da Expiação, um tema cujo principal apoio bíblico está isolado em um único capítulo de uma parte obscura do Pentateuco, Levítico 16?" Considere a seguinte observação: Moisés organizou todo o Pentateuco em uma bela estrutura simétrica e colocou Levítico exatamente no ponto alto dessa estrutura!

Atividade de abertura: Compartilhe com a classe a estrutura simétrica do Pentateuco e, em seguida, pergunte: O que torna o Dia da Expiação antitípico tão central para o Israel espiritual?

Pense nisto: O Dia da Expiação antitípico abrange o período culminante da história da salvação (o tempo do fim). Durante esse período, Cristo, o Sumo Sacerdote do Universo, vai para o lugar mais sagrado do Universo (o Lugar Santíssimo do santuário celestial), para realizar a mais sagrada obra de todos os tempos (a obra final de expiação)!


Comentário Bíblico

I. Os principais rituais do Dia da Expiação

A. A oferta "diária"

(Recapitule com a classe Nm 29:11.)

O ministério "diário" (tamid) dos sacerdotes não era suspenso no Dia da Expiação 
(Nm 29:11; Êx 30:8, 10). As pessoas ainda dependiam continuamente do sangue do sacrifício e da intercessão sacerdotal por meio do incenso. A base da aceitação diante de Deus durante o Dia da Expiação antitípico era a mesma: o sangue de Cristo, nosso Substituto, e Sua justiça a nós imputada.

B. O bode para o Senhor

(Recapitule com a classe Lv 16:3-19.)

Algumas verdades importantes emergem da oferta do "bode para o Senhor" (o novilho sacrificado pelo pecado do sacerdote [v. 11, 14] não se aplicava a Cristo em sua função sacerdotal, porque o Sacerdote [Antítipo] era sem pecado [Hb 7:26, 27] e, portanto, não é examinado aqui).

1. Sangue livre do pecado. Mão nenhuma era colocada sobre a cabeça do bode para o Senhor (v. 9, 15). Portanto, nenhum pecado era transferido para ele. Seu sangue era livre de pecado. Sendo um sangue livre de pecado, sua função, quando aplicado ao santuário, não era contaminá-lo, mas para purificá-lo.

2. O movimento para o exterior. A obra expiatória no Dia da Expiação se movia para o exterior, a partir do Lugar Santíssimo para o pátio (v. 15-18), simbolicamente mostrando que o sangue do bode para o Senhor não contaminava o santuário, mas o purificava.

3. Juízo investigativo. O Dia da Expiação implicava um dia de juízo investigativo divino. Aqueles que não afligissem a alma (literalmente, "humilhar-se" em arrependimento) nesse dia seriam "eliminados", ou seja, estariam condenados (Lv 16:29, 31; 23:27, 29, 32). Teólogos judeus modernos reconhecem essa função do Dia da Expiação.

4. Expiação além do perdão. Não há menção nenhuma do perdão (hebraico salach) em Levítico 16 (ou em nenhuma outra passagem referente ao Dia da Expiação). Durante o ano, Deus assumia a responsabilidade pelos pecados perdoados, por assim dizer, no santuário. No Dia da Expiação, Ele podia purificar o santuário enquanto demonstrava Sua justiça ao perdoar os pecadores ao longo do ano.

5. Purificação. O Dia da Expiação envolvia uma obra de purificação corporativa para o povo de Deus (Lv 16:30; Ez 36:25-27; Ml 3:2, 3). Mas note que era Deus quem assumia a responsabilidade pela purificação dos que permitiam que Ele fizesse essa obra em sua vida.

C. O ritual do bode emissário (Azazel ou bode expiatório)

(Recapitule com a classe Lv 16:5-10, 20-23.)

Muitas linhas de evidência bíblica apoiam a conclusão de que o ritual do "bode emissário/ou expiatório" (Azazel) apontava para Satanás e não para Cristo, como alegam alguns intérpretes modernos.

1. Paralelismo de seres pessoais. De acordo com Levítico 16:8, um dos dois bodes designados por sortes era leYHWH ("[era] para [ou pertencia ao] Senhor"), e o outro era la´aza´zel ("[era] para [ou pertencia a] Azazel"). Se a primeira expressão "para o Senhor" se refere a um Ser pessoal, o Senhor, em paralelismo natural, a segunda expressão, "para Azazel", se referia a outro ser pessoal em contraposição (e mesmo em oposição) ao Senhor, ou seja, Satanás.

2. Tempo do evento. O ritual do Azazel (bode emissário) ocorria depois que a obra da expiação pelo santuário já estava concluída (Lv 16:20).

3. Não sacrifical. Ao contrário do bode para o Senhor, o bode Azazel não era morto, mas, em vez disso, era levado com vida para o deserto (v. 20-22). O bode Azazel não fazia parte do sacrifício da expiação pelo pecado, nem estava ligado a ele.

4. Rito de eliminação. O ritual do Azazel não era um ritual sacrifical, mas um rito de eliminação. Azazel era uma espécie de "caminhonete" ou "caminhão de lixo", por assim dizer, para remover ritualmente o "lixo" moral para fora do acampamento, depois da realização da expiação em favor do povo e do santuário.

5. Azazel e os "ídolos em forma de bode" (NVI) ou demônios (RA). Em Levítico 17:7 os israelitas são advertidos a não oferecer sacrifícios aos demônios ("ídolos em forma de bode", NVI; em hebraico se´irim). Em outras passagens das Escrituras, esses demônios ("ídolos em forma de bodes") estão associados com o deserto (Is 13:21; 34:14). Portanto, o ato de levar o bode Azazel para o deserto estava associado com os poderes demoníacos representados por bodes peludos. A interpretação de Azazel como um poder demoníaco era a visão predominante de primitivas fontes judaicas, sendo igualmente bem representada nos ensinamentos dos pais da Igreja. É igualmente uma visão predominante entre os estudiosos modernos.

6. Apocalipse 20. A tipologia do Azazel encontra notável cumprimento no destino de Satanás durante o milênio. Em uma clara alusão a Levítico 16, em Apocalipse 20:1-3 João, o Revelador, descreveu Satanás sendo "preso" (por uma cadeia de circunstâncias) na Terra desolada (em grego, abyssos, a mesma palavra usada para a Terra desolada em Jeremias 4:23).

7. Testemunha maligna. Satanás leva as iniquidades dos justos, não no sentido de ser seu Salvador, mas como "acusador de nossos irmãos" (Ap 12:10). Ele recebe justa retribuição de acordo com o princípio da testemunha falsa (Dt 19:15-19; Ap 20:10).

II. As atividades da congregação no Dia da Expiação

(Recapitule com a classe Lv 23:26-32.)

Cada uma das cinco atividades da congregação de Israel no Dia da Expiação tem função tipológica para o Israel espiritual de hoje.

A. Santa convocação para reunião junto ao santuário (v. 27). "Neste tempo, o povo de Deus deve fixar os olhos no santuário celestial" (Ellen G. White, Life Sketches [Esboços da Vida], p. 278; compare com Hb 4:16; 10:19, 20.)

B. Identificar-se com a oferta feita pelo sacerdote (v. 27). Leia Hebreus 12:22-24. "Um interesse predominará, um assunto absorverá todos os outros – Cristo, Justiça nossa" (Ellen G. White, Filhos e Filhas de Deus [MM 1956], p. 259).

C. Abster-se do trabalho (v. 28, 30, 31). Leia Hebreus 4:3, 9; Ellen G. White fala do "repouso da graça" (The SDA Bible Commentary [Comentário Bíblico Adventista, edição em inglês], v. 7, p. 928).

D. Afligir (humilhar) a alma (v. 27, 29, 32). Leia Isaías 58:5-11. "É a obra de Deus ao lançar a glória do homem no pó" (Ellen G. White, Testemunhos Para Ministros e Obreiros Evangélicos, p. 456).

E. Experimentar a obra de purificação (Lv 16:30). Leia Malaquias 3:2, 3; Ezequiel 36:25-27.


Aplicação

Somente para o professor: A palavra para "purificar" em Daniel 8:14 é nitsdaq, que tem ampla gama de significados, incluindo "purificar", "restaurar", e "vindicar". Como cada um desses significados corresponde às atividades do sumo sacerdote no Dia da Expiação?

Perguntas para reflexão

1. No Dia da Expiação antitípico, que aplicações práticas das cinco atividades da congregação dia podem ser feitas à nossa vida pessoal?

2. Como a mensagem do Juízo no Dia da Expiação nos dá certeza da salvação?

Atividades práticas

Somente para o professor: Considere novamente a estrutura simétrica do Pentateuco, mencionada na introdução do ciclo do aprendizado desta lição. Observe como nessa estrutura, até o capítulo 16 de Levítico, a palavra-chave é "sangue", e a partir do capítulo 16 a palavra-chave é "santidade".



COMENTARIO SEMANAL


Autor: João Antônio Rodrigues Alves, Mestre em Teologia pelo UNASP, e doutor em Teologia pela Universidad Adventista del Plata. Pastor distrital em Nova Venécia (ES). Casado com a Profa. Me. Daisy Kiekow de Britto Rodrigues Alves, tem dois filhos, Emerson e Karina.
E-mail: rodriguesalves_ja@yahoo.com.br

Editoração: Pr. André Oliveira Santos: andre.oliveira@cpb.com.br
Revisão: Josiéli Nóbrega


Ampliação

INTRODUÇÃO

“O capítulo 16 de Levítico apresenta o ritual mais solene do Antigo Testamento e ocupa o centro da estrutura literária do Pentateuco (ver gráfico na Lição do Professor, p. 76). Sua posição central no calendário ritual é também ilustrada pela forma como era referido pelos rabis: “Yoma”, isto é, “O Dia”. Era “O Dia” porque, neste dia específico o sistema sacrifical alcançava seu clímax. Durante todo o ano religioso o sistema de sacrifícios fazia provisão para que os pecados e impurezas rituais fossem removidos dos penitentes e transferidos para o santuário, resultando em sua contaminação. Todo esse acúmulo de impurezas no santuário requeria sua purificação periódica, para que Deus continuasse a residir ali. Isso era realizado no décimo dia do sétimo mês, quando o sumo sacerdote realizava um complexo ritual para purificar todo o santuário. Também nesse dia se fazia uma expiação final por “todos os pecados” dos filhos de Israel (Lv 16:16).

Um aspecto interessante é que, durante todo o ano, o movimento ocorria de fora para dentro do santuário, assim levando os pecados do povo, que eram ali “depositados” até sua remoção no Dia da Expiação (do pecador > animal > santuário). Mas, no Dia da Expiação, o movimento era de dentro para fora: do Lugar Santíssimo > Lugar Santo > Pátio > Deserto (via bode para Azazel).

DOMINGO

A purificação anual 

O sumo sacerdote desempenhava todas as atividades do Dia da Expiação (com a exceção de levar para o deserto o bode destinado a Azazel). O sumo sacerdote iniciava oferecendo uma oferta pelo pecado por si mesmo e pela sua casa (Lv 16:3, 6, 11), depois oferecia o bode da oferta pelo pecado em favor do povo (v. 15). Deve ser destacado que não há nenhuma indicação no texto de que houvesse imposição de mãos ou confissão de pecados sobre o bode que seria sacrificado. A razão para isso é que esse bode era usado para purificar o santuário dos pecados da congregação, que se haviam acumulado ali durante todo o ano. Seu sangue não transferia pecados.

O propósito de todo o ritual envolvendo o bode para o Senhor é declarado no v. 16: “Assim, fará expiação pelo santuário por causa das impurezas dos filhos de Israel, e das suas transgressões e de todos os seus pecados.” Este verso, junto com o v. 21, ao se referir a diferentes tipos de impureza ritual e pecados, revela o tratamento abrangente do problema do pecado no Dia da Expiação. O propósito do ritual nesse dia era eliminar tudo aquilo que pudesse separar o povo de Deus, e restabelecer a harmonia. Ao fim do serviço, o santuário estava purificado e, da mesma forma, o povo estava purificado de seus pecados. Nesse sentido, o Dia da Expiação prefigurava o juízo final, quando o próprio Deus eliminará o problema do pecado para sempre, purificando todo o Universo da presença do pecado.

SEGUNDA-FEIRA
 
Além do perdão

No Dia da Expiação, o sumo sacerdote entrava no Lugar Santíssimo, onde a glória de Deus se manifestava, para realizar sua obra em favor do povo, que aguardava ansioso o resultado de sua mediação. Muito estava em jogo nesse dia: vida e morte dependiam dos rituais conduzidos pelo sumo sacerdote. O papel principal do sumo sacerdote era de mediação. Era o mediador entre Deus e Seu povo. 

Compreender o papel do sumo sacerdote no Dia da Expiação auxilia na compreensão do significado da obra de Cristo como nosso Sumo Sacerdote. Entretanto, não se podem ignorar as evidentes diferenças entre o sumo sacerdote levítico e o Sumo Sacerdote celestial. Primeiramente, observamos que Arão era um pecador e necessitava oferecer sacrifício por si mesmo, enquanto Cristo é sem pecado e não necessita oferecer sacrifício por Si mesmo (Hb 7:26, 27). Em segundo lugar, os sacrifícios no santuário terrestre deveriam se repetir anualmente, enquanto o sacrifício de Jesus foi oferecido uma vez por todas (Hb 9:6-14, 25, 26). Outra diferença é que a Arão era permitido entrar no santuário terrestre, enquanto Cristo entrou no santuário celestial (Hb 9:24), “tendo obtido eterna redenção” (Hb 9:12), e age como o único mediador entre nós e Deus (1Tm 2:5). Dessa forma, Ele nos aproxima de Deus, e podemos chegar com ousadia e confiança junto ao trono da graça (Hb 4:16). 

Para reflexão: O ritual do Dia da Expiação aponta para a obra final de Jesus no santuário celestial. Que segurança você experimenta em saber que Jesus é o seu intercessor junto ao Pai?

TERÇA-FEIRA 

Azazel

Quem é Azazel? O termo “Azazel” (˒ăzā˓zēl) ocorre quatro vezes na Bíblia Hebraica e todas as vezes no capítulo 16 de Levítico (v. 8, 10 [duas vezes] e 26). O significado do nome “Azazel” é desconhecido, e constitui motivo de controvérsias no decorrer da história, envolvendo tanto judeus como cristãos. Alguns entendem que Azazel indica a “função” do bode vivo, ou faz referência ao “lugar” para onde o bode era enviado, ou ainda é uma “ideia abstrata” que aponta para o conceito de “remoção” vinculado ao animal. A maioria dos teólogos contemporâneos, entretanto, entende que o termo é o nome de um ser sobrenatural que se opõe a Jeová. O argumento é o seguinte: “Dado que o verso 8 identifica um bode como ‘para Yahweh’ e o outro bode como ‘para Azazel’, é mais consistente considerar Azazel um nome próprio, provavelmente de um demônio”, no caso, Satanás. Essa posição está em harmonia com a primitiva interpretação judaica.

E qual era a função do bode para Azazel no Dia da Expiação? A primeira observação é de que esse bode não constituía um sacrifício, conforme os seguintes argumentos: (1) ele não era morto ritualmente; (2) seu sangue não era manipulado no altar; (3) em vista de que os pecados do povo o tornavam impuro, ele não poderia ser apresentado como oferta a Jeová; e (4) foi Jeová, e não a congregação, quem determinou qual bode assumiria esse papel. Assim, não há nenhuma indicação de que esse bode fosse um sacrifício.
O que ele era, então? Era apenas o veículo para o transporte dos pecados. O que a comunidade enviava para Azazel não era propriamente o bode, mas sim os pecados que ele carregava. Entretanto, o bode não leva os pecados vicariamente, como um substituto. Esse papel pertence exclusivamente a Cristo.

QUARTA-FEIRA

No Dia da Expiação

Como é destacado neste estudo, Levítico 16 ocupa a posição central na estrutura literária do Pentateuco. Nos capítulos de 1 a 15, o tema predominante é “sangue”: o sangue dos sacrifícios, que fazem expiação ou purificação pelos pecadores. Nos capítulos 17 a 27 pouca menção se faz ao sangue. O tema dominante nesses capítulos finais é “santidade”. Entre essas duas seções está o capítulo 16. Observe o equilíbrio: o sangue justifica e o pecador justificado recebe um chamado para viver em santidade. Em resumo, justificação e santificação estão presentes no livro.

Igualmente, os capítulos 16 e 23 de Levítico, que apresentam a legislação concernente ao Dia da Expiação, apresentam cinco deveres do povo de Deus no Dia da Expiação, e que são relevantes para o cristão contemporâneo:

1. Reunir-se no santuário em santa convocação (23:27). Hoje nos dirigimos ao santuário celestial, desviando o foco de nós mesmos e fixando nossa esperança em nosso Sumo Sacerdote celestial.

2. Identificar-se com a oferta queimada apresentada pelo sacerdote (23:27). Assim como Cristo Se ofereceu totalmente por nós no altar do Calvário, somos levados a nos entregara Ele, como sacrifício vivo (Rm 12:1).

3. Observar um sábado de solene repouso (v. 28, 30-32). É o repouso da graça, confiando unicamente na intercessão de nosso Sumo Sacerdote celestial.

4. Afligir (humilhar) a alma (v. 27, 29, 32). Atitude que nos leva a abandonar toda confiança em nossas próprias realizações e depender inteiramente da obra de Cristo em nosso favor. Essa “aflição de alma” tem seus aspectos práticos no jejum, oração, profundo exame do coração, tristeza pelo pecado e arrependimento (cf. Sl 35:13). Essa atividade oferece apoio adicional à posição da IASD concernente ao uso de joias. O Dia da Expiação era um dia de juízo por excelência no antigo Israel, e, em tal contexto, Deus requeria de Seu povo que removesse os seus ornamentos. Isso é claro em Êxodo 33:5, 6, após a idolatria no Sinai, em que Deus ordenou ao povo que removesse os ornamentos porque seriam submetidos a uma investigação, que é o significado da frase “para que Eu saiba o que te hei de fazer”.

Experimentar a obra de purificação (Lv 16:30). “Como o santuário celestial está sendo purificado, há uma obra correspondente de purificação a ser realizada individualmente no templo da alma de cada adorador” (ver Ml 3:1-3; Ez 36:25-28).

Para reflexão: Qual é minha atitude hoje, sabendo que vivo no Dia Antitípico da Expiação, no tempo do juízo? Estou cumprindo as atividades requeridas de um verdadeiro filho de Deus? Tenho olhado para meu Sumo Sacerdote no santuário celestial? Tenho humilhado minha alma? Tenho permitido que Jesus faça uma obra de purificação em mim?

QUINTA-FEIRA

O Yom Kippur de Isaías

Isaías recebeu a visão do capítulo 6 em um momento crítico na história: “o ano da morte do rei Uzias” (v. 1 – aproximadamente 740 a.C. Esse rei também é conhecido como “Azarias” (2Rs 15:1-7). A morte de um rei era preocupante, visto que os conspiradores poderiam se aproveitar da ocasião. Portanto, em contraste com a transitoriedade dos reis humanos, o profeta viu Deus, mais tarde referido como “Rei” (v. 5), assentado em Seu “alto e sublime trono, e as abas de Suas vestes enchiam o templo” (v. 1). Essas referências ao “templo”, “trono”, “rei” e “serafins” (v. 2) apontam para a atividade judicial de Deus, que se realiza no templo celestial. Essa conclusão se encaixa no contexto do chamado de Isaías, que deveria anunciar uma mensagem de juízo para o povo (v. 9).

Ao mesmo tempo, essa experiência foi um momento de juízo para o próprio profeta, que se sentiu “perdido” devido à sua impureza pessoal (v. 5). A santidade de Deus foi previamente destacada pelo cântico do tríplice “santo” dos serafins, e isso destacou ainda mais a pecaminosidade de Isaías.

O que poderia fazer Isaías para resolver o problema de sua pecaminosidade? Nada! A ênfase do texto é a ação divina. A ação expiatória é conduzida pelo serafim, que toca seus lábios com uma “brasa viva” (v. 6), que retirara muito provavelmente do altar de incenso localizado no templo celestial. O resultado dessa ação? “A tua iniquidade foi tirada, e perdoado [purgado, purificado], o teu pecado” (v. 7). O verbo aqui traduzido como “perdoado” aparece repetidas vezes em Levítico 16, da mesma forma que os termos aqui traduzidos como “iniquidade” e “pecado”. Além disso, o verbo aparece na voz passiva, indicando que o perdão/purificação procede de Deus.

Tendo sido purificado por Deus, o profeta recebeu um chamado e se comprometeu com a missão divina.

Para reflexão: A nós também é assegurado o perdão/purgação de Deus para nossos pecados/impurezas/iniquidades. Mas, como temos respondido ao chamado de Deus para compartilhar as novas do Evangelho? Imitamos o exemplo de Isaías? Se não, por que não?

Conclusão

Vivemos no Dia da Expiação Antitípico. O Céu contempla com interesse as atividades do Sumo Sacerdote celestial. Também observa como os seres humanos reagem a essas verdades transcendentes. É um tempo de purificação, de preparação, de exame pessoal, de contrição, arrependimento e entrega. O que temos feito? Como temos conduzido nossa vida? Temos consciência de algum pecado que precisa ser confessado e abandonado? Há alguma área de nossa vida que precisa ser purificada? O que estamos esperando para nos entregar inteiramente ao Senhor?

Cf. Alberto R. Treiyer, The Day of Atonement and the Heavenly Judgment: From the Pentateuch to Revelation, 231-265; Roy Gane, Cult and Character: purification offerings, Day of Atonemen, and theodicy, 242-266; Judith M. Blair, De-Demonising the Old Testament(Tübingen: Mohr Siebeck, 2009), 16-24, 55-62; J. De Roo, “Was the Goat for Azazel destined for the Wrath of God?”, Biblica 81 (2000): 233–241.

Cf. a extensa lista apresentada por Treiyer em The Day of Atonement and the Heavenly Judgment, 231, nota 3; Gane, Cult and Character, 250, nota 23. Ver também Questões sobre doutrina (Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, [2009], p. 286-287), para exemplos de autores evangélicos, de diferentes denominações – Anglicana, Presbiteriana, Luterana, Discípulos de Cristo, Congregacional e Metodista – que interpretam Azazel como um símbolo para Satanás.

Matthews, V. H., Chavalas, M. W., & Walton, J. H., The IVP Bible background commentary: Old Testament (electronic ed.) (Downers Grove, IL: InterVarsity Press, 2000). (Comentário sobre Lv 16:10).

Cf. Robert Helm, “Azazel in Early Jewish Tradition”, Andrews University Seminary Studies 32/3 (Autumn 1994): 217-226; William H. Shea, “Azazel in the Pseudepigrapha”, Journal of the Adventist Theological Society, 13/1 (Spring 2002): 1-9.

J. E. Hartley, “Atonement, Day of”. Dictionary of the Old Testament: Pentateuch, 59. Cf. Blair, De-Demonising the Old Testament, 61.
Baseado em Richard M. Davidson, “The Good News of Yom Kippur”, Journal of Adventist Theological Society 2/2(1991): 14-20.
Ibid., 15.
Ibid., 17-18.
Ibid., 18-19.
Elias B. de Souza, The Heavenly Sanctuary/Temple Motif in the Hebrew Bible: Function and Relationship to the Earthly Counterparts(Adventist Theological Society Dissertation Series, 2005), 241.


Vídeos


Introdução - Esboço da Lição "O Santuário" (aqui).
Esboço da Lição - 6 Expiação: O Dia da Expiação (aqui).



Fonte: CASA PUBLICADORA BRASILEIRA  http://www.cpb.com.br/



sábado, 2 de novembro de 2013

ES - Lição 5 - Expiação: oferta da purificação – 4º Trim, 2013






Lição 5 - Expiação: oferta da purificação


26 de outubro a 2 de novembro







Sábado à tarde

Ano Bíblico: Lc 18–20

VERSO PARA MEMORIZAR:


"Sabendo que não foi mediante coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados do vosso fútil procedimento que vossos pais vos legaram, mas pelo precioso sangue, como de cordeiro sem defeito e sem mácula, o sangue de Cristo" (1Pe 1:18, 19).


Leituras da Semana:


O sistema sacrifical provavelmente seja a parte mais conhecida do ritual do santuário, porque é a que aponta diretamente para o sacrifício de Cristo. O sangue do animal que morria pelo pecador se torna um símbolo do sangue de Cristo, que morreu por nós.

Nesta semana, estudaremos vários conceitos ligados à "oferta da purificação" (também chamada de "oferta pelo pecado"), que foi a forma designada por Deus para nos ajudar a entender melhor como Ele nos reconcilia consigo mesmo mediante o único e verdadeiro sacrifício: Jesus Cristo. Às vezes, esta lição usa o termo oferta da purificação em lugar de oferta pelo pecado, para evitar a impressão de que, por exemplo, dar à luz uma criança era considerado uma falha moral, uma vez que a mãe que acabava de dar à luz devia apresentar tal oferta (Lv 12:5-8). Esse sacrifício é mais bem compreendido como oferta de purificação por sua impureza ritual, e não como um sacrifício por causa do pecado.

Domingo

Ano Bíblico: Lc 21, 22 

Pecado e misericórdia

Como os que conhecem o Senhor podem testemunhar, o pecado nos separa de Deus. A boa notícia é que o Senhor colocou em prática um sistema para acabar com a separação causada pelo pecado e nos levar de volta para Ele. Evidentemente, o sacrifício está no centro desse sistema.

Existem basicamente três tipos de pecado descritos no Antigo Testamento, cada um correspondendo ao nível de consciência do pecador quando ele cometeu a transgressão: pecado inadvertido ou involuntário, pecado deliberado ou intencional, e pecado de rebelião. As "ofertas de purificação" prescritas em Levítico 4:1–5:13 se aplicavam a casos de pecado não intencional, bem como a alguns casos de pecado deliberado (Lv 5:1). Enquanto havia uma oferta para essas duas primeiras categorias de pecado,
nenhuma oferta foi mencionada para o pecado de rebelião, o tipo mais hediondo. O pecado de rebelião era cometido "na face" de Deus, com mão levantada, e o rebelde não merecia nada menos do que ser eliminado (Nm 15:29-31). No entanto, parece que mesmo nesses casos, como ocorreu com Manassés, Deus oferecia perdão (2Cr 33:12, 13).

1. O que 2 Samuel 14:9 revela sobre misericórdia, justiça e culpa? Leia também Dt 25:1, 2; 2Sm 14:1-11

Deus é justo ao perdoar o pecador? Afinal, não é o pecador injusto e, portanto, digno de condenação (Dt 25:1)?

A história da mulher de Tecoa pode ilustrar a resposta. Fingindo ser uma viúva, conforme orientação de Joabe, ela foi ao rei Davi, buscando seu julgamento. Joabe inventou inventou uma história sobre seus dois filhos, na qual um havia matado o outro, e pediu que ela contasse a Davi. A lei israelita exigia a morte do assassino (Nm 35:31), mesmo que ele fosse o único homem que restasse na família. A mulher suplicou a Davi (que atuou como juiz) permissão para que o filho culpado ficasse livre.

Então, curiosamente, ela declarou: "A culpa, ó rei, meu senhor, caia sobre mim e sobre a casa de meu pai; o rei, porém, e o seu trono sejam inocentes" (2Sm 14:9). Tanto a mulher quanto Davi entendiam que, se o rei decidisse permitir que o assassino ficasse livre, o próprio rei assumiria a culpa do assassino, e o seu trono de justiça (isto é, sua reputação como juiz) estaria em perigo. O juiz era moralmente responsável pelo que decidia. Por isso, a mulher se ofereceu para assumir essa culpa.

Da mesma forma, Deus assumiu a culpa dos pecadores, a fim de declará-los justos. Para que fôssemos perdoados, o próprio Deus devia suportar nossa punição. Essa é a razão legal pela qual Cristo tinha que morrer para que fôssemos salvos.

Segunda

Ano Bíblico: Lc 23, 24 

Imposição de mãos

2. Leia Levítico 4:27-31. Quais atividades eram realizadas juntamente com o sacrifício?

O objetivo da oferta era remover o pecado e a culpa do pecador, transferir a responsabilidade para o santuário, e permitir que o pecador saísse perdoado e purificado (em casos extremamente raros, a pessoa poderia trazer certa quantidade da melhor farinha como oferta de purificação. Embora essa oferta de purificação fosse sem derramamento de sangue, havia o entendimento de que "sem derramamento de sangue, não há remissão" [Hb 9:22]).

O ritual incluía a imposição das mãos, a morte do animal, a manipulação do sangue, a queima da gordura, e o consumo da carne do animal. O pecador que levava a oferta recebia o perdão, mas somente após o ritual do sangue.

Uma parte crucial desse processo envolvia a imposição das mãos (Lv 1:4; 4:4). A imposição das mãos transferia o pecado para o animal inocente.

Depois que o animal era morto, o sangue derramado era usado para fazer expiação sobre o altar: "Então, o sacerdote, com o dedo, tomará do sangue da oferta pelo pecado e o porá sobre os chifres do altar do holocausto; e todo o restante do sangue derramará à base do altar do holocausto" (Lv 4:25). "Porque a vida da carne está no sangue. Eu vo-lo tenho dado sobre o altar, para fazer expiação pela vossa alma, porquanto é o sangue que fará expiação em virtude da vida" (Lv 17:11). Uma vez que os pecados eram transferidos para o animal pela imposição das mãos, devemos entender a morte do animal como substitutiva. O animal morria em lugar do pecador. Isso pode explicar por que o ato de matar o animal tinha que ser realizado pelo pecador culpado, e não pelo sacerdote.

Da próxima vez que você for tentado a pecar, imagine Jesus morrendo na cruz e veja você mesmo colocando as mãos sobre Sua cabeça e confessando seus pecados sobre Ele. Pensar nisso ajuda a entender o preço do perdão? Como essa ideia pode ajudá-lo a não cair em tentação?

Terça

Ano Bíblico: Jo 1–3 

Transferência de pecado

"O pecado de Judá está escrito com um ponteiro de ferro e com diamante pontiagudo, gravado na tábua do seu coração e nas pontas dos seus altares" (Jr 17:1).

Após a imposição das mãos e a morte do animal, a atividade seguinte no ritual do sacrifício era a manipulação do sangue. O sacerdote aplicava o sangue sacrifical às pontas do altar. Como o sangue estava envolvido, essa parte do ritual estava relacionada à expiação (Lv 17:11). Se o pecado fosse cometido por uma pessoa comum ou um líder, o sangue era aplicado sobre o altar do holocausto (Lv 4:25, 30); se o pecado fosse cometido pelo sumo sacerdote ou por toda a congregação, o sangue era aplicado sobre o altar interior, o altar do incenso (Lv 4:7, 18).

3. Na transferência do pecado, do pecador para o santuário, o que significava colocar o sangue sobre as pontas do altar?

As pontas eram os pontos mais altos do altar e, como tais, poderiam significar a dimensão vertical da salvação. O sangue era levado à presença de Deus.

Jeremias 17:1 é de especial importância para entender o que acontecia: o pecado de Judá estava gravado "na tábua do seu coração e nas pontas dos seus altares". Embora o texto esteja se referindo a altares envolvidos na adoração idólatra, o princípio é o mesmo: o altar reflete a condição moral do povo. O sangue transferia a culpa do pecado. O sangue colocado nas pontas do altar transferia o pecado do pecador para o santuário, uma verdade fundamental para compreendermos o plano da salvação, revelado no ritual do santuário terrestre, que simboliza a obra de Cristo no Céu em nosso favor.

Uma vez que o sangue levava o pecado, ele também contaminava o santuário. Encontramos um exemplo dessa contaminação nos casos em que o sangue da oferta da purificação respingava acidentalmente em uma veste, que precisava ser limpa, não simplesmente em qualquer lugar, mas apenas "no lugar santo" (Lv 6:27).

Finalmente, a queima da gordura sobre o altar indicava que tudo em torno da oferta da purificação pertencia a Deus (Lv 3:16).

Graças à morte de Jesus, simbolizada por esses sacrifícios, nosso pecado foi tirado de nós, colocado sobre Ele e transferido para o santuário celestial. Isso é fundamental para o plano da salvação.

Como o ritual do santuário ajuda a entender nossa total dependência de Deus para o perdão dos pecados? Que conforto essa verdade traz a você? Que importantes responsabilidades vêm com essa mensagem? (leia 1Pe 1:22).


Quarta

Ano Bíblico: Jo 4–6 

Levando o pecado

4. Leia Levítico 6:25, 26; 10:16-18. Que verdade fundamental é revelada nesses textos?

Ao comer a oferta em um lugar santo, o sacerdote oficiante "[levaria] a iniquidade" do ofensor. A carne dessa oferta não era apenas o pagamento pelos serviços dos sacerdotes (caso contrário, Moisés não teria ficado tão irado com os filhos de Arão por não comê-la), mas ela era uma parte fundamental da expiação.

De que modo o ato de comer do sacrifício contribuía para o processo de expiação? Só era exigido que se comesse das ofertas das quais o sangue não entrava no lugar santo, ou seja, as ofertas do líder e das pessoas comuns. A Bíblia diz explicitamente que, ao comer do sacrifício o sacerdote levaria a iniquidade, o que faria a expiação pelo pecador. O simbolismo de levar a culpa do pecador sugere que ele se tornava livre.

Em hebraico, Êxodo 34:7 diz que Deus "leva a iniquidade", as mesmas duas palavras hebraicas usadas em Levítico 10:16, onde está claro que o ato do sacerdote levar o pecado é o que traz perdão ao pecador. Caso contrário, sem essa transferência, o pecador teria que levar seu próprio pecado (Lv 5:1), e isso, naturalmente, levaria à morte (Rm 6:23).

A obra do sacerdote de levar o pecado de outra pessoa é exatamente o que Cristo fez por nós. Ele morreu em nosso lugar. Concluímos, então, que o trabalho sacerdotal no santuário terrestre tipifica a obra de Cristo por nós, porque Ele assumiu a culpa dos nossos pecados.

"A bênção vem por causa do perdão; o perdão vem mediante a fé em que o pecado, do qual nos arrependemos e confessamos, é suportado pelo grande Portador de pecados. Todas as nossas bênçãos provêm, assim, de Cristo. Sua morte é o sacrifício expiatório pelos nossos pecados. Ele é o grande meio através do qual recebemos a misericórdia e o favor de Deus. Ele é, na realidade, o Originador, Autor, bem como o Consumador de nossa fé" (Ellen G. White, Manuscript Releases, v. 9, p. 302).

Imagine ficar diante de Deus no juízo. Em que você se apoiaria: boas obras, observância do sábado, as coisas boas que fez ou as coisas ruins que não fez? Isso seria suficiente para justificar você diante de um Deus santo e perfeito? Se não, qual é sua única esperança nesse julgamento?

Quinta

Ano Bíblico: Lc 12–14 

Perdão

5. Leia Miqueias 7:18-20. Que imagem de Deus encontramos nessa passagem?

Os três últimos versos do livro de Miqueias focalizam o relacionamento entre Deus e Seu povo remanescente. De forma bela, o texto descreve por que Deus é incomparável. Ele é incomparável por causa de Sua graça e amor perdoador. A característica marcante de Deus, revelada em Miqueias (e em outros livros da Bíblia), é Sua disposição de perdoar. Miqueias enfatizou esse ponto usando várias expressões para os atributos (v. 18) e realizações (v. 19, 20) de Deus. Seus atributos e realizações são explicados na linguagem do Credo Israelita em Êxodo 34:6, 7, uma das mais amadas descrições bíblicas do caráter de Deus.
Curiosamente, várias palavras fundamentais de Miqueias 7:18-20 também são usadas no Cântico do Servo em Isaías 53, apontando para o fato de que o meio para o perdão vem dAquele que sofre pelas pessoas.

Infelizmente, nem todos apreciam a divina graça salvadora. O perdão de Deus não é barato nem automático. Ele envolve lealdade. Os que experimentaram Sua graça respondem de maneira semelhante, como vemos em Miqueias 6:8, um texto central no livro. Assim como Deus "tem prazer na misericórdia", Ele chama Seu povo remanescente para "[amar] a misericórdia". O povo de Deus imitará o Seu caráter. A vida deles refletirá Seu amor, Sua compaixão e bondade.

Miqueias 7:18-20, com sua ênfase sobre o perdão, é seguido pelo livro de Naum 1:2, 3, com sua ênfase no juízo. Isso revela as duas dimensões do relacionamento de Deus conosco: perdoar o arrependido e punir os ímpios. Deus é tanto Salvador quanto Juiz. Esses dois aspectos do caráter de Deus são complementares, não contrários. Um Deus compassivo também pode ser justo. Sabendo disso, podemos confiar no Seu amor, perdão e justiça final.

Leia Miqueias 6:8. Qual é a vantagem de uma profissão de fé sem os princípios que revelam a realidade dessa alegação? O que é mais fácil: afirmar a fé em Jesus ou viver essa fé, conforme expresso em Miqueias 6:8? Você precisa melhorar nesse aspecto?

Sexta

Ano Bíblico: Jo 10, 11 

Estudo adicional

Leia de Ellen G. White, Patriarcas e Profetas, p. 343-358: "O Tabernáculo e Suas Cerimônias".

"Assim como Cristo, por ocasião de Sua ascensão, compareceu à presença de Deus, a fim de pleitear com Seu sangue em favor dos crentes arrependidos, também o sacerdote, no ministério diário, aspergia o sangue do sacrifício no lugar santo em favor do pecador.

"O sangue de Cristo, ao mesmo tempo que livraria da condenação da lei o pecador arrependido, não cancelaria o pecado. Este ficaria registrado no santuário até a expiação final. Assim, no cerimonial típico, o sangue da oferta pelo pecado removia do penitente o pecado, mas esse permanecia no santuário até o dia da expiação" (Ellen G. White, Patriarcas e Profetas, p. 357).

Perguntas para reflexão

1. Alguns argumentaram que o conceito de substituição é injusto. Por que o inocente deveria morrer no lugar do culpado? No entanto, visto que essa verdade está no centro da mensagem bíblica, como podemos responder a essa acusação? Será que essa "injustiça" nos ajuda a compreender a graça revelada a fim de nos trazer perdão? De que forma essa "injustiça" mostra a bondade, misericórdia e amor de Deus?

2. Peça que alguém leia Miqueias 6:8. Como podemos cumprir essa clara ordem? Como podemos aprender a fazer todas essas coisas, inclusive andar humildemente com Deus? O que isso significa? Como a humildade para com Deus pode ser traduzida na humildade para com os semelhantes?

3. O único meio de salvação é a morte de Jesus. O que essa maravilhosa verdade ensina sobre a maldade do pecado? Tentar salvar a si mesmo por suas próprias obras não seria tão inútil quanto lavar um porco na esperança de torná-lo um alimento puro?

4. Você confia em suas obras para salvá-lo ou confia apenas no perdão de Deus? Acredita na mensagem de salvação apresentada no evangelho? 

Respostas sugestivas: 1. A misericórdia seria demonstrada com a permissão de Davi para que Absalão voltasse para casa após matar o irmão; a justiça requeria a punição do criminoso; o próprio rei Davi assumiria a culpa ao perdoar o filho infrator. Deus nos perdoa e assume nossa culpa. 2. Imposição das mãos, morte do animal, manipulação do sangue, queima da gordura e consumo da carne do animal. O pecador era perdoado. 3. As pontas eram o ponto mais alto do altar e poderiam simbolizar a ligação entre a Terra e o Céu, por meio do sangue de Cristo. O sangue transferia a culpa do pecador para o santuário. 4. O sacerdote devia comer do sacrifício, para levar a iniquidade, o que faria a expiação pelo pecador. 5. A imagem de um Deus incomparável por Sua graça e amor perdoador.


ESCOLA SABATINA


Texto-chave: Levítico 4

O aluno deverá...

Conhecer: A tipologia da oferta pelo pecado (também chamada de "oferta da purificação").

Sentir: Apreciar a obra de Jesus prefigurada na oferta pelo pecado.

Fazer: Experimentar o perdão dos pecados prefigurado nessa oferta.

Esboço

I. Conhecer: Tipologia da oferta pelo pecado (Lv 4)

O pecador arrependido (1) levava ao santuário sua oferta pelo pecado; (2) colocava a mão sobre o animal inocente; e (3) o matava. O animal sacrificado (4) era comido pelo sacerdote (tanto o comum quanto o sumo sacerdote), ou (5) seu sangue era levado para dentro do Lugar Santo (em favor do sacerdote ou congregação). Assim, (6) o pecador era purificado do seu pecado, e (7) o santuário era contaminado pelo registro do pecado. O que cada um desses passos prefigurava no antítipo?

II. Sentir: A alegria do perdão de Cristo

O ritual da oferta pelo pecado no Antigo Testamento tornava vívidos os passos do perdão por meio do sacrifício e ministério sacerdotal de Cristo. Quais são seus sentimentos sobre a obra de Cristo quando você revive essa tipologia?

III. Fazer: Experimentar o perdão de Deus

A tipologia do pecado no Antigo Testamento pode ser experimentada na realidade quando recebemos o perdão por meio de Cristo, nosso Substituto. Você decidiu experimentar pessoalmente esse perdão e graça?

Resumo: A oferta pelo pecado prefigura a maneira pela qual os pecadores arrependidos recebem o perdão por meio do sacrifício e ministério sacerdotal de Cristo. Ela também prefigura a maneira pela qual o santuário celestial é contaminado pelo registro dos pecados perdoados.


Ciclo do Aprendizado

Motivação

Focalizando as Escrituras: Isaías 53:6

Conceito-chave para o crescimento espiritual: O ritual da oferta pelo pecado (também chamada de "oferta da purificação"), realizado no santuário do Antigo Testamento, prenunciava a maneira pela qual os pecadores arrependidos recebem o perdão por meio do sacrifício e ministério sacerdotal de Cristo. Ele também apontava para a maneira pela qual o santuário celestial é contaminado pelo registro do pecado perdoado.

Somente para o professor: Em seu livro clássico sobre o santuário, o pioneiro adventista Stephen N. Haskell escreveu sobre a oferta pelo pecado: "Em nenhum dos tipos o adorador individual foi levado a um contato tão próximo com o ritual do santuário quanto na oferta pelo pecado. Nenhuma parte do culto religioso traz o adorador a um contato tão íntimo com o Senhor quanto o momento em que ele se ajoelha aos pés do Salvador, confessando seus pecados e reconhecendo a força da promessa [de 1Jo 1:9 ...] É então que o pecador arrependido toca a orla do manto do Mestre e recebe Seu poder de cura na alma" (The Cross and Its Shadow [A Cruz e Sua Sombra];  South Lancaster, Massachusetts; The Bible Training School [Escola de Formação Bíblica, 1914, p. 123).

Atividade de abertura:

Peça que os alunos imaginem que estão trazendo uma oferta pelo pecado nos tempos do Antigo Testamento. Em seguida, peça que eles descrevam as várias etapas do processo de receber o perdão.

Pense nisto: Por que havia necessidade de uma oferta pelo pecado no tipo, e, antitipicamente, por que Jesus precisava morrer como nosso Substituto? O que a oferta pelo pecado ensina sobre a natureza da justiça e misericórdia de Deus?

Comentário Bíblico

I. Visão geral do ritual da oferta pelo pecado
(Recapitule com a classe Lv 4.)

O capítulo 4 de Levítico descreve dois procedimentos diferentes para a oferta pelo pecado – um pelo sacerdote ou congregação e outro por um príncipe ou cidadão comum.

A. Etapas em comum. Os quatro primeiros passos são os mesmos para todos os envolvidos:

1. Reconhecimento da culpa. A palavra hebraica 'asham (v. 13, 22, 27) implica tanto o status legal ("será culpado", NVI) quanto a experiência subjetiva ("perceber sua culpa", English Standard Bible [Bíblia Inglesa Padrão]).

2. Animal substituto, arrependimento e confissão. O pecador arrependido levava para a porta do tabernáculo o animal a ser sacrificado (v. 4, 14, 23, 28). "Pelo ato de levar a oferta ao santuário, o indivíduo confessava que era pecador, merecedor da ira de Deus, e expressava seu arrependimento e fé em Jesus Cristo, cujo sangue removeria a culpa do transgressor" (Ellen G. White, Signs of the Times [Sinais dos Tempos], 15 de julho de 1880).

3. Imposição da mão, simbolicamente efetuando a transferência do pecado para o sacrifício. O pecador arrependido colocava a mão sobre a cabeça do animal inocente (v. 4, 15, 24, 29), simbolicamente transferindo seu pecado para o animal inocente substituto, que representava Cristo, nosso Substituto (Lv 1; 4; 16:21; 17:11; Ellen G. White, Patriarcas e Profetas, p. 354, 355).

4. Morte do substituto portador de pecados. O pecador arrependido então matava o animal diante do Senhor (Lv 4:4, 15, 24, 29). Isso ressalta que foram os nossos pecados que, em última análise, causaram a morte do Cordeiro (Is 53:5, 6, 8), que carregou esses pecados como nosso Substituto na cruz (2Co 5:14, 15; 1Pe 2:24).

B. Diferenças nos dois procedimentos. Nas últimas etapas dos dois procedimentos, existiam diferenças no que o sacerdote fazia com o animal.

Pelo pecado do sacerdote e de toda a congregação, o sacerdote trazia um pouco do sangue para o Lugar Santo (Lv 4:5, 16), mergulhava o dedo no sangue e aspergia uma parte dele sete vezes perante o Senhor na frente do véu interior (v. 6, 17), passava um pouco do sangue nas pontas do altar de incenso (v. 7, 18), derramava o restante do sangue na base do altar do holocausto (v. 7, 18), removia a gordura (v. 8-10, 19), queimava a gordura no altar (v. 10, 19), levava o restante do animal a um lugar limpo fora do acampamento (v. 12, 21) e o queimava (v. 12, 21).

Pelo pecado de um príncipe ou pessoa comum, o sacerdote recolhia o sangue (v. 25, 30), passava com o dedo um pouco do sangue nas pontas do altar do holocausto (v. 25, 30), derramava o restante do sangue na base do altar (v. 25, 30), removia a gordura (v. 26, 31), queimava a gordura no altar (v. 26, 31) e comia a carne da oferta pelo pecado/ou oferta da purificação (Lv 6:25-30).

O resultado final era o mesmo para os dois procedimentos: o sacerdote fazia "expiação" (isto é, purificava ou removia o pecado) do pecador arrependido, que era perdoado (Lv 4:20, 26, 31). O verbo traduzido como "serão perdoados" está na voz passiva (em hebraico nif'al) e implica que é Deus quem perdoa, não o sacerdote.

A diferença básica nesses dois procedimentos pode ser resumida por este princípio: Quando o sangue entrava no Lugar Santo do santuário, a carne do sacrifício não era comida; mas, quando o sangue não entrava, a carne do sacrifício era comida pelo sacerdote. Por que essa diferença? A resposta parece ser que, nos casos do sacerdote ou de toda a congregação (que incluía também o sacerdote), o sacerdote não podia se tornar o portador de sua própria culpa, de modo que o sangue era levado diretamente para o santuário como agente de transferência, carregando o pecado do pecador para o Lugar Santo. Mas, no caso do príncipe e da pessoa comum, o sacerdote não estava envolvido no pecado e, assim, ele podia ser o portador do pecado do pecador para si mesmo (Lv 10:16, 17). Nesse último caso, o pecado era transferido para o santuário por meio dos sacerdotes, quando os sacerdotes ofereciam sua oferta pelo pecado e o sangue era levado para o santuário.

Ellen G. White apoia esse último ponto de vista: "Os pecados do povo eram em figura transferidos para o sacerdote oficiante, que era um mediador para o povo. O sacerdote não podia, ele mesmo, tornar-se oferta pelo pecado e com sua vida fazer a expiação, pois era também pecador. Por isso, em vez de sofrer ele mesmo a morte, sacrificava um cordeiro sem mácula; a pena do pecado era transferida para o inocente animal, que assim se tornava seu substituto imediato, simbolizando a perfeita oferta de Jesus Cristo" (Mensagens Escolhidas, v. 1, p. 230).

C. Resultados comuns da oferta pelo pecado. Por meio da oferta pelo pecado, o pecador era purificado do pecado, era perdoado, e o pecado era transferido para o santuário. Em seu cumprimento tipológico, Cristo é tanto o Cordeiro de Deus quanto o Sacerdote-Mediador (Jo 1:29; Hb 8:1, 2). Ele não tinha nenhum pecado em Si mesmo. Por isso, como Sacerdote, Ele poderia levar a culpa da congregação (Lv 10:17) – sim, de todo o mundo! – em Seu próprio corpo. Ele também poderia ministrar os benefícios de Seu sangue derramado no santuário celestial, na Nova Aliança.

Pense nisto: Qual é a função do sangue na oferta pelo pecado? O que ela purifica, e o que ela contamina? O sangue pode ser um agente de limpeza e contaminação ao mesmo tempo? (Lv 6:27).

II. O tipo de pecado envolvido na oferta pelo pecado
(Recapitule com a classe Lv 5:1; 6:2, 3.)

Alguns intérpretes afirmam que somente os pecados involuntários (inadvertidos) poderiam ser perdoados por meio do sistema de sacrifícios, mas há menção explícita de pecados deliberados (sem atitude de rebelião) sendo igualmente perdoados por meio desse sistema (Lv 5:1, 10; 6:2, 3, 7). A palavra shegagah, utilizada em Levítico 4 (v. 2, 13, 22, 27) e normalmente traduzida como "sem intenção" (NVI) ou "por ignorância" (RA), ou "por erro" (RC), deriva de um verbo que significa "desviar-se; extraviar-se", e pode se referir a pecados inadvertidos ou conscientes (deliberados, mas não rebeldes), nos quais a pessoa se extravia (Nm 35:11; Ec 5:6; 10:5; Jó 12:16; Sl 119:67; Pv 5:20; leia R. Laird Harris, "Exodus" [Êxodo], The Expositor's Bible Commentary [Comentário Bíblico do Expositor]; Grand Rapids, Michigan; Zondervan, 1990, p. 547, 548).

Pense nisto: O texto de Números 15:22-31 contrasta os pecados "por ignorância" (desviar-se; shegagah) com os pecados de presunção, em atitude de rebelião e com mão levantada. Por que não havia expiação no sistema de sacrifícios para os pecados "de mão levantada"? As pessoas que cometiam esse tipo de pecado poderiam ser perdoadas por Deus, caso se arrependessem?

Aplicação

Somente para o professor: Note que a palavra hebraica chatt`at ("oferta pelo pecado") também pode ser traduzida como "oferta pela purificação" (especialmente quando se referia à purificação de impureza ritual não moral, como em Levítico 12:5-8).

Perguntas para reflexão

1. Qual é o simbolismo da queima da gordura do animal sacrificado no altar e da incineração do cadáver fora do acampamento? (Lv 3:16, 17; Gn 45:18; Hb 13:11-13)

2. Os conceitos de expiação substitutiva e transferência de pecado são opcionais na compreensão do evangelho?
Perguntas de aplicação

1. Qual é a sua resposta a esta declaração de Ellen G. White: "Não devemos estar ansiosos acerca do que Cristo e Deus pensam de nós, mas do que Deus pensa de Cristo, nosso Substituto" (Mensagens Escolhidas, v. 2, p. 32, 33)?

2. Se recebemos o perdão dos pecados quando aceitamos Cristo, nosso Substituto, por que o registro desse pecado permanece no santuário celestial? Existe um aspecto da expiação além do perdão? Justifique sua resposta.

Atividades práticas

Somente para o professor: Imagine novamente a oferta pelo pecado, mas agora resuma o significado antitípico de suas diversas etapas.


COMENTÁRIO SEMANAL


Autor: João Antônio Rodrigues Alves, Mestre em Teologia pelo UNASP, e doutor em Teologia pela Universidad Adventista del Plata. Pastor distrital em Nova Venécia (ES). Casado com a Profa. Me. Daisy Kiekow de Britto Rodrigues Alves, tem dois filhos, Emerson e Karina.
E-mail: rodriguesalves_ja@yahoo.com.br

Editoração: Pr. Zinaldo Santos e Pr. André Oliveira Santos: andre.oliveira@cpb.com.br
Revisão: Rosemara Santos



Ampliação


INTRODUÇÃO

“O salário do pecado é a morte” (Rm 6:23). Sendo assim, todos nós deveríamos morrer, visto que todos somos pecadores. Mas não morremos porque um Substituto assumiu nosso lugar. No sistema do santuário, esta verdade é ilustrada de forma dramática: o animal sacrifical se tornava o portador dos pecados do penitente e, em consequência, morria. Cristo, como Cordeiro de Deus (Jo 1:29), era simbolizado nos sacrifícios rituais. À luz de tais sacrifícios podemos compreender um pouco do sacrifício e ministério de Cristo. Como já visto, o santuário é o meio para solucionar uma situação antagônica: ali é o lugar da morada do Deus santo, no meio de um acampamento repleto de pecadores. Como conciliar essa realidade? Através do sistema ritual, em que os sacrifícios realizados solucionavam o problema da culpa do pecador e restabeleciam a relação entre o Deus santo e o pecador penitente. Devemos atentar para os detalhes de uma legislação que não deixou sequer uma brecha por onde o pecador pudesse escapar. Ao contrário, tudo foi pensado de maneira a resgatar o transgressor e levá-lo de volta a um relacionamento harmonioso com seu Criador.

DOMINGO
Pecado e misericórdia

O que fazer com o pecador? Para ser justo, Deus deveria exigir o “salário”, ou seja, a morte (Rm 6:23). Mas, para ser misericordioso, Deus deveria perdoá-lo. Como equilibrar esses dois elementos? Através do sacrifício ritual. Devemos observar que a legislação previa ofertas para o “pecado por ignorância”, isto é, o pecado acidental, não intencional, do sacerdote (Lv 4:3), da congregação (4:13), do príncipe (4:22) e da pessoa comum (4:27). Em comum nesses casos temos a natureza não intencional do pecado e a prescrição de que uma oferta pelo pecado deveria ser apresentada para fazer “expiação”. O resultado? O pecador era perdoado (4:20, 26, 31). No caso da oferta do “príncipe” e da “pessoa comum”, o sangue não era introduzido no lugar santo, ficando sua manipulação restrita ao altar de holocaustos no pátio do santuário. Nos outros dois casos, o sangue era introduzido no lugar santo e aspergido perante o véu e sobre o altar de incenso. Entretanto, o resultado era o mesmo: as pessoas envolvidas eram perdoadas. Era restaurada a comunhão com o Deus santo que habitava o santuário.

Para reflexão: Temos pecado por ignorância? Ou nosso pecado é de rebelião? O que podemos fazer para conseguir a vitória?

SEGUNDA-FEIRA 
Imposição de mãos

O rito da imposição de mãos sobre a cabeça da vítima sacrifical é explicitamente declarado nos casos da oferta queimada (Lv 1:4), a oferta pelo pecado do sacerdote (4:4), da congregação (4:15), do príncipe (4:24) e da pessoa comum (4:29). E o que significava? Nos textos referidos não temos uma informação precisa. Mas no Dia da Expiação, o rito envolvendo o bode para Azazel explicitamente declara que a imposição de mãos sobre a cabeça do animal transferia os pecados para ele (ver Lv 16:21). Encontramos ainda, em contextos não sacrificais, três exemplos em que alguma coisa é transferida por meio da imposição de mãos: (1) Moisés impôs as mãos sobre Josué, o qual recebeu o “espírito de sabedoria” (Dt 34:9; cf Nm 27:18); (2) a dedicação dos levitas, que substituíram os primogênitos do povo de Israel (Nm 8:18); e (3) o apedrejamento do blasfemador, em que a culpa ficava somente com o transgressor, isentando a testemunha (Lv 24:14).

A estrutura do ritual sacrifical envolvia algumas ações: oferecimento do animal sacrifical, imposição de mão (em alguns casos, as duas mãos), confissão dos pecados, morte da vítima, manipulação do sangue (nesse caso, a responsabilidade era do sacerdote), e a queima do animal, ou de sua gordura, fosse fora do arraial ou no altar (dependendo da oferta), o que era um aroma suave ao Senhor. Assim, a oferta sacrifical ia do pecador penitente para Deus.

A partir dos exemplos anteriormente mencionados, pode-se concluir que a observância das atividades rituais resultava em uma transferência dos pecados do ofertante para a vítima sacrifical e desta para o santuário, via manipulação do sangue (ou do comer da carne). O animal sacrificado carregava os pecados e a culpa do ofertante. Desse modo, substituía o ofertante pecador, dando-lhe condições de permanecer na presença do Deus santo.

Para reflexão: O sacrifício de Jesus era tipificado no ritual do santuário. Como você se sente ao entender que Ele carregou sobre Si o seu pecado? Ou seja, entender que seus pecados foram simbolicamente transferidos para o Cordeiro de Deus, o que resultou na morte do Salvador?

TERÇA-FEIRA 
Transferência de pecado

Como foi visto no estudo de segunda-feira, os pecados do ofertante eram transferidos para a vítima por meio do ritual de imposição de mãos e, mediante a manipulação do sangue pelo sacerdote, para o santuário (Pecador > vítima > santuário). Assim, em última instância, o santuário se tornava o receptáculo final dos pecados do povo. Essa situação explicaria a necessidade da realização de um ritual específico para purificar o próprio santuário (ver Lição 6).

O rito de manipulação do sangue da oferta pelo pecado estava vinculado à “classe” do pecador. No caso do “príncipe” e da “pessoa comum”, o sangue ficava restrito ao altar de holocausto – nos chifres e na base. No caso da “congregação” e do “sacerdote”, o sangue era aspergido no véu interior e sobre o altar de incenso. Em ambos os casos, o resultado era o mesmo: os pecados eram transferidos para o santuário, o qual, por assim dizer, assumia os pecados do ofertante. Visto que o santuário era a morada de Deus entre Seu povo, o próprio Deus assumia os pecados do povo, e assim perdoava todos os arrependidos. No caso do cristão, foi Jesus quem assumiu nosso lugar, e morreu como oferta sacrifical, para nos conceder o perdão.

QUARTA-FEIRA
Levando o pecado

O sangue da vítima sacrifical oferecida pelo príncipe ou pela pessoa comum não era levado para dentro do santuário, mas era aspergido nos chifres do altar de holocausto e derramado na base desse altar. Então, de que maneira era feita a transferência dos pecados para o santuário? De acordo com a legislação levítica, o sacerdote oficiante deveria comer uma porção da carne da oferta pelo pecado. Moisés claramente afirmou esse conceito: “Por que vocês não comeram a carne da oferta pelo pecado no Lugar Santo? É santíssima; foi-lhes dada para retirar a culpa da comunidade e fazer propiciação por ela perante o Senhor” (Lv 10:17). A iniquidade foi transferida do pecador para a vítima através da imposição de mão e, da vítima, para o sacerdote, mediante o comer da carne sacrifical. Como resultado, o sacerdote se tornava o portador do pecado e a expiação era realizada. E por que o sacerdote não era punido, nem sua santidade era afetada, visto que era portador do pecado? Porque Deus assim havia prescrito, e habilitado o sacerdócio como um santo instrumento no processo expiatório (ver Êx 28:38).

No caso da oferta pelo pecado do sacerdote, ou da congregação – que incluía todo o sacerdócio – a carne não era comida. Nesse caso, o sacerdote se tornaria o portador de seu próprio pecado e, em consequência, deveria morrer (Lv 22:9). Então, a carne era queimada fora do acampamento e o sangue era introduzido no lugar santo do santuário.

Para reflexão: Jesus é nossa oferta sacrifical e, ao mesmo tempo, nosso Sumo-Sacerdote, que carrega nossos pecados. Como nos sentimos ao refletir sobre estas realidades?

QUINTA-FEIRA
Perdão

No livro de Levítico somos lembrados acerca da seriedade do pecado, de como ele nos separa de Deus. O povo de Deus do passado, que contemplava – e mesmo empunhava o cutelo em alguns casos – a morte de inocentes animais, não poderia deixar de perceber sua gravidade. Os animais se tornavam substitutos, que levavam a culpa pelos pecados. Algumas vezes o pecado é por ignorância, outras é deliberado. Não obstante, o perdão é concedido ao transgressor. Sua culpa é expiada e o relacionamento com Deus é restaurado.

Com toda a riqueza de suas cerimônias, o livro de Levítico aponta para um Deus perdoador, que vai em busca do perdido, que não desiste dos pecadores. Contudo, para realizar esse ato salvador, é necessário sacrifício. Agora não mais de animais, mas do próprio Filho de Deus. Ao ser oferecido na cruz do Calvário, Ele Se tornou nosso sacrifício, o portador de nossos pecados, para que pudéssemos receber o perdão e ser restaurados em nosso relacionamento com Deus.

Naturalmente, o cristão verdadeiro, que experimenta a misericórdia e o perdão de Deus na vida, reconhece sua responsabilidade para com os semelhantes, oferecendo-lhes, em seu relacionamento diário, a mesma graça e misericórdia perdoadora que receberam de Deus.

Para reflexão: Tendo sido perdoado por um Deus amoroso, como temos tratado nosso irmão? Nossa atitude é misericordiosa, perdoadora, ou vingadora? O que fazer para que nossa atitude reflita o caráter de nosso Deus?

Conclusão

Já são passados dois mil anos desde o sacrifício expiatório de Jesus. Não temos necessidade de oferecer sacrifícios pelos nossos pecados, seja no templo ou em outro lugar. Simplesmente os confessamos a Deus, pedimos perdão mediante o sangue de Cristo e seguimos adiante. Porém, seguimos para onde? Talvez no mesmo caminho de pecado. E nada muda em nossa vida. Talvez, se tivéssemos que oferecer um sacrifício – e isso tivesse um custo financeiro – cada vez que cometêssemos pecado, pensaríamos duas vezes. Em uma sociedade que valoriza tanto o material, esse pensamento poderia funcionar como freio. Mas, o cristão nascido de novo pensa no custo, no preço pago pelo perdão – a morte de Cristo, incluindo toda a dor, sofrimento e angústia que Ele experimentou para nos salvar. Isso é o que deve nos deter em nosso caminho de pecado. Devemos viver como pecadores perdoados, salvos por Deus e para Deus, honrando o nome de nosso Salvador.

Para reflexão: Examinando sua vida hoje, você acha que o sacrifício de Cristo foi válido ou foi um completo desperdício?

Vídeos

Introdução - Esboço da Lição "O Santuário" (aqui).
Esboço da Lição - 5 Expiação: oferta da purificação (aqui).


Fonte: CASA PUBLICADORA BRASILEIRA  http://www.cpb.com.br/