sexta-feira, 17 de maio de 2013

ES - Lição 8 - Confiando na bondade de Deus (Habacuque) – 2º Trim, 2013






Lição 8 - Confiando na bondade de Deus (Habacuque)


18 a 25 de maio







Sábado à tarde
Ano Bíblico: 2Cr 26–28 

VERSO PARA MEMORIZAR:
“A Terra se encherá do conhecimento da glória do Senhor, como as águas cobrem o mar” (Hc 2:14).


Leituras da Semana:
Pensamento-chave: Podemos nem sempre entender por que as tragédias acontecem, mas podemos confiar em Deus, não importando o que aconteça.

Depois de pregar sobre a presença permanente de Deus em meio às adversidades da vida, um pastor foi confrontado por uma mulher que, aos prantos, perguntou: “Pastor, onde Deus estava no dia em que meu único filho morreu?” Percebendo uma profunda tristeza no rosto dela, o pastor ficou em silêncio, depois respondeu: “Deus estava no mesmo local em que estava no dia em que Seu Filho Unigênito morreu para nos salvar da morte eterna.”



Como nós, Habacuque testemunhou a injustiça, a violência e o mal. Pior ainda, Deus parecia estar em silêncio em meio a tudo isso, embora Ele pedisse que Habacuque confiasse em Suas promessas.



O profeta não viveu para ver o cumprimento dessas promessas. No entanto, ele aprendeu a confiar nelas de toda maneira. Seu livro começa com uma queixa para Deus, mas termina com um dos cânticos mais belos da Bíblia. Como Habacuque, devemos esperar em fé até o momento em que o mundo “se encherá do conhecimento da glória do Senhor, como as águas cobrem o mar”.


Domingo
Ano Bíblico: 2Cr 29–31


Profeta perplexo

1. Leia Habacuque 1. O que o profeta perguntou a Deus? Embora sua situação tenha sido diferente da nossa, quantas vezes fazemos esse tipo de perguntas?

Habacuque é único entre os profetas, porque ele não falou ao povo em nome de Deus, mas falou com Deus sobre o povo. Com um grito de espanto, o profeta começou sua luta para entender os propósitos de Deus: “Até quando, Senhor [...?]” Na Bíblia, essa pergunta é típica de uma lamentação (Sl 13:1; Jr 12:4). Ela implica uma situação de crise, da qual a pessoa procura libertação.

A crise sobre a qual Habacuque pediu ajuda era a violência que permeava a sociedade. Em hebraico, a palavra para “violência” é hamas, e é usada seis vezes no livro de Habacuque. O termo implica atos que prejudiquem as pessoas tanto física quanto moralmente (Gn 6:11).


Sendo profeta, Habacuque sabia bem o quanto Deus ama a justiça e odeia a opressão. Por isso, ele quis saber por que Deus permitia que a injustiça continuasse. Por toda parte ele percebia violência e transgressão da lei, e parecia que os perversos triunfavam sobre os justos. A justiça estava sendo pervertida pelos poderosos, como ocorreu no tempo de Amós (Am 2:6-8), e como ocorre com tanta frequência hoje.


A resposta de Deus revelou Seus planos futuros. O Senhor usaria o exército de Babilônia para punir o povo. Esse anúncio surpreendeu o profeta. Ele não esperava que Deus usasse um exército tão cruel para disciplinar Judá. Em Habacuque 1:8, a cavalaria babilônica é comparada a leopardos, lobos e águia, três predadores cuja velocidade e poder trazem morte violenta às suas presas.


A arrogância implacável de Babilônia não reconhece nenhuma responsabilidade, não busca arrependimento e não oferece reparações. Ela transgride a ordem mais fundamental da vida criada. Habacuque foi informado de que o exército de Babilônia seria usado como uma vara da ira divina (compare com Is 10:5). A punição ocorreria durante a vida de Habacuque (Hc 1:5). Toda essa situação levanta perguntas ainda mais difíceis sobre a justiça divina.

Como podemos aprender a confiar na bondade e justiça de Deus, quando o mundo parece tão cheio de maldade e injustiça? Qual é o nosso único recurso?


Segunda
Ano Bíblico: 2Cr 32, 33 


Vivendo pela fé

Em Habacuque 1:12-17, a resposta de Deus às perguntas do profeta levanta uma questão ainda mais inquietante: Um Deus justo pode usar o ímpio para punir os que são mais justos do que eles? A pergunta de Habacuque no verso 17 tinha a ver com a justiça divina.


Habacuque estava confuso, não apenas pela degeneração de seu próprio povo, mas também pela certeza de que seu povo seria julgado por outro povo, pior que ele. O profeta estava bem ciente dos pecados de Judá, mas sabia que os justos do seu povo não podiam ser comparados com os pagãos babilônios.

2. Leia Habacuque 2:2-4. Que esperança é apresentada ali?

Habacuque 2:2-4 é uma das passagens mais importantes da Bíblia. O verso 4, em especial, expressa a essência do evangelho, o fundamento do verso que começou a Reforma Protestante. Pela fé em Jesus Cristo, recebemos a justiça de Deus. Essa justiça divina é creditada a nós e se torna nossa. Isso é conhecido como justificação pela fé.

3. O texto de Habacuque 2:4 é um resumo do caminho da salvação e do ensino bíblico sobre a justificação pela fé. Como os escritores do Novo Testamento usam esse verso? Rm 1:17; Gl 3:11; Hb 10:38

Em meio a todo esse tumulto e perguntas sobre o mal, a justiça e a salvação, Habacuque 2:4 apresenta forte contraste entre o fiel e o soberbo. A conduta de cada grupo determina seu destino: os arrogantes fracassarão enquanto os justos viverão pela fé. A palavra hebraica para fé (‘emuna) é melhor traduzida como “fidelidade”, “constância” e “confiabilidade”. Embora aquele que vive pela fé não seja salvo por suas obras, seus atos mostram que ele vive pela fé. Sua fé é revelada em obras e, assim, a vida eterna é prometida a essa pessoa.

Terça
Ano Bíblico: 2Cr 34–36 


A Terra se encherá (Habacuque 2)

O capítulo 2 de Habacuque traz a resposta de Deus à pergunta do profeta em Habacuque 1:17. Depois dessa resposta, temos um cântico que zomba do opressor orgulhoso. Nada menos que cinco ais (Hc 2:6, 9, 12, 15, 19) afirmam a mensagem de que a destruição de Babilônia está selada. A punição do inimigo estaria de acordo com o princípio “medida por medida”. O que os ímpios fizessem às suas vítimas seria, no fim, feito a eles. Colheriam o que houvessem semeado, porque Deus não pode ser zombado pelos orgulhosos seres humanos (Gl 6:7).


Em contraste com o opressor que seria julgado por Deus, o justo tinha a promessa da vida eterna em Cristo, independentemente do que acontecesse com eles nesta vida. Ao descrever o remanescente fiel no tempo do fim, o livro do Apocalipse apresenta a expressão “a paciência dos santos” (Ap 14:12, RC). Na verdade, os justos são persistentes na espera pela intervenção divina, mesmo que a vejam somente na segunda vinda de Cristo.

4. Leia Hebreus 11:1-13. Como esses versos nos ajudam em nossa luta com as mesmas questões com as quais Habacuque lutou?

A resposta final de Deus às perguntas de Habacuque foi a afirmação de Sua presença permanente. Certeza da presença de Deus e confiança em Seu juízo. Apesar das aparências em contrário, essa é a mensagem do livro de Habacuque, bem como de toda a revelação bíblica. Fé profética é confiança no Senhor e em Seu caráter imutável.


“A fé que fortaleceu Habacuque e todos os santos e justos naqueles dias de grande provação, é a mesma que sustém o povo de Deus hoje. Nas horas mais escuras, sob as mais proibitivas circunstâncias, o cristão fiel pode firmar-se sobre a fonte de toda luz e poder. Dia a dia, pela fé em Deus, sua esperança e ânimo podem ser renovados” (Ellen G. White, Profetas e Reis, p. 386, 387).


Quarta
Ano Bíblico: Ed 1–3


Lembrando a glória divina

5. Leia Habacuque 3. O que o profeta estava fazendo ali, e por que isso é tão importante, especialmente levando em conta as circunstâncias e perguntas difíceis que ele estava enfrentando?

Habacuque expressou sua aceitação dos caminhos de Deus em uma oração cantada (Hc 3:19). Tendo plena consciência do poder de Deus, ele pediu que o Senhor Se lembrasse de Sua misericórdia quando o juízo começasse. O profeta lembrou reverentemente os relatos dos grandes atos de Deus no passado e orou para que Ele trouxesse redenção em seus dias. Parecia que ele estava entre dois tempos. Com um olho olhava para trás, para o evento do Êxodo, enquanto com o outro, olhava adiante, para o dia do Senhor. Ele esperava uma revelação do poder de Deus em sua situação atual.


O hino do capítulo 3 descreve poeticamente a libertação de Israel da escravidão egípcia. O que havia acontecido na época do Êxodo era um prenúncio do grande dia do juízo. O piedoso não devia ficar ansioso a respeito do dia do Senhor, mas devia esperar, perseverar e se alegrar na esperança que lhe pertencia.


O hino era também uma celebração do poder, glória e natureza vitoriosa de Deus. O Senhor é descrito como soberano sobre toda a Terra. A revelação de Sua glória é comparável ao esplendor do nascer do Sol (Hc 3:4).


Deus julga as nações opressoras. No entanto, ao mesmo tempo, Ele operou a redenção do Seu povo em Seus “carros de vitória” (Hc 3:8). O poder de Deus nem sempre é visível superficialmente, mas a pessoa de fé sabe que Deus está ali, não importa o que aconteça.


Habacuque nos convida a olhar com expectativa para a salvação do Senhor, quando Ele estabelecerá Sua justiça sobre a Terra e encherá o mundo com Sua glória. Ao cantar louvores ao Senhor, o povo de Deus encoraja uns aos outros a meditar sobre os atos passados de Deus e sobre a esperança para o futuro glorioso (Ef 5:19, 20; Cl 3:16). O próprio exemplo de Habacuque demonstra como se pode perseverar ao viver tendo essa visão da salvação.

Pense na liderança do Senhor sobre sua vida no passado. Isso o ajuda a confiar mais nEle e em Sua bondade, não importando o que o futuro trará? Por que é sempre tão importante olhar para o futuro final e eterno que nos espera?


Quinta
Ano Bíblico: Ed 4–6


Deus é nossa força

Ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na vide; o produto da oliveira minta, e os campos não produzam mantimento; [...] todavia, eu me alegro no Senhor, exulto no Deus da minha salvação. O Senhor Deus é a minha fortaleza, e faz os meus pés como os da corça, e me faz andar altaneiramente” (Hc 3:17-19).

6. O que há de bom na atitude do profeta em Habacuque 3:17-19? Como podemos cultivar tal atitude? Compare com Fp 4:11

As palavras finais do livro de Habacuque (Hc 3:16-19) trazem a resposta do profeta à revelação do poder e da bondade de Deus. Um novo olhar sobre os atos salvadores de Deus despertou a coragem de Habacuque, enquanto ele esperava o ataque do inimigo. O medo agitou seu íntimo enquanto ele esperava que o juízo divino caísse sobre sua nação. A invasão poderia resultar na devastação das figueiras e oliveiras, tão valorizadas na Palestina, juntamente com as videiras, cereais e o gado, igualmente necessários. Mas a fé firme do profeta permanecia intocada, porque ele tinha uma visão do Senhor vivo.


Com base em suas experiências passadas, Habacuque conhecia a fidelidade absoluta de Deus. Foi por isso que ele se submeteu aos propósitos de Deus naquela ocasião (Hc 3:16-19). Apesar de todas as circunstâncias desfavoráveis, o profeta estava determinado a colocar sua confiança no Senhor e na Sua bondade, não importando se sua situação parecesse desesperadora.
Habacuque esperava com firme confiança, mesmo que não houvesse sinais imediatos de salvação. Ele foi um profeta que, por meio do diálogo, insultos e hino de louvor, tem instruído os fiéis ao longo dos séculos a desenvolver uma fé mais profunda e viva no Redentor. Por seu exemplo, ele incentiva o piedoso cristão a dialogar com Deus, a colocar à prova sua fidelidade a Ele em tempos difíceis, a desenvolver esperança no Senhor e a louvá-Lo.



Habacuque encerrou seu livro com uma atitude de fé expressa de modo muito bonito: Independentemente de como a vida pudesse se tornar difícil, seria possível encontrar alegria e força em Deus. A mensagem essencial de seu livro aponta para a necessidade de esperar pacientemente a salvação divina em um período de opressão, mesmo que pareça não ter fim. “Esperar no Senhor” é o tema que domina o livro de Habacuque. Esse tema teria relevância especial para nós, adventistas do sétimo dia que, como nosso nome diz, temos fé na segunda vinda de Jesus?


Sexta
Ano Bíblico: Ed 7–10


Estudo adicional

Há uma resposta à pergunta de Habacuque, não em termos de pensamento, mas de eventos. A resposta de Deus acontecerá, mas não pode ser expressa em palavras. A resposta certamente virá. ‘Ainda que demore, espere-a’ (Hc 2:3, NVI). É verdade, é difícil suportar o tempo. O justo fica horrorizado com o que vê. Para isso, a grande resposta é dada: ‘O justo viverá pela sua fé’ (Hc 2:4). Mais uma vez, é uma resposta não em termos de pensamento, mas de existência. A fé profética é confiança nAquele em cuja presença a tranquilidade é uma forma de entendimento” (Abraham J. Heschel, The Prophets [Os Profetas], p. 143).


“A firme palavra da profecia encontrará seu final cumprimento no glorioso advento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, como Rei dos reis e Senhor dos senhores. O tempo de espera pode parecer longo, o coração pode ser oprimido por circunstâncias desanimadoras, muitos daqueles em quem confiamos podem cair ao longo do caminho; mas, a exemplo do profeta que procurou encorajar Judá em tempo de apostasia sem precedente, confiantemente declaremos: ‘O Senhor está no Seu santo templo; cale-se diante dEle toda a Terra’” (Hc 2:20, RC; Ellen G. White, Profetas e Reis, p. 387, 388).


Como os comentários acima nos ajudam a compreender melhor as mensagens de Habacuque?
Perguntas para reflexão

1. Resuma o diálogo de Habacuque com Deus. Qual foi sua queixa básica? Como ele reagiu às respostas divinas?


2. Será que, aos olhos de Deus, perguntas honestas e até dúvidas são atitude religiosa mais aceitável do que a mera crença superficial?


3. Os adventistas do sétimo dia de gerações passadas acreditavam que Cristo voltaria em seu tempo e que eles veriam o cumprimento final de todas essas promessas maravilhosas. Como podemos aprender a manter a fé enquanto aguardamos a vinda de Jesus em nossa geração?

Respostas sugestivas: 1. Habacuque perguntou a Deus até quando a violência e a injustiça, causadas pelo povo de Deus e pelos seus inimigos, dominariam a terra. Até quando Deus toleraria a opressão? 2. A esperança trazida pela visão sobre a restauração que ocorrerá no tempo do fim. Os justos viverão pela fé, esperando o cumprimento dessa visão. 3. Paulo afirmou que o evangelho revela a justiça divina de fé em fé, de acordo com Habacuque, que ninguém será justificado pela lei diante de Deus e que os justos não retrocedem no caminho da fé. Por isso agradam ao Senhor. 4. Pela fé podemos ter certeza do futuro, ver o invisível e entender que Deus é o Criador; Abel, Enoque, Noé, Abraão e Sara aceitaram o chamado de Deus, seguiram o caminho da fé e justiça e enfrentaram dificuldades. 5. Entoando um cântico, no qual expressou sua angústia, orou a Deus suplicando ajuda, descreveu a atuação de Deus como Guerreiro e louvou ao Senhor por Sua atuação contra os inimigos de Seu povo e pela salvação de Seus fiéis. 6. Diante da crise do momento, o profeta demonstrou confiança e alegria por causa da obra de Deus em favor de Seus servos e da Sua salvação. Habacuque aprendeu e decidiu estar contente em toda e qualquer circunstância.


ESCOLA SABATINA


Texto-chave: Habacuque 2:14

O aluno deverá...



Saber: Que é bom levar a Deus nossas perguntas inquietantes porque, ao discutirmos com o Senhor, aprendemos Suas lições.

Sentir: Conforto em saber que, embora possamos ficar desencorajados ao olharmos ao nosso redor, temos esperança quando olhamos para cima.



Fazer: Aprender a apresentar a Deus honestamente nossas perguntas inquietantes, nossos argumentos e queixas. Dessa forma, Ele pode mudar nossos sentimentos, pensamentos e atitudes.



Esboço



I. Saber: Deus acolhe nossas queixas



A. Por que é tão importante para nós, assim como foi para os autores bíblicos, falar com Deus aberta, honesta e sinceramente?



B. Por que é tão difícil esperar pela justiça de Deus?



C. É útil compartilhar nossas queixas com outros, ou é melhor compartilhá-las apenas com Deus?


II. Sentir: Confiança no Senhor em tempos de demora

A. Como a confiança no Senhor nos fortalece e edifica?



B. Por que é tão importante proteger os justos?



C. Como podemos evitar o sentimento de desânimo quando o Senhor demora em responder às nossas perguntas?

III. Fazer: Orações abertas e honestas



A. Por que devemos falar com Deus sobre nossos sentimentos de frustração e apresentar a Ele nossas perguntas inquietantes?



B. Como você pode ajudar alguém a ser aberto com Deus?



C. Como você pode ajudar um cristão hesitante a conviver com perguntas sem respostas?

Resumo: A justiça é um ingrediente importante na vida e deve ser sempre equilibrada com amor. Unicamente um conhecimento verdadeiro dos propósitos de Deus revelados em Sua Palavra pode nos ajudar a confiar nEle, apesar das tragédias e demora para obter respostas.


Ciclo do Aprendizado

Motivação

Focalizando a Palavra: Habacuque 3:17, 18


A exemplo de Habacuque, vivemos em um mundo arruinado, de dor e injustiça, que suscita o questionamento não apenas da existência de Deus, mas sobre quem Ele é e como é. Habacuque 3:17, 18 resume o conflito do profeta. Em resultado de seu diálogo com Deus, ele foi inspirado a olhar além das condições então prevalecentes e reafirmar sua fé na bondade de Deus.


Só para o professor: Use uma das seguintes atividades de abertura para estudar as maneiras pelas quais o livro de Habacuque representa o ciclo de “fé-dúvida-fé renovada”, nas circunstâncias em que parece impossível conciliar nossa experiência com nossas crenças espirituais.


Perguntas para discussão:



1. Comente com a classe as semelhanças e diferenças entre a história de Habacuque e a história de Jó. De que forma essas histórias nos ajudam a descobrir a melhor maneira de lidar com questões difíceis, quando enfrentamos injustiça e especialmente sofrimento?



2. Compartilhe exemplos pessoais de crises espirituais que nos ajudam a compreender de modo mais amplo o estudo desta semana.

Compreensão

Só para o professor: Ao considerar o conteúdo e estrutura do estudo desta semana, os seguintes elementos no relato bíblico podem ser pontos de partida úteis para aprofundar a compreensão da história de Habacuque.


Escola Sabatina - Comentário Bíblico


I. O livro de Habacuque: pano de fundo e estrutura
(Recapitule com a classe Habacuque 1:2-4.)


O livro de Habacuque pertence a uma época turbulenta na história do povo judeu, durante a qual o equilíbrio de poder estava mudando dos assírios para os babilônios. O domínio da Assíria chegou ao fim com a destruição de sua capital, Nínive, pelos invasores babilônios em 612 a.C. Menos de vinte anos depois que Habacuque escreveu seu livro, os babilônios também destruíram Jerusalém e levaram os principais cidadãos de Judá em cativeiro;


Foi nesse contexto, e tendo essa situação como pano de fundo, que Habacuque clamou a Deus, de acordo com a seguinte estrutura da narrativa:


Primeira queixa de Habacuque: Por que o mal em Judá ficava impune? (Hc 1:2-4).


Resposta de Deus: Os babilônios punirão Judá (Hc 1:5-11).


Segunda queixa de Habacuque: Como um Deus justo pode usar a perversa Babilônia para punir um povo mais justo do que ela? (Hc 1:12, 13; 2:1).


Resposta de Deus: Babilônia será punida, e a fé será recompensada (Hc 2:2-20).


Oração de Habacuque: Depois de pedir manifestações da ira e misericórdia de Deus (como havia visto no passado), ele termina com uma declaração de confiança e alegria em Deus (Hc 3; http://www.biblestudytools.com/Habakkuk/).
Embora muito condensada, a história de Habacuque ensina pelo menos três verdades vitais. Primeira, a história revela que lutar com a dúvida pode ser parte da experiência cristã. Segunda, demonstra a abertura de Deus ao questionamento de Habacuque (e ao nosso também). E, finalmente, a própria estrutura da história é um modelo das formas pelas quais os cristãos podem aprofundar a fé em momentos de dúvida.



Pense nisto: Qual é o pano de fundo do livro de Habacuque, e como essa estrutura serviu para enquadrar e dar forma às suas perguntas e conflitos? Como a luta de Habacuque, por sua vez, criou a moldura ou estrutura para a narrativa de seu livro? Quais são as três verdades vitais ensinadas pela história de Habacuque?

II. A importância da queixa de Habacuque e da resposta de Deus

(Recapitule com a classe Hc 1:1-4.)


Certamente, há algo universal nas queixas de Habacuque: o fato de que a injustiça se alastra no mundo. Hoje, mais do que nunca, os justos são cercados pelos ímpios, a lei é impotente e Deus parece não Se importar com o sofrimento de Seu povo (Hc 1:1-4).

Habacuque perguntou por que Deus permitia que essas coisas acontecessem.

Parece que Habacuque viveu em 2013, não é mesmo?


Muitos de nós olhamos para o mundo ou para nossa vida e aparentemente vemos ausência de Deus e Sua justiça. Como a história de Habacuque revela, não apenas devemos levar a Deus nossos dilemas e questões, mas, ao fazer isso, o próprio caráter de Deus é revelado. O fato de que Deus permite o questionamento de Si mesmo por um de Seus seguidores oferece uma informação valiosa sobre Sua natureza. Deus é sensível, acolhe as perguntas e está disposto e apto para prover respostas, mesmo quando essas respostas sejam difíceis de dar (por exemplo, Ele disse a Habacuque que a justiça que Ele buscava podia demorar um pouco para chegar).


O conteúdo da resposta divina a Habacuque também contém a seguinte mensagem espiritual duradoura: Deus reafirma Seus princípios de justiça. Ele revela que, embora Seu tempo para executar a justiça possa não se encaixar em nosso cronograma, esse tempo é perfeito.


A sequência de “dúvida/questionamento/compromisso com Deus” na história de Habacuque é completada pela aceitação final da fidelidade e bondade de Deus. O triunfo de sua fé, ainda que as condições ao redor dele não tivessem mudado, fala da promessa de que Deus dará compreensão e respostas suficientes para nossa necessidade. Além disso, ele traz uma lição importante, que é a de estar aberto para as respostas que estão fora da nossa expectativa.


Pense nisto: Que verdade sobre Deus as perguntas de Habacuque revelam?

Aplicação

Só para o professor: Apresente aos alunos as perguntas para reflexão a seguir. O objetivo dessas perguntas será encontrar maneiras práticas de incorporar as verdades de Habacuque na vida individual e comunitária dos cristãos.



COMENTÁRIO



Luiz Gustavo S. Assis é formado em teologia pelo Unasp Campus 2 e atualmente exerce a função de pastor distrital no bairro Sarandi, na Zona Norte de Porto Alegre, RS.

Ampliação

Confiando na bondade de Deus (Habacuque)


Habacuque pode não ser seu livro bíblico favorito e pode ser que você demore para encontrá-lo em sua Bíblia. Mas eu diria que os três capítulos que o compõem são profundamente atuais em nosso relacionamento com Deus. É impossível não se identificar com os questionamentos e afirmações do profeta. É difícil não ficar confuso com o silêncio de Deus diante dos clamores do Seu porta-voz. Como confiar na bondade de Deus quando Ele não Se manifesta e as coisas vão de mal a pior? 

Conhecendo o livro


Diferente de Oseias e Amós, Habacuque não menciona nenhum rei que possa facilitar a datação de sua obra. Como no caso de Joel e Obadias, temos que reunir informações que nos ajudem a identificar o período em que o profeta atuou e escreveu. Por isso, apresento a seguir duas informações úteis para esse propósito:


Caldeus: Em 1:6, os caldeus são mencionados. Ora, os caldeus são os conhecidos babilônios dos livros de Jeremias e Daniel. Quando o reino de Israel foi destruído em 722 a.C., Babilônia não figurava entre as potências da Mesopotâmia. A Assíria era a grande potência daquela região geográfica. Mas um rival começou a despontar no horizonte do antigo oriente médio. Seu nome era Nabopolasar. Ele conseguiu reunir um exército de babilônios e outros povos mercenários e em 612 a.C. conquistou e destruiu Nínive, a capital do enfraquecido império assírio. Veremos isso com mais detalhes quando estudarmos o profeta Naum, na próxima semana. O foco de Nabopolasar se voltou para o sul, para o Egito, outro possível rival, para estabelecer a hegemonia do império neo-babilônico. Em 605 a.C., numa batalha realizada em Carquemis, cidade localizada entre a atual Turquia e a Síria, os egípcios foram derrotados. Mas na ocasião, quem liderou o exército de Babilônia foi um jovem príncipe chamado nos tabletes cuneiformes de Nabu-kudurri-usur. Nós o conhecemos como Nabucodonosor! Foi diante dessa assustadora ameaça que Habacuque escreveu seu livro.



(Fonte: scriptures.lds.org)





(Imagem de Nabucodonosor e uma inscrição de seu nome. Fonte: Wikpedia)



O nome do profeta: O nome Habacuque está relacionado com a palavra babilônica habbaququ, termo que pode significar tanto a planta como a fruta de uma árvore. Até agora, os nomes dos profetas estudados (Oseias, Joel, Amós, Obadias, Jonas, Miqueias) são claramente hebraicos com um significado religioso. Porém, Habacuque foge à regra. Se você está bem lembrado, Daniel e seus três companheiros tiveram seus nomes hebreus mudados para nomes babilônicos (cf. Dn 1:6-7). Será que Habacuque não seria o nome babilônico de outro jovem hebreu levado por Nabucodonosor para Babilônia? É difícil afirmar algo assim, mas é, no mínimo, intrigante. Apesar de não ter sido tão expressivo como o ministério do profeta Daniel, Habacuque estava sendo usado pelo mesmo Deus, na mesma época!

A mensagem de Habacuque


A seguir você pode conferir uma estrutura básica da obra de Habacuque:

I. Primeiro questionamento de Habacuque (1:1-4)
II. A resposta de Deus (1:5-11)
III. Segundo questionamento de Habacuque (1:12–2:1)
IV. A resposta de Deus (2:2-20)
V. Oração de Habacuque

Dois temas se destacam ao longo dos três capítulos:


Justiça: Habacuque afirma que Deus é santo e justo (1:12-13; 3:3), nunca indiferente ao pecado e à injustiça. Ele punirá o ímpio (1:5-11; 2:2-20), tanto é que já fixou um tempo específico (2:3) na história para revelar Sua justiça e julgamento contra o mal. Através de sua obra, ele informa aos fiéis de cada geração que uma triste realidade nunca deve ser tomada como verdadeira e definitiva. Por mais que isso demore para mudar, Habacuque afirma que Deus vindicará o justo.


: Fé é necessária para suportar a injustiça (2:4). Mesmo quando a vida parece confusa, o povo de Deus deve esperar pacientemente o livramento, crendo que Ele colocará tudo em ordem (2:3). Assim como Abraão esperou pacientemente pelo cumprimento da promessa divina (Hb 6:13-15), e como Habacuque e o remanescente fiel deviam esperar a justa resposta do Senhor (2:3; 3:16), da mesma forma os fiéis de todas as épocas devem esperar com fé pelo cumprimento dos propósitos de Deus (Rm 1:17; 5:1-2). Na verdade, fé não é um mero sentimento nem um posicionamento intelectual. O vocábulo hebraico para fé é ‘emunah, que carrega em si a ideia de firmeza. Não se trata de pensamento positivo, mas de uma vida que é depositada nas mãos do Senhor, diariamente, e esperando somente nEle por soluções.

A relevância da mensagem de Habacuque


O problema do sofrimento:


Habacuque estava perplexo com o silêncio de Deus diante da violência, da maldade e da injustiça (1:1-4). Somos confrontados diariamente com essas realidades e muitas vezes temos que conviver com o mesmo silêncio da parte de Deus. Como mencionei no comentário da lição de Joel, esse é um tópico extremamente delicado, um dos questionamentos mais intimidadores para o cristão atual. Afinal, se Deus existe, por que Ele não evita o mal? Por que não impede a violência? Por que Se cala diante da injustiça? Algumas respostas prontas para esses questionamentos não satisfazem a dor de uma mãe que tenta desesperadamente superar a perda do filho, ainda pequeno.


Você já deve ter ouvido falar de C. S. Lewis, alguém que voltou a aceitar a fé cristã após experimentar o vazio do ateísmo e do panteísmo. Um de seus principais livros tem por título O Problema do Sofrimento (Vida, 2009), onde ele afirma: “Deus sussurra aos nossos ouvidos por meio de nosso prazer, fala-nos mediante nossa consciência, mas clama em alta voz por intermédio de nossa dor. Ela é seu megafone para despertar o homem surdo.”


Creio que essa informação tenha suporte bíblico, como pode ser visto na história de Manassés, em 2 Crônicas 33. Esse rei de Judá estava ensurdecido pelo pecado. O verso 10 diz que Deus falou a ele e ao seu povo, mas eles “não Lhe deram ouvidos”. O verbo hebraico empregado ali é qashab, que tem o sentido de estar com os ouvidos tapados. Como Deus conseguiria falar ao coração de Manassés? Foi somente quando esse rei estava como prisioneiro em uma das celas do complexo penitenciário da antiga Nínive, que ele “reconheceu que o Senhor era Deus” (v. 13) O sofrimento acaba sendo uma inesperada medida divina para nos tornar sensíveis à Sua voz.


Olhando para os dias do profeta Habacuque, é notório que o reino de Judá estava cada vez mais anestesiado pelo pecado. Dê uma rápida lida em alguns capítulos do livro de Ezequiel (especialmente o 16 e o 23) para obter uma noção do comportamento do povo de Jerusalém. Sem dúvida, são alguns dos discursos mais severos de Deus sobre a nação. Diante de circunstâncias como essas, como acordá-los? Como fazê-los ouvir a voz de Deus? Através da dor e dor sofrimento. Será que conosco poderia ser diferente?

A inutilidade dos ídolos (Hb 2:18-20)


Após apresentar suas queixas diante de Deus, Habacuque finalmente teve uma resposta do Senhor. A última parte desse discurso aparentemente foge completamente dos questionamentos que o profeta havia levantado. O que os ídolos tinham a ver com o caos nacional provocado pelo exército babilônio? Na Bíblia, a essência da idolatria é depositar confiança em algo feito pelas mãos humanas, em lugar de colocá-la em Deus. Esse era um perigo nos dias do profeta e também para nós.


Há alguns anos, ouvi a emocionante história de um cristão que morava na cidade de Chicago, na década de 1860. Seu nome era Horatio Spafford. Ele perdeu tragicamente suas quatro filhas em um naufrágio. “Salva sozinha” foram as palavras de abertura do telegrama de sua esposa enviado da Inglaterra dando a trágica notícia. Em determinado momento da viagem para encontrar a esposa, Spafford foi avisado que o local em que eles estavam passando era exatamente o mesmo do trágico incidente. Imagino uma tempestade de sentimentos invadindo a mente desse homem. Mas diante de tamanha dor, suas mãos conseguiram reunir forças para escrever as palavras do hino It’s Well With My Soul, traduzido em nosso hinário como “Sou Feliz com Jesus” (HA, 230), uma canção que tem fortalecido a fé de milhares de cristãos ao redor do mundo. Esse é o sentimento de alguém que reconhece a inutilidade dos artifícios humanos para explicar a dor e o sofrimento e consegue encontrar calma somente na pessoa do Filho de Deus. Por mais que não percebamos, nosso Senhor Se apresenta como o soberano Rei assentado em Seu trono e diante de quem toda a Terra deve ficar em silêncio (2:20). Nas palavras de Ravi Zacharias, “tempo é um pincel com o qual Deus pinta Sua obra-prima”. As perplexidades de hoje farão sentido no amanhã.


Futuro com esperança: (3:17-20)

Sem dúvida, esta é uma das mais belas passagens bíblicas. Gosto da maneira pela qual a Nova Versão Internacional apresenta esse texto. “Mesmo não florescendo a figueira, não havendo uvas nas videiras; mesmo falhando a safra de azeitonas, não havendo produção de alimento nas lavouras, nem ovelhas no curral nem bois nos estábulos, ainda assim eu exultarei no Senhor e me alegrarei no Deus da minha salvação. O Senhor, o Soberano, é a minha força; Ele faz os meus pés como os do cervo; Ele me habilita a andar em lugares altos.” Mesmo sabendo qual seria o resultado final das investidas de Nabucodonosor contra Judá, Habacuque estava convicto de que a forma enigmática de Deus trabalhar é melhor do que a descrença em Seu caráter.


A parte final do verso, em minha opinião, é significativa: “Ele me habilita a andar em lugares altos”. Já pude experimentar esse sentimento de andar em lugares altos. Minha esposa e eu desfrutamos de alguns instantes o sublime sentimento de estar a quase quatro mil metros de altitude em Chamonix Mont Blanc, na França. É uma sensação difícil de ser esquecida. Não existem obstáculos para a visão. O horizonte se torna mais amplo e o silêncio é ensurdecedor!


Esse texto de Habacuque esteve em minha mente durante todos os dias que ali estive. E creio que existe uma lição importante para transmitirmos aos alunos das nossas unidades. Em nossa caminhada com Deus, podemos andar num vale em que nossa visão seja prejudicada. Nada tem sentido e é fácil perdermos o rumo. Em contrapartida, as últimas palavras do profeta demonstram um interesse divino em nos proporcionar uma visão privilegiada dos acontecimentos desta vida. Um futuro com esperança. Esperança que não pode ser encontrada em artifícios humanos, mas somente em um relacionamento com nosso soberano Senhor. Quando nos relacionamos com Ele, é mais do que natural termos essa mudança de perspectiva. Como disse o grande evangelista britânico do século passado, G. Campbell Morgan, “nossa alegria é proporcional à nossa confiança e nossa confiança é proporcional ao nosso conhecimento de Deus”. Somente assim conseguiremos confiar em Sua bondade. Que bela mensagem é a do profeta Habacuque!

Ignace J. Gelb, Thorkild  Jacobsen, Benno Landsberger, A. Leo Oppenheim, The Assyrian Dictionary of the Oriental Institute of the University of Chicago, (Chicago: Oriental Institute, 1956), p. 13.

Vídeos

Introdução - Esboço da Lição “Busque ao Senhor e Viva” (aqui).

Esboço da Lição 8 - Confiando na bondade de Deus (Habacuque) (aqui). 



segunda-feira, 13 de maio de 2013

ES - Lição 7 - O povo especial de Deus (Miqueias) – 2º Trim, 2013










Lição 7 - O povo especial de Deus (Miqueias)


11 a 18 de maio






Sábado à tarde     Ano Bíblico: 2Cr 5–7 


VERSO PARA MEMORIZAR:


“Ele te declarou, ó homem, o que é bom e que é o que o Senhor pede de ti: que pratiques a justiça, e ames a misericórdia, e andes humildemente com o teu Deus” (Mq 6:8).


Leituras da Semana:

Pensamento-chave: Mesmo em meio à pior apostasia, o Senhor estava disposto a perdoar e curar Seu povo.

O profeta Miqueias ministrou em um dos mais obscuros períodos da história de Israel. Havia muito tempo que o país tinha sido dividido em dois reinos. Finalmente, a Assíria pôs fim ao reino do norte, e Miqueias notava o mal e a violência invadindo Judá, no sul. Ele pregou contra os pecados mortais da desonestidade, injustiça, suborno e desconfiança. Miqueias foi o primeiro profeta bíblico a prever a destruição de Jerusalém (Mq 3:12).



No entanto, por inspiração divina, o profeta viu luz nesse tempo de escuridão. Com a ajuda da perspectiva de Deus, ele olhou além do castigo iminente. Miqueias proferiu palavras de encorajamento e declarou que o Líder ungido do Senhor viria de Belém. O Messias seria o líder que salvaria Israel e falaria de paz às nações, ensinando-as a converter “suas espadas em relhas de arado” (Mq 4:3). A repreensão divina seria o canal de restauração e bênçãos supremas.


Domingo   Ano Bíblico: 2Cr 8, 9 

A agonia do profeta

Em Miqueias 1:1-9, o profeta convida toda a Terra a testemunhar o juízo de Deus contra os pecadores. As cidades capitais de Samaria e de Jerusalém são apontadas porque seus líderes não foram exemplos do que significa seguir a Deus de todo o coração. Essas duas cidades seriam as primeiras a sofrer a destruição.


O pensamento do juízo destrutivo produziu verdadeira tensão na vida de Miqueias. Visto que seu chamado profético o uniu ao propósito de Deus, ele não tinha escolha, senão anunciar o que estava por vir no futuro próximo. Mas o profeta também amava o povo ao qual ele pertencia e a ideia de seu cativeiro o levou a lamentar. Muitas vezes, uma notícia má tinha o efeito mais devastador sobre a mente e o corpo do profeta do que sobre os destinatários.


1. O que os textos a seguir ensinam sobre a difícil condição dos profetas? Nm 11:10-15; 1Rs 19:1-4; Jr 8:21–9:2; Ez 24:15-18; 2Co 11:23-27

Os profetas de Deus ficavam muito envolvidos nas mensagens que anunciavam. Eles não gostavam de falar sobre as coisas terríveis que aconteceriam. Muitas vezes, usavam lamentações para expressar suas reações aos desastres iminentes. A dor deles era real. Para os ouvintes, a mensagem estava contida tanto nas palavras proféticas quanto nos sinais externos, que muitas vezes revelavam uma dor profunda que provinha do coração. A reação de Miqueias ao juízo divino nos faz lembrar de Isaías, que por três anos andou seminu e descalço, como sinal visível da vergonha que o cativeiro traria. Podemos pesquisar também sobre o grande sofrimento que Ellen G. White suportou em seu ministério. Isso nos ajudará a entender melhor o que os servos de Deus tiveram que enfrentar.

Leia 1 Pedro 4:14-16. Depois considere a si mesmo e as provas pelas quais está passando. Quanto sofrimento tem ocorrido por causa de sua fidelidade a Deus? Você tem sofrido devido à infidelidade?




Segunda      Ano Bíblico: 2Cr 10–13 


Aquele que trama iniquidade

2. Quais são os pecados que ameaçam trazer juízo sobre as pessoas? Mq 2:1-11; Mq 3

A ascensão de Acaz ao trono pôs Isaías e seus associados face a face com circunstâncias mais aterradoras do que as que até então tiveram lugar no reino de Judá. Muitos que anteriormente haviam resistido às influências sedutoras de práticas idólatras estavam então sendo persuadidos a tomar parte na adoração de divindades pagãs. Príncipes em Israel se mostravam infiéis ao seu dever; falsos profetas se levantavam com mensagens que levavam ao extravio, e até alguns dos sacerdotes estavam ensinando por interesse. Mesmo assim os líderes em apostasia ainda conservavam as formas do culto divino e presumiam ser contados entre o povo de Deus.


“O profeta Miqueias, que durante esses tempos conturbados deu seu testemunho, declarou que os pecadores de Sião, ao mesmo tempo que afirmavam estar apoiados no Senhor, e que em blasfêmia se vangloriavam dizendo: ‘Não está o Senhor no meio de nós? Nenhum mal nos sobrevirá’, continuavam a edificar ‘a Sião com sangue, e a Jerusalém, com perversidade’” (Mq 3:11, 10; Ellen G. White, Profetas e Reis, p. 322).



Um dos problemas constantes que a nação hebraica enfrentava era o engano de que seu status especial como povo de Deus – seu conhecimento do verdadeiro Deus, ao contrário da tolice da idolatria pagã (Sl 115:4-9) – os tornava de alguma forma imunes à retribuição divina. A terrível verdade, porém, é que precisamente porque eles tinham um status especial diante de Deus, seriam considerados muito mais culpados por seus pecados. Como no livro de Deuteronômio, repetidamente o Senhor os advertiu de que todas as bênçãos, proteção e prosperidade que seriam deles eram condicionais à obediência aos Seus mandamentos, como é visto nesta advertência: “Tão somente guarda-te a ti mesmo e guarda bem a tua alma, que te não esqueças daquelas coisas que os teus olhos têm visto, e se não apartem do teu coração todos os dias da tua vida, e as farás saber a teus filhos e aos filhos de teus filhos” (Dt 4:9).


Tentamos enganar a nós mesmos quanto ao perigo de cometer o mesmo erro de Israel no passado? Pelo fato de possuirmos muita luz, pensamos que não podemos ser punidos?


Terça      Ano Bíblico: 2Cr 14–16 

O novo Rei de Belém

No livro de Miqueias, o humor muitas vezes muda drasticamente da tristeza para a esperança sublime. Essa esperança é vista em uma das mais famosas profecias messiânicas.

3. Quem foi mencionado em Miqueias 5:2? O que aprendemos sobre Ele nesse verso? Jo 1:1-3; 8:58; Cl 1:16, 17

De uma pequena cidade da Judeia viria Alguém da eternidade para ser governante em Israel. Miqueias 5:2 é um dos mais preciosos versos bíblicos, escrito para fortalecer a esperança do povo que aguardava ansiosamente o Líder ideal prometido pelos profetas. Seu governo conduziria a um tempo de força, justiça e paz (Mq 5:4-6).


Davi era natural de Belém, cidade também chamada de Efrata (Gn 35:19). A menção dessa cidade destaca a origem humilde tanto de Davi quanto de seu futuro sucessor, que seria o verdadeiro Pastor do povo (Mq 5:4). Na humilde cidade de Belém o profeta Samuel ungiu o filho mais novo de Jessé, Davi, que devia ser rei de Israel (1Sm 16:1-13; 17:12). Quando os sábios foram à procura do recémnascido “Rei dos judeus”, o rei Herodes perguntou aos especialistas nas Escrituras onde deveriam procurá-Lo (Mt 2:4-6). Eles mencionaram a ele essa passagem, que predizia que o Messias viria da pequena cidade de Belém.



Tão incompreensível como isso seja para nossa mente finita e caída, esse bebê era o Deus eterno, Criador dos céus e da Terra. “Desde os dias da eternidade o Senhor Jesus Cristo era um com o Pai” (Ellen G. White, O Desejado de Todas as Nações, p. 19). Por mais incrível que seja a ideia, esta é uma das verdades mais fundamentais do cristianismo: O Deus criador tomou sobre Si a humanidade e nessa humanidade Se ofereceu como sacrifício pelos nossos pecados. Se tomarmos tempo para pensar sobre o que isso nos ensina a respeito do valor de nossa vida e do que significamos para Deus, podemos ter uma experiência que transforma a vida. Quando tantas pessoas lutam para encontrar propósito e significado para sua existência, temos o fundamento da cruz, que não apenas nos firma no significado de nossa vida, mas também nos dá a esperança de algo maior do que aquilo que este mundo pode oferecer.


Quarta      Ano Bíblico: 2Cr 17–20 

O que é bom

No início de Miqueias 6, Deus dialogou com Seu povo, listando todas as coisas que tinha feito em seu favor. Em resposta, o adorador que ia ao templo perguntava o que ele podia fazer para agradar a Deus. O que constitui uma oferta aceitável: “bezerros de um ano”, milhares de carneiros”, “dez mil ribeiros de azeite?”, ou até mesmo o filho primogênito do adorador? Há uma constante progressão do tamanho e do valor das ofertas especificadas no texto.

4. Leia Miqueias 6:1-8. A verdade é apenas doutrina correta e compreensão detalhada da profecia, ou Deus espera algo mais? Mt 23:23

O profeta declarou que Deus já revelou o que Ele quer. Por meio dos ensinamentos de Moisés, o povo sabia o que Deus graciosamente tinha feito por ele (Dt 10:12, 13). A resposta de Miqueias não era uma nova revelação que sinalizava uma mudança nos requisitos de Deus. Sacrifícios e serviços sacerdotais não eram a primeira preocupação de Deus. O supremo desejo do Senhor era ter um povo que fosse justo para com seus semelhantes, com devoção constante e amor para com o Senhor. A oferta mais extravagante que as pessoas podem dar a Deus é a obediência.


Miqueias 6:8 é a mais sucinta declaração da vontade de Deus para Seu povo. O texto resume todos os ensinamentos proféticos sobre a verdadeira religião: uma vida que revele a justiça, misericórdia e intimidade com Deus. Justiça é algo que as pessoas fazem quando são movidas pelo Espírito Santo. Tem a ver com retidão e igualdade para todos, especialmente os fracos e impotentes que são explorados por outros. Bondade significa demonstrar amor, lealdade e fidelidade aos outros de modo livre e espontâneo. Andar com Deus significa colocá-Lo em primeiro lugar e viver em conformidade com Sua vontade.


Por que é mais fácil guardar o sábado estritamente do que praticar a justiça, amar a misericórdia e andar humildemente diante de Deus?

Quinta      Ano Bíblico: 2Cr 21–23 

Nas profundezas do mar

O livro de Miqueias começa com uma descrição dos juízos, mas termina com palavras de esperança. Há pessoas que tentam minimizar ou negar a realidade dos juízos de Deus. Fazer isso é cair na armadilha em que caíram os contemporâneos de Miqueias, que acreditavam que Deus nunca mandaria juízos sobre a nação escolhida.


A justiça de Deus é o outro lado do Seu amor e preocupação. A boa notícia apresentada por Miqueias é que a punição nunca é a última palavra de Deus. A ação divina nas Escrituras se move constantemente do juízo para o perdão, da punição para a graça e do sofrimento para a esperança.


5. Leia Miqueias 7:18-20. Como a esperança do evangelho é revelada nesses versos? Por que precisamos dela desesperadamente?

Os versos finais de Miqueias apresentam seu louvor cheio de esperança. A pergunta “Quem, ó Deus, é semelhante a Ti[...]”? Corresponde ao nome de Miqueias, que significa “Quem é como o Senhor?” Ela serve como lembrete da singularidade de Deus e afirma a verdade de que não há ninguém igual a Ele. Como poderia haver? Afinal, somente Ele é o Criador. Tudo o mais são criaturas. Ainda mais importante, nosso Criador é o Deus da graça, do perdão, um Deus que foi aos extremos mais inimagináveis possíveis a fim de nos salvar da destruição que seria, de modo justo, nossa recompensa. Ele teria feito isso pela nação hebraica e também fará o mesmo por nós.


É possível que sejamos rodeados por circunstâncias difíceis e experiências dolorosas que nos deixem perguntando por que Deus permite que tudo isso aconteça. Às vezes, é muito difícil entender as coisas. Em tais momentos, nossa esperança repousa apenas no Senhor, que promete lançar nossos pecados nas profundezas do mar. Há esperança para o futuro ao lembrar o que Deus fez no passado.


Considere sua vida com atenção. Por que sua única esperança está na promessa de que Deus lançará seus pecados “nas profundezas do mar”?


Sexta       Ano Bíblico: 2Cr 24, 25 

Estudo adicional

Se Jerusalém tivesse conhecimento do que era seu privilégio saber, e dado ouvidos à luz que o Céu lhe tinha enviado, poderia ter se destacado na alegria de sua prosperidade, tendo sido rainha de reinos, livre na força do poder dado por seu Deus. Não teria havido soldados armados às suas portas [...] O glorioso destino que felicitaria Jerusalém, houvesse ela aceitado o Redentor, surgiu aos olhos do Filho de Deus. Viu que, por meio dEle, ela poderia ter sido curada de sua grave enfermidade, libertada da escravidão e estabelecida como poderosa metrópole da Terra. De suas muralhas partiria a pomba da paz, em direção de todas as nações. Ela seria o diadema de glória do mundo” (Ellen G. White, O Desejado de Todas as Nações, p. 577).

Perguntas para reflexão

1. Se você quer entender em um contexto mais moderno o sofrimento que os profetas de Deus muitas vezes experimentaram, leia o livro Vida e Ensinos, de Ellen G. White. O que esse livro ensina sobre as lutas e provações que fiéis mensageiros de Deus podem enfrentar?


2. É tão fácil se envolver com as formas religiosas, tradições e rituais, os quais podem ser bons. Porém, o que acontece quando essas formas e rituais se tornam fins em si mesmos, em vez de nos conduzir para o que realmente significa ser um seguidor do Deus a quem adoramos com essas formas?



3. Pense mais na ideia da encarnação, o conceito de que o Deus criador tomou sobre Si a natureza humana. Como um teólogo medieval escreveu: “Retendo tudo o que Ele era, Cristo tomou sobre Si o que Ele não era”, isto é, a nossa humanidade. Pense sobre o que essa surpreendente verdade revela acerca do amor de Deus por nós. Por que essa verdade deve nos encher de esperança, gratidão e louvor, independentemente das circunstâncias?


Respostas sugestivas: 1. Moisés sofreu por causa das muitas reclamações de Israel no deserto; Elias foi ameaçado de morte por Jezabel; Jeremias lamentou o sofrimento e os pecados do povo; Ezequiel perdeu a esposa como sinal da tragédia que sobreviria a Israel; Paulo fez muitos sacrifícios para pregar o evangelho. 2. Planejar e executar o mal; ganância, desonestidade e violência; roubo; falsas profecias; odiar o bem e amar o mal; hipocrisia. 3. O Messias, eterno Rei de Israel, que nasceria em Belém para salvar a humanidade; Ele é o Criador e Redentor. 4. Deus espera que creiamos na verdadeira religião; mas além das formalidades religiosas, Ele espera que pratiquemos a justiça, amemos a misericórdia e andemos humildemente diante do Senhor. A religião exterior deve caminhar com a espiritualidade interior. 5. Deus perdoa nossos pecados e os esquece; em Sua misericórdia, Ele lançará nossas iniquidades nas profundezas do mar e manterá a fidelidade ao Seu povo. Sem o perdão de Deus, não temos esperança!


ESCOLA SABATINA






Texto-chave: Miqueias 6:8

O aluno deverá...

Conhecer: Que Deus revela o que é bom em Sua Palavra. Sua revelação nos dá a compreensão que não podemos obter de outra forma. Deus quer apenas o nosso melhor. Por isso, Ele nos dá instruções e leis.

Sentir: Desejo de estar perto do Senhor, de Seu caráter amoroso e desfrutar Sua presença.

Fazer: Passar tempo com Ele. Como resultado, Seu amor e bondade serão vistos em nosso caráter, enquanto agimos como o Senhor.

Esboço

I. Saber: Andar humildemente com o Senhor

A. Como você pode andar humildemente com o Senhor?

B. Por que é tão difícil exercer misericórdia?

C. O que significa praticar a justiça?

II. Sentir: Amar a misericórdia

A. Qual é a diferença entre demonstrar misericórdia e amar a manifestação da misericórdia?

B. Como você se sente ao perdoar alguém que não merece?

III. Fazer: Praticar a justiça

A. Por que é tão importante exortar o povo de Deus a praticar a justiça?

B. Como você pode harmonizar misericórdia e justiça nas decisões de sua igreja ao lidar com questões problemáticas?

C. Convide os alunos da classe a partilhar suas experiências pessoais de quando eles lutaram para decidir se mostrariam misericórdia ou justiça a uma pessoa culpada.

Resumo: O profeta Miqueias explicou quem é Deus. Depois, exortou as pessoas a andar com Ele para que refletissem Seu caráter, ou seja, amar a demonstração de misericórdia e fazer o que é justo. Somente contemplando Deus iremos imitá-Lo e ser como Ele é. 


Ciclo do Aprendizado

Motivação

Focalizando a Palavra: Miqueias 6:8


Conceito-chave para o crescimento espiritual: Deus perdoa, mostra misericórdia e age com justiça. Quando andamos humildemente com Ele, aprendemos a amar a misericórdia e fazer o que é justo. Ao fazer isso, refletimos Seu caráter.



Só para o professor: Um excelente resumo da mensagem de Miqueias é encontrado no fim de seu livro (Mq 7:18-20). Essa passagem é um jogo de palavras com o nome do profeta (Miqueias significa “Quem é como o Senhor?”), porque ela também começa com a pergunta “Quem, ó Deus, é semelhante a Ti [...]?” A resposta esperada para essa pergunta retórica é “ninguém”, porque Deus é único. Ele perdoa o pecado, deleita-Se na compaixão e deseja demonstrar misericórdia. Ele é sempre fiel, ama a misericórdia, e age com justiça.

Esse Deus de graça é o Deus do Antigo Testamento. Não há diferença entre o Deus do Antigo Testamento e o do Novo Testamento. Isso está em oposição a Marcião, que já no segundo século depois de Cristo, fez uma distinção incorreta entre o que ele caracterizou como um Deus do Antigo Testamento, severo, justo, cruel e irado, e Jesus Cristo, o Deus do Novo Testamento, amoroso, perdoador e bondoso. A realidade é que o Deus que criou a humanidade e tirou Israel do Egito e o levou para a Terra Prometida é exatamente o mesmo Deus que morreu por nós no Calvário! “Jesus Cristo, ontem e hoje, é o mesmo e o será para sempre” (Hb 13:8).


Discussão de abertura: As pessoas muitas vezes não entendem o Antigo Testamento e imaginam o Deus do Antigo Testamento como um Deus de guerra, sangue, punição e julgamento, enquanto ignoram as imagens ainda mais severas de um Deus justo no Novo Testamento (veja, por exemplo, Mt 23:13-39; 24:51; At 5:1-11; Ap 14:9-11; 19:17-21). No entanto, há apenas um Deus bíblico, que é amor (Êx 34:6, 7; 1Jo 4:16). É preciso corrigir nossa interpretação das Escrituras, geralmente distorcida, e não o caráter de Deus. O Senhor é o Deus de amor, verdade, justiça e liberdade.


Perguntas para discussão:


1. Na lição desta semana, qual é o verso bíblico mais poderoso para encorajar o cristão na luta contra o mal?

2. Qual é o significado da vitória de Cristo na cruz? Que implicações isso tem para a compreensão de Deus como o Deus do amor e justiça?

Compreensão

Só para o professor: Miqueias foi um profeta do oitavo século antes de Cristo (entre 750 a.C. e 686 a.C.), contemporâneo de Isaías. Sua mensagem é dirigida à sua própria geração, mas especialmente ao remanescente (esse termo aparece cinco vezes em seu livro: Mq 2:12; 4:7; 5:7, 8; 7:18).


A condição da sociedade em que ele vivia parece ser a que ele descreveria se vivesse em nossa sociedade pós-moderna (leia especialmente Mq 7:2-6): Não havia pessoas piedosas, a violência e o derramamento de sangue prevaleciam em todos os lugares, amigos traíam-se, as melhores pessoas eram como espinheiros, os que estavam no poder pediam subornos, os juízes estavam corrompidos, havia conspiração em toda parte, não se podia confiar em vizinhos, amigos ou cônjuge, filhos estavam em conflito com os pais, etc. Somente a mensagem de Deus tinha poder para curar esses relacionamentos quebrados.



Comentário Bíblico

I. O que Deus pede

(Recapitule com a classe Mq 6:8.)


O livro não foi escrito apenas para informação. A Palavra de Deus tem poder para transformar seus leitores. Miqueias levantou questões muito importantes. Se Deus é amoroso, perdoador, misericordioso, compassivo, como podemos agradá-Lo? Como podemos obter Seu favor? Sacrificando animais? Apresentando-Lhe dádivas especiais? Sacrificando o filho primogênito? Absolutamente, não! Deus não tem prazer em rituais nem na religião externa e formal. Ele quer mais. Como devemos nos aproximar do Senhor? A resposta clara é apresentada em Miqueias 6:8: “Ele te declarou, ó homem, o que é bom e que é o que o Senhor pede de ti: que pratiques a justiça, e ames a misericórdia, e andes humildemente com o teu Deus.”



A versão bíblica The New Living Translation [Tradução Nova Vida] contém as seguintes palavras: “Não, ó povo, o Senhor lhe disse o que é bom, e isso é o que Ele pede de você: fazer o que é justo, amar a misericórdia e andar humildemente com seu Deus.”



Miqueias 6:8 é o verso por excelência para a ética bíblica e descreve o verdadeiro estilo de vida do cristão. Para entender melhor o que Deus está dizendo por meio de Miqueias, precisamos nos familiarizar com uma característica essencial do pensamento hebraico. Quando os autores bíblicos queriam explicar uma sequência de ações diferentes, eles as descreviam normalmente a partir do efeito para a causa. Esse princípio funciona do visível para o invisível, do superficial para o real, do exterior para o interior. Pensamos e falamos de forma diferente hoje. Explicamos as coisas da causa para o efeito.



Em outras palavras, para entender o que Miqueias estava realmente dizendo, para captar sua mensagem, é preciso inverter a sequência dos pensamentos. Precisamos começar a estudar esse verso a partir do fim. Assim, a sequência correta para nós hoje é:


Primeiro, “Andar humildemente com Deus”. Essa é a causa de todas as outras ações descritas.

Segundo, “Amar a misericórdia!” Esse é o primeiro resultado.

Finalmente, “Praticar a justiça!” Essa é a consequência adicional.


Pense nisto: Como podemos obter o favor de Deus? Quais são os efeitos de caminhar humildemente com o Senhor?


II. Andar com o Senhor!

(Recapitule com a classe Gn 5:24.)


Em alguns países europeus, quando dois jovens estão profundamente apaixonados e namorando, as pessoas descrevem esse relacionamento com a expressão idiomática “eles andam juntos”. O significado dessa expressão é que o casal gosta de estar junto, deseja conhecer um ao outro e está apaixonado.



Caminhar com o Senhor significa amá-Lo, conhecer mais e mais quem Ele é, como Enoque, que andou com Deus, “e já não era, porque Deus o tomou para Si” (Gn 5:24).



Dessa forma, seremos semelhantes a Ele. Aquele a quem amamos, imitamos. A pessoa que escolhemos para imitar faz a diferença. Tudo depende do nosso desejo de ser como Deus: amorosos, bondosos, perdoadores, misericordiosos, servidores, compassivos e altruístas.


É muito fácil ser espiritualmente orgulhoso, confiando em nossas realizações bem-sucedidas de curto prazo, mas é muito enganoso e perigoso se concentrar nelas. A decepção é amarga! Por isso, Miqueias salientou que precisamos andar humildemente com o Senhor.


Pense nisto: Como você pode ter certeza de que a rotina diária e as preocupações da vida não o afastam da caminhada com o Senhor? Como você pode andar com o Senhor enquanto trabalha, fala, estuda ou se diverte?


III. Amar a misericórdia e praticar a justiça

(Recapitule com a classe Mq 6:8.)


Uma coisa é demonstrar misericórdia e outra é amar essa prática. Precisamos amar a prática do perdão, não ser impelidos nem forçados a fazer isso. Devemos amar de modo altruísta, como Deus ama. Agir de maneira abnegada, como Deus age, é possível somente pelo Seu poder. Precisamos ser exemplos vivos da extraordinária graça de Deus. Amar a demonstração da misericórdia traz resultados surpreendentes.



Quando podemos saber como praticar a justiça? Somente quando andamos humildemente com o Senhor e amamos a prática do perdão, da misericórdia e da compaixão. Esse é o resultado de uma caminhada íntima com o Senhor. Quando praticamos o amor, podemos saber como defender a verdade e a justiça e como ter paixão pela justiça.



Pense nisto: O que significa “amar” a misericórdia? Como podemos perdoar e demonstrar misericórdia às pessoas quando elas repetidamente cometem os mesmos erros? O que significa praticar a justiça?


Aplicação

Só para o professor: Deus lança todas as nossas iniquidades nas profundezas do mar. Utilize a seguinte história para ilustrar esse conceito e ajudar os alunos a perdoar livremente como Deus nos perdoa.


COMENTARIOS



Luiz Gustavo S. Assis é formado em teologia pelo Unasp Campus 2 e atualmente exerce a função de pastor distrital no bairro Sarandi, na Zona Norte de Porto Alegre, RS.


Ampliação


Há alguns anos ouvi uma pequena história de um homem que havia acabado de comprar um burro. O burro empacou a alguns metros do local em que fora vendido. A paciência do comprador se esgotou e nenhum sinal de mudança foi demonstrado pelo animal. Foi quando um suposto “especialista” em burros que estava a certa distância sugeriu para o homem que, em vez da agressividade, ele devia falar de maneira carinhosa com o animal empacado. Alguns elogios e promessas de bons tratos foram ditos, mas sem sucesso. O “especialista” riu e sem cerimônias pegou um pedaço de pau e o acertou na cabeça do burro, sussurrou algo em seu ouvido e o burro o seguiu. “Antes de falar com ele, você precisa despertar sua atenção”, justificou o “especialista”.



Deus estava tentando de todas as formas obter a atenção de Israel! Enviou Oseias e Amós. Agora estava enviando Miqueias (1:1). Os três viveram no mesmo período e tinham mensagens parecidas, apesar da abordagem ser diferente em cada um dos livros. Infelizmente, Israel continuava empacado e não havia nada que despertasse sua atenção. Diferentemente da atitude do burro, o reino do norte não se voltou para o Senhor. Será que estamos fazendo melhor? Em lugar de ser apenas uma peça literária do 8º século a.C., a mensagem do profeta Miqueias pode ser uma poderosa ferramenta para corrigirmos conceitos e práticas da nossa vida religiosa.

I. Conhecendo o livro

O nome Miqueias significa “Quem é como o Senhor?”, praticamente o mesmo significado do nome Miguel, “Quem é como Deus?” (Dn 10:13; 12:1), nome aplicado a Cristo em outras partes da Bíblia. Curiosamente, em Miqueias 7:18 existe um trocadilho com o nome do profeta e uma pergunta levantada por ele mesmo (“Quem, ó Deus, é semelhante a Ti,...”). Miqueias era natural de um povoado chamado Moresete [ou Moresete-Gate (1:14)], que ficava uns 40 km a sudoeste de Jerusalém. Sua mensagem foi proclamada em toda aquela região.



Seu livro foi escrito durante um período tenso para o povo de Judá. Logo em 1:1 somos informados de que seu ministério profético ocorreu durante os reinados de Jotão, Acaz e Ezequias, reis de Judá, o que deve ter ocorrido entre os anos 742–687 a.C. Durante todos esse anos, os assírios que mencionamos no comentário do livro de Jonas, estavam se fortalecendo e se tornando uma ameaça cada vez maior para todos os povos do Antigo Oriente Médio. Apresento abaixo três eventos significativos desse período:

- Entre 734-732 a.C., o rei assírio Tiglate Pileser III liderou uma campanha militar com Aram (Síria), Filistia, e partes de Israel e Judá. O reino do Norte (Israel) perdeu muito do seu território.

- Em 722 a.C., Samaria foi destruída e Israel foi conquistado pelos assírios.

- Em 701 a.C., Judá se rebelou contra a Assíria, que nessa época era governada pelo sanguinário Senaqueribe. Diversas cidades do território de Judá foram destruídas e conquistadas. Esse é o contexto do primeiro capítulo do livro de Miqueias.

Qual era o motivo por detrás da mensagem do profeta? Bem, quando lemos as Escrituras, é importante estarmos atentos a palavras que se repetem ao longo do texto. No caso de Miqueias, as palavras “transgressão” e “pecado” aparecem juntas em diversos textos (1:5, 13; 3:8; 6:7). É provável que nelas encontremos os motivos que levaram Miqueias a proclamar sua mensagem.



Fazer uma diferença entre as duas não é algo muito simples em português. Já na língua em que Miqueias escreveu a diferença entre esses dois vocábulos é mais clara. “Transgressão” é a palavra hebraica pesha’, cujo significado é rebelar-se. Outros significados poderiam incluir litígio e pecado. Mesmo sabendo que algo é errado, o rebelde o faz. Israel tinha plena consciência daquilo que era recomendado pelo Senhor, e ainda assim dirigia-se de maneira deliberada para o mal. Pesha’ também é conhecido como o “pecado da mão levantada” (Nm 15:30, 31). Já a palavra “pecado” é a tradução da palavra hatta’, cujo principal significado é errar o alvo.  A prática de qualquer um desses pecados, por rebeldia ou por descuido moral, resulta em ‘awon, traduzido em português como iniquidade (Mq 7:19), a sentença sobre o pecador (em termos jurídicos) e culpabilidade. Na última parte do nosso estudo veremos como essas três palavras têm implicações claras para o que Cristo realizou por nós na cruz.



Mesmo diante de uma audiência rebelde e falha, o Deus de Israel queria ter os ouvidos do Seu povo atentos às Suas palavras e expectativas. A seguir, veremos quais eram os principais temas da pregação do profeta Miqueias.

II. A mensagem de Miqueias

O livro de Miqueias poderia ser esboçado da seguinte forma:

I. Julgamento contra Israel e Judá (1–­3)

II. Existe esperança para Judá e Israel (4–5)

III. O caso do Senhor contra Israel (6)

IV. A miséria se transforma em triunfo (7)

a) Julgamento contra os opressores: Deus chamou Miqueias para denunciar os pecados dos líderes políticos e religiosos. Eles abusavam do poder a eles concedido e conspiravam para fazer o mal (2:1; 7:3), cobiçavam e defraudavam outros nas suas propriedades (2:2; 6:10); roubavam e saqueavam (2:8); odiavam o bem e amavam o mal (3:2); oprimiam o pobre (3:3); desprezavam a justiça e distorciam a verdade (3:9); aceitavam suborno (3:11; 7:3); usavam suas posições religiosas para lucro (3:11); envolviam-se em negócios e práticas desonestas (6:11); agiam com violência e engano (6:12); e assassinavam pessoas do próprio povo (7:2). Por causa de tudo isso, Deus traria destruição sobre Samaria (1:6, 7), Jerusalém (1:12; 3:12; 4:10), os gananciosos proprietários de terra (2:3-5), líderes corruptos (3:4) e sobre os falsos profetas (3:5-7). Nada de injusto passa de maneira despercebida diante de Deus.

b) RestauraçãoMiqueias também declarou que, após esse julgamento, Deus perdoaria Seu povo (7:9), trazendo-os de volta do exílio em Babilônia (4:10) e restaurando o domínio de Jerusalém (4:8, 13).

c) JustiçaDo que o Senhor se agrada? “Ele te declarou, ó homem, o que é bom; e que é o que o Senhor pede de ti, senão que pratiques a justiça, e ames a misericórdia e andes humildemente com o teu Deus? (6:8). Os versos anteriores falam das intenções religiosas que os contemporâneos do profeta apresentavam diante de Deus para agradá-Lo. Com isso em mente, veja o que Ellen White escreveu: “Muitos se têm na conta de cristãos, simplesmente porque concordam com certos dogmas teológicos. Não introduziram, porém, a verdade na vida prática. Não creram nela nem a amaram; não receberam, portanto, o poder e a graça que advêm mediante a santificação da verdade. Os homens podem professar fé na verdade; mas, se ela não os torna sinceros, bondosos, pacientes, dominados, tomando prazer nas coisas de cima, é uma maldição a seu possuidor e, por meio de sua influência, uma maldição ao mundo” (O Desejado de Todas as Nações, p. 309, 310). As inúmeras atividades religiosas do povo de Judá não produziram uma mudança em seus corações

III. A relevância da mensagem de Miqueias

a) A destruição de Laquis (1:13):Senaqueribe, rei da Assíria, tinha em seu palácio diversos painéis com cenas da destruição da cidade de Laquis. Esses painéis foram descobertos em 1820, no palácio desse rei em Nínive, a capital do Império Assírio. Muitas atrocidades cometidas pelos assírios naquele território de Judá podem ser vistas ao longo dos quase 25 metros de relevos decorativos! Imagine quão intimidador era para um rei estrangeiro entrar nesse palácio para tratar de assuntos administrativos e contemplar aquelas terríveis cenas.

(Os relevos da destruição de Laquis podem ser visitados no Museu Britânico, em Londres. Foto: blog.bibleplaces.com)














(Judeus de Laquis sendo levados como prisioneiros pelos soldados assírios)


O interessante é que nesses relevos podemos ter a explicação do porquê Laquis foi destruída. Entre os despojos levados pelos soldados assírios, observam-se dois queimadores de incenso. O único lugar em que se deveria queimar incenso era no Templo, em Jerusalém. Pode ser que os habitantes de Laquis não tenham apoiado Ezequias na sua reforma espiritual em Jerusalém alguns anos antes dessa trágica destruição (cf. 2Cr 29–31), e como resultado, a bênção de Deus fora retirada.



Para alguns, isso é tão insignificante quanto assistir a uma partida de futebol no sábado à tarde, uma rápida olhada num site de conteúdo pornográfico ou fazer uso de alimentos que Deus considera impuro. No entanto, Deus leva muito a sério nosso compromisso como cristãos. Siegfried Schwantes uma vez disse: “Um Deus santo e justo requer santidade e justiça dos Seus adoradores.”



b) O milagre da encarnação: Um dos assuntos que aparecem de Gênesis a Malaquias é a promessa do Messias. Sem dúvida, uma das melhores obras sobre esse assunto é “O Plano da Promessa de Deus”, de Walter Kaiser Jr. (Vida Nova, 2011). É fascinante observar como desde Gênesis 3:15 Deus foi oferecendo informações sobre Aquele que traria salvação à humanidade. O profeta Miqueias não deixou esse assunto passar de modo despercebido. Em 5:2, ele menciona alguém que sairia de Belém-Efrata, reinaria em Israel e “cujas origens são desde os tempos antigos, desde os dias da eternidade”.  Essa passagem trata de um assunto bem conhecido no Novo Testamento, a encarnação do Filho de Deus. Tanto Paulo (cf. Cl 1:12-23) quanto João (cf. Jo 1:1-14) expandiram esse tópico e apresentaram o motivo desse ato divino. É maravilhoso pensar em Deus, eterno e todo-poderoso, assumindo a forma de uma frágil criança para pagar o preço dos nossos pecados e nos oferecer vida eterna. A triste verdade da vida é que, títulos, posições, bens e fortunas não constituem um fundamento confiável para uma autoestima saudável. Em compensação, a manjedoura de Belém mostra nosso exato valor.



c) Como Deus lida com nossa rebelião (pesha’) e com nosso pecado (hatta’)? Não havia entre os sacrifícios descritos no livro de Levítico nenhum tipo de oferta que pudesse perdoar aquele que cometesse pesha’. Quem sabe o motivo dessa ausência era demonstrar a gravidade desse tipo de comportamento. Mas mesmo assim, Deus era capaz de perdoar um rebelde. Gostaria de citar dois textos para demonstrar esse ponto:

O primeiro é Êxodo 34:6 , 7, especialmente a parte em que lemos: “que perdoa a iniquidade [‘awon], e a transgressão [pesha’] e o pecado [hatta’].” Onde o texto diz “que perdoa”, a tradução literal é que Deus é Aquele que carrega algo. Note bem, o texto diz que Deus carrega nossa rebelião.

Alguns séculos mais tarde, Isaías descreveu com mais detalhes como isso poderia ocorrer no seu famoso capítulo sobre o Servo Sofredor: “Certamente, Ele tomou sobre Si as nossas enfermidades e as nossas dores levou sobre Si; e nós O reputávamos por aflito, ferido de Deus e oprimido. Mas Ele foi traspassado pelas nossas transgressões [pesha’] e moído pelas nossas iniquidades [‘awon]; o castigo que nos traz a paz estava sobre Ele, e pelas Suas pisaduras fomos sarados” (Is 53:4, 5). Setecentos anos depois dessas palavras de Isaías terem sido escritas, Jesus Cristo, Aquele que é desde os tempos eternos (cf. Mq 5:2), surgiu na história da humanidade carregando sobre Sitodas as nossas ofensas, praticadas em rebeldia.



Através de Miqueias, Deus estava deixando bem claro que as “transgressões” (pesha’) cometidas pelo povo de Judá, apesar de Lhe serem detestáveis, poderiam ser removidas de seus corações. De uma maneira ilustrativa, o Senhor lançaria todos os pecados do povo nas profundezas do mar (cf. Mq 7:19), onde homem algum é capaz de alcançá-los. Uma vez perdoados por Deus, não precisamos viver como pescadores tentando trazer novamente esses pecados que desapareceram no profundo e vasto oceano do amor de Deus.

Miqueias. Quem é como Deus? Não há ninguém como Ele.


NIV Archaeological Study Bible, p. 1.477.



A foto dos soldados assírios retirando os queimadores de incenso de Laquis foi obtida através do Dr. Michael Hasel, diretor do Instituto de Arqueologia da Southern Adventist University, nos EUA. Digno de nota é que o Dr. Michael Hasel e um grupo de alunos dessa universidade adventista participarão de algumas escavações arqueológicas em Laquis a partir de 2014.