sábado, 8 de setembro de 2012

ES – Lição 11 - Promessa aos perseguidos (2Ts 1:1-12) – 3º Trim, 2012





NOVO TEMPO

Lições da Bíblia

Promessa aos perseguidos (2Ts 1:1-12)








Lição 11 de 8 a 15 de setembro

Promessa aos perseguidos (2Ts 1:1-12)





Sábado à tarde
Ano Bíblico: Ez 36–38

VERSO PARA MEMORIZAR: “Por isso, também não cessamos de orar por vós, para que o nosso Deus vos torne dignos da Sua vocação e cumpra com poder todo propósito de bondade e obra de fé” (2Ts 1:11).

Leituras da semana: 2Ts 1:1-12; Jo 1:18; Rm 2:5; 12:19; Ap 16:4-7; 20:1-6; Jo 14:1-3

Pensamento-chave: A segunda vinda de Jesus é o clímax de toda esperança cristã.

Visto que a comunicação era tão demorada, quando os membros de uma igreja quisessem falar com Paulo, tinham que localizá-lo e enviar uma mensagem para ele, o que nem sempre era um processo fácil, com certeza. Uma vez que o contato fosse finalmente feito, o apóstolo ditava uma resposta e a enviava em mãos para a igreja. O processo podia levar meses. Enquanto isso, falsas crenças tinham tempo de se desenvolver e se espalhar.

Isso parece ter acontecido em Tessalônica, onde novos problemas surgiram na igreja. Esses problemas podem até ter aumentado devido à aplicação errada do que Paulo havia escrito na primeira carta. A segunda carta aos Tessalonicenses foi a tentativa de ajudar a corrigir a situação.

Na lição desta semana, as palavras de Paulo se resumem ao seguinte: na segunda vinda de Jesus, os crentes serão resgatados pela intervenção espetacular de Deus em Cristo. Essa passagem provê mais informações sobre a natureza de Sua vinda.

Domingo
Ano Bíblico: Ez 39–41

Saudações novas (2Ts 1:1, 2)

1. “Paulo, Silvano e Timóteo, à igreja dos tessalonicenses, em Deus, nosso Pai, e no Senhor Jesus Cristo, graça e paz a vós outros, da parte de Deus Pai e do Senhor Jesus Cristo” (2Ts 1:1, 2). Quanta teologia, esperança e promessas existem nessa saudação? Como podemos aprender a tornar nossas essa esperança e promessas?
Como fez tantas vezes, Paulo falou sobre graça e paz. Em certo sentido, elas não estão relacionadas? A compreensão da graça de Deus e a promessa de perdão em Jesus não devem levar paz à nossa vida? É fundamental que, não importando as circunstâncias, todos tomemos tempo para meditar na maravilhosa provisão de salvação feita por nós e na graça a nós oferecida, independentemente de nossa indignidade. Existe melhor maneira de experimentar a paz prometida? Precisamos tirar o foco de nós mesmos e colocá-lo em Jesus e no que recebemos nEle.

2. Compare 1 Tessalonicenses 1:1 com 2 Tessalonicenses 1:1, 2. Há uma pequena diferença no texto. Que significado pode ser encontrado nessa diferença?
Há uma diferença entre 1 e 2 Tessalonicenses. Paulo mudou de “em Deus Pai” (1 Ts 1:1) para “em Deus, nosso Pai” (2Ts 1:1). Isso adiciona um toque relacional. Há pessoas que se sentem próximas de Jesus, mas têm medo de Deus, o Pai. Paulo assegurou aos tessalonicenses que eles podiam ter tanta confiança em seu relacionamento com o Pai como confiavam em Jesus. Cristo veio ao mundo para nos mostrar como é o Pai.

3. Leia João 1:18 e 14:7-11. Que certeza e esperança podemos tirar desses textos, especialmente à luz de 2 Tessalonicenses 1:1, 2?
Segunda
Ano Bíblico: Ez 42–44

Ação de graças de Paulo (2Ts 1:3, 4)

Paulo tinha uma tendência para frases longas. O texto de 2 Tessalonicenses 1:3-10 é uma única frase que enfatiza principalmente os eventos em torno da segunda vinda de Jesus. A parte central da frase, no entanto, não focaliza a vinda de Cristo: “Constantemente somos obrigados a dar graças a Deus a respeito de vocês” (2Ts 1:3, tradução do autor). Os comentários de Paulo sobre a vinda de Jesus (2Ts 1:6-10) são parte da razão pela qual ele agradecia a Deus a respeito dos tessalonicenses.

4. Leia 2 Tessalonicenses 1:3, 4. Que importante princípio espiritual encontramos nesses versos em relação à questão da fé? O que acontece com a fé quando ela não cresce?

A principal expressão de 2 Tessalonicenses 1:3-10 é “Somos obrigados”, ou “Devemos” dar graças a Deus. Paulo se sentia obrigado a agradecer a Deus pelos tessalonicenses porque sua fé estava se tornando cada vez mais forte. Enquanto isso, o amor de uns pelos outros também estava crescendo. No original, os dois verbos estão no tempo presente. Isso significa que seu crescimento na fé e no amor era consistente e contínuo. Esse tipo de crescimento é fundamental para toda igreja sadia. Como uma planta, se uma igreja não crescer espiritualmente, ela vai morrer.

Paulo continua apresentando uma significativa crítica à igreja nos capítulos 2 e 3 dessa epístola. Mas ele sabe que as pessoas precisam de muita afirmação antes que possam lidar com as críticas de forma construtiva. Ele oferece esse tipo de afirmação no capítulo 1.

Uma das razões para essas afirmações é que a igreja em Tessalônica continuava a ser perseguida. Paulo elogia particularmente sua “paciência” em aflição. Em vez de fé, esperança e amor, Paulo fala sobre a fé, o amor e a paciência deles. O fato de que, nesse texto, a “paciência” substitui a “esperança”, levou Paulo à sua exposição sobre a segunda vinda de Jesus mais adiante no capítulo.

O resultado do crescimento dos cristãos na fé e no amor foi que a coragem deles diante da aflição se tornou uma fonte de alegria para os apóstolos entre todas as igrejas que eles visitavam. Os tessalonicenses se tornaram modelo do comprometimento cristão sob ataque.

Como as provas e aflições podem aumentar nossa fé? Ao mesmo tempo, quem já não lutou para manter a fé justamente por causa das provações?

Terça
Ano Bíblico: Ez 45–48

Sofrimento como sinal do fim (2Ts 1:5, 6)

O texto de 2 Tessalonicenses 1:5-10 em grego lembra o Antigo Testamento (a Bíblia da maioria dos cristãos do Novo Testamento era a Septuaginta, uma tradução grega pré-cristã do Antigo Testamento). A carta de 2 Tessalonicenses apresenta muito mais referências ao Antigo Testamento do que 1 Tessalonicenses.

5. Qual é a mensagem de 2 Tessalonicenses 1:5, 6? Que promessas encontramos ali?
A palavra sinal evidente (RA) ou prova (RC) significa “demonstração” ou “indicação clara” de alguma coisa. O que a perseguição aos cristãos (v. 4) prova? Certamente, ela não é evidência do juízo de Deus contra Seu povo. Ao contrário, é um indicador do futuro juízo, no qual o povo de Deus será vindicado e aqueles que o perseguiram receberão o mesmo tipo de experiência que infligiram sobre os outros.

Há uma mensagem aqui para nós. Violência gera violência, e os que a usam têm razão para temer o futuro. O juízo de Deus endireitará as coisas. Aqueles que perseguem o povo de Deus enfrentarão um dia a justiça divina. Mas os que experimentam a injustiça por causa de sua fé podem olhar confiantemente para o futuro juízo de Deus. Nesse dia, será evidente a todos que eles eram objetos do favor de Deus.

O Novo Testamento incentiva os crentes a demonstrar graça, misericórdia e perdão para com os outros. Mas quando essas ações são rejeitadas e retribuídas com maldições, ataques e prisão, é encorajador saber que a injustiça não durará para sempre. Assim, os santos de Deus são convidados a ter paciência (Ap 14:12).

Em 2 Tessalonicenses 1:5, 6, portanto, Paulo lembrou os perseguidos tessalonicenses de que, no futuro, o “justo juízo de Deus” (RC) demonstrará que o Senhor os aprovava. Mais que isso, sua paciência e fé em face da provação confirmavam que Deus os escolheu. Dessa forma, o sofrimento cristão pode ser a base para a alegria (1Ts 1:6, 7). Essa é uma evidência prática do lado em que estaremos quando Jesus voltar.

O verso 5 mostra o justo juízo de Deus ao aprovar os tessalonicenses. O verso 6 mostra isso na condenação e destruição de seus perseguidores. Em ambos os casos, o juízo refletirá, no fim do tempo, nossa conduta no presente.

Você já foi prejudicado, e os culpados aparentemente não receberam nenhuma punição? Que conforto você pode encontrar nas promessas do juízo de Deus? Considere outra questão: você tratou as pessoas de maneira perversa, injusta e não foi punido (pelo menos até agora)? Como você vê as promessas do juízo de Deus no tempo do fim?

Quarta
Ano Bíblico: Dn 1–3

Fogo e destruição (2Ts 1:7-9)

6. Leia 2 Tessalonicenses 1:7-9. Qual é a principal razão para a destruição dos ímpios no momento da segunda vinda de Jesus? Como devemos entender esses versos com a ideia de Deus sendo cheio de amor, graça e perdão?
Muitas pessoas se sentem desconfortáveis com a linguagem desses versos. Elas sentem que “retribuir” (NVI), vingança, castigo e a aplicação de sofrimento são atitudes indignas de um Deus de amor, graça e misericórdia. Mas justamente punição e retribuição são tema frequente de Paulo (Rm 2:5; 12:19). O apóstolo é inequívoco: a justiça de Deus um dia se manifestará poderosamente.

E por que não? Qualquer bom governo no mundo de hoje deve, em algum momento, exercer a força a fim de restringir o mal. Embora a força nem sempre seja violenta (como quando você é parado por ter cometido uma infração de trânsito ou é fiscalizado em relação aos impostos), em alguns casos, especialmente quando os criminosos estão usando violência, eles devem receber uma resposta violenta. Bons governos oferecem uma restrição necessária para que todos vivam juntos, em paz. Muitas vezes, a maldade total não cederá voluntariamente. E, muitas vezes, quanto maior for o poder e a brutalidade do mal, maior será a força necessária para desfazer esse mal.

As imagens desse texto não são bonitas, mas nos asseguram que Deus fará o que for preciso para acabar com a violência e opressão.

7. Leia Apocalipse 16:4-7 e Daniel 7:21, 22. Que semelhanças existem entre esses versos e o que Paulo escreveu em 2 Tessalonicenses 1:7-9?
Por meio de Sua própria experiência, Jesus entende o preço do sofrimento. Você pode crer que Ele exercerá justiça divina, mas sem exagero. A justiça divina resultará em sofrimento, mas nem um pouquinho além do necessário. Se podemos confiar em Deus em qualquer circunstância, podemos acreditar que Sua justiça revelará uma sabedoria que não podemos compreender atualmente.

O objetivo desse texto não é se alegrar na vingança, mas incentivar os prejudicados e oprimidos. O dia da justiça está chegando. Não precisamos fazer justiça com as próprias mãos.

Quinta
Ano Bíblico: Dn 4–6

Glorificando a Cristo (2Ts 1:10-12)

8. Leia 2 Tessalonicenses 1:10-12. O que significa o fato de que Jesus Cristo será glorificado em Seus santos?

A frase completa no texto desta semana (2Ts 1:3-10) apresenta uma série de detalhes importantes sobre a segunda vinda de Jesus. Quando Ele voltar, afligirá os que afligem e proporcionará descanso aos aflitos (2Ts 1:6, 7). Ele descerá do Céu na companhia de anjos poderosos (2Ts 1:7). Ele virá com fogo ardente e executará justiça sobre os que rejeitaram a Deus e ao evangelho de Jesus Cristo (2Ts 1:8). Os ímpios serão destruídos (2Ts 1:8, 9), enquanto os justos glorificarão a Cristo (2Ts 1:10).

Os eventos da segunda vinda de Cristo criarão as condições para o milênio, período em que a Terra ficará desolada durante mil anos (Ap 20:1-6). Embora o texto desta semana não diga o que acontecerá com os justos, 1 Tessalonicenses 4:16, 17 nos diz que os salvos se unirão a Jesus nos ares em Sua vinda. Além disso, João 14:1-3 indica que Jesus levará os justos com Ele para o Céu.

9. Como Paulo instruiu os crentes acerca da preparação para a segunda vinda de Jesus? 2Ts 1:11

Com o verso 10, Paulo terminou de falar sobre os ímpios e voltou-se novamente para o destino dos justos na segunda vinda de Cristo. Nos versos 10-12, a glória de Jesus é revelada no caráter dos que creem nEle. Paulo se alegrou porque suas orações e esforços pelos tessalonicenses serão vindicados na vinda do Senhor (compare com 1Ts 2:19, 20).

Aqui, o apóstolo preparou o cenário para o capítulo 2, no qual ele argumenta que o dia do Senhor ainda não chegou. Se tivesse chegado, haveria fogo ardente, destruição dos perversos e plena glorificação de Jesus aos olhos de todos.

No texto de hoje, Paulo intercala normalmente os termos Deus e Jesus, usando os dois de modo alternado. De acordo com a inspiração, Jesus é Deus. Esse ensinamento é muito importante para nós. Quanto maior é Jesus, mais poderosa é a Sua salvação e mais clara a visão de Deus que recebemos ao contemplar Sua vida, morte, ressurreição e segunda vinda. Se Jesus é verdadeiramente Deus, o Pai é igual a Ele.

Como podemos aprender a cuidar da nossa vida diária, mas sem perder a expectativa da vinda do Senhor? No ritmo da vida, por que é tão fácil esquecer a vinda de Jesus? Como podemos aprender a manter essa promessa maravilhosa diante de nós, enquanto cuidamos dos negócios, dando a essa promessa o tempo, a atenção e a importância merecidos?

Sexta
Ano Bíblico: Dn 7–9

Estudo adicional

A Bíblia foi escrita por homens inspirados, mas não é a maneira de pensar e expressar-se de Deus. Esta é da humanidade. Deus, como escritor, não Se acha representado. Os homens dirão muitas vezes que tal expressão não é própria de Deus. Ele, porém, não Se pôs à prova na Bíblia em palavras, em lógica, em retórica. Os escritores da Bíblia foram os instrumentos de Deus, não Sua pena. ...

“Não são as palavras da Bíblia que foram inspiradas, mas, sim, os homens. A inspiração não atua nas palavras do homem, nem em suas expressões, mas no próprio homem que, sob a influência do Espírito Santo, é possuído de pensamentos. ...” (Ellen G. White, Mensagens Escolhidas, v. 1, p. 21).

“Em sua segunda carta, Paulo procurou corrigir a má interpretação de seu ensino e expor perante eles sua verdadeira posição” (Ellen G. White, Atos dos Apóstolos, p. 264).

Perguntas para reflexão

1. A verdade das Escrituras se revela mais por meio do estudo intensivo de palavra por palavra ou por meio dos temas amplos que podemos observar pela leitura extensa? Ou há tempo e lugar para ambos? Comente com a classe.
2. Com base nas palavras de Ellen White a respeito de como funciona a inspiração, como podemos compreender o “elemento humano” que às vezes aparece na Bíblia?
3. Será que a ideia da segunda vinda de Jesus o assusta, ou lhe traz esperança?
4. Por mais verdadeira que seja a ideia de que as provações podem fortalecer nossa fé e caráter, o que você diria às pessoas cujas aflições as tornam amargas, ressentidas e iradas?

Resumo: Paulo se alegra pela maneira em que os crentes de Tessalônica permanecem fiéis, apesar das muitas aflições. Ele os encoraja enfatizando a grande mudança que ocorrerá na segunda vinda de Jesus. Não importa o que aconteça agora, temos a promessa de que Deus executará Sua justiça.

Respostas sugestivas: 1: Os apóstolos tinham certeza de que, apesar das aflições, os tessalonicenses estavam na graça de Deus, que resultava em paz; acreditando no poder da graça, podemos viver com esperança. 2: Na primeira saudação está a expressão “Deus Pai”; na segunda, a expressão é “Deus, nosso Pai”, indicando que a igreja deveria ter um relacionamento de confiança e amor com o Filho e com o Pai, sem medo do Pai. 3: O Filho revelou quem é o Pai; o que o Filho fez, foi feito com a participação do Pai. O caráter e amor do Pai foram demonstrados pelo Filho; a graça e a paz concedidas pelo Pai e pelo Filho; a igreja podia confiar nos dois. 4: É necessário e natural que haja crescimento na fé, no mútuo amor cristão e na perseverança em meio às tribulações; essa experiência é motivo de gratidão. 5: A perseverança em meio ao sofrimento é um sinal da justiça de Deus na vida do cristão, confirmando sua recompensa eterna e o castigo dos perseguidores. 6: Não conheceram a Deus de modo pessoal e não obedeceram ao evangelho; por isso perseguiram os servos de Deus; por causa da grande diferença entre seu caráter e a glória de Deus, serão consumidos. 7: Os que perseguiram a igreja de Deus, derramando sangue inocente, sofrerão as consequências do juízo divino, nas sete pragas e no fogo destruidor, na segunda vinda de Jesus. 8: Jesus será exaltado e glorificado pela salvação dos que O aceitaram e pela atitude de louvor e adoração ao Seu nome; Ele será glorificado eternamente em todo o Universo. 9: Os crentes deviam orar para que Deus os tornasse dignos da sua vocação e cumprisse com poder todo propósito de bondade e obra de fé.


Resumo da Lição 11 – Promessa aos perseguidos (2Ts 1:1-12)






O aluno deverá…

Saber: Como a crença na justiça de Deus, a ser manifestada na segunda vinda de Jesus, pode encorajar Seus seguidores a ter paciência e firmeza na fé nos momentos de provações e tribulações terrenas.

Sentir: Certeza de que Deus corrigirá todas as injustiças quando Jesus voltar.
Fazer: Acreditar que Deus é o seu defensor e retribuirá todo o mal feito contra você.

Esboço

I. Saber: Deus corrigirá todas as injustiças

A. A parte mais difícil do sofrimento é o sentimento de que Deus nos abandonou.

Que passagens ou histórias bíblicas mostram que Deus está conosco nos momentos de provações e retribuirá aos que nos prejudicaram?

B. O castigo que os perversos receberão é descrito como “eterna destruição”. Serão “banidos da face do Senhor” (2Ts 1:9). Esse castigo, e o fato de que Deus é justo em aplica-lo, é um argumento contra a visão de que a punição dos ímpios consiste em um infindável tormento consciente?

II. Sentir: Fortalecidos na provação

A. Deus prometeu: “Nunca o deixarei, nunca o abandonarei” (Hb 13:5, NVI). Essa e outras promessas das Escrituras têm encorajado você nos momentos difíceis?

B. Saber que Deus fará justiça a todos os Seus fiéis torna mais fácil suportar as adversidades?

III. Fazer: Exercitando a paciência

Uma vez que as provações inevitavelmente fazem parte da vida, o que podemos fazer, nos momentos mais tranquilos, para nos preparar para os tempos difíceis que virão?

Resumo: Deus sabe das injustiças feitas contras Seus seguidores, defenderá a sua fidelidade e punirá seus inimigos quando Cristo voltar.

Ciclo do aprendizado

Motivação

Conceito-chave para o crescimento espiritual: Ao longo de todas as eras da história terrena, a certeza da volta de Cristo para resgatar Seus seguidores e punir os ímpios tem trazido encorajamento e esperança aos cristãos em tempos de dificuldade.

Ao longo da história, os cristãos têm enfrentado provações e perseguições como resultado de sua fé em Cristo. As histórias sobre o que alguns cristãos primitivos estavam dispostos a suportar são inspiradoras. Um exemplo disso envolve uma perseguição que irrompeu contra os cristãos que viviam nas cidades de Vienne e Lyon em 177 d.C. Um cristão que conseguiu escapar relatou que uma jovem chamada Blandina foi torturada durante várias horas e de modo tão cruel que o seu corpo ficou parecendo uma ferida aberta e despedaçada. Ainda assim, em resposta a tal brutalidade, ela não negou sua fé. Ela apenas disse: “Eu sou uma cristã; não fizemos nada do que nos envergonhar” (Eusebius: The History of the Church From Christ to Constantine [Eusébio: A História da Igreja de Cristo até Constantino], traduzido por G. A. Williamson, edição revisada; Londres; Penguin Books, 1989, p. 141).

Como os cristãos suportaram tais atos de selvageria? A resposta pode ser vista no que um bispo cristão chamado Policarpo disse antes de ser martirizado, em 155 d.C. Embora tivesse oitenta e seis anos de idade, Policarpo foi preso por sua fé e trazido diante do governador romano. Devido à idade de Policarpo, o governador apelou a ele que negasse sua fé e escapasse da punição. Depois de muitos apelos para que insultasse a Cristo, Policarpo disse: “‘Por oitenta e seis anos tenho sido Seu servo, e Ele não me fez nenhum mal. Como posso blasfemar meu Rei, que me salvou?’” Quando o governador ameaçou queimá-lo na fogueira, Policarpo respondeu: “‘Você me ameaça com um fogo que queima apenas por alguns instantes e logo depois se apaga, porque você não conhece o fogo do juízo vindouro e da eterna punição, reservado para os ímpios. Mas o que você está esperando? Venha, faça o que deseja” (Michael W. Holmes, ed., The Apostolic Fathers [Os Pais Apostólicos]; Grand Rapids, Michigan; Baker Books, 1999, p. 235).

Os cristãos primitivos, tais como Policarpo, eram sustentados em meio à perseguição porque sua fé estava firmada numa profunda apreciação do amor de Deus e na compreensão de que este mundo em breve passará, quando Cristo voltar para recompensar os fiéis e punir os perversos (ainda que alguns não compreendessem a natureza da punição final).

Pense nisto: Frequentemente ficamos tão envolvidos com nossa vida que esquecemos o que Deus tem feito por nós e qual é realmente o propósito deste mundo. Como podemos ter sempre em mente esse grande quadro?

Compreensão

Comentário Bíblico

I. Saudações e ações de graças

(Recapitule com a classe 2Ts 1:1-5)

Seja um presente que recebemos ou algo novo que compramos, uma vez que experimentamos as coisas deste mundo, nosso entusiasmo por elas geralmente desaparece rapidamente, e já queremos partir para algo novo. Embora isso seja verdade quanto à maioria das coisas do mundo, a saudação de Paulo na sua segunda carta aos Tessalonicenses deve nos lembrar de que isso não é verdade quando se trata experimentar a “graça e paz” divinas. Em lugar de entrar direto nos assuntos urgentes que precisava tratar em sua carta, Paulo primeiro faz uma pausa para lembrar seus leitores, assim como faz em todas as suas cartas, da oferta divina de graça. Esse é um assunto do qual Paulo nunca se cansa. A graça mudou sua vida e também transformou o coração e a vida dos crentes de Tessalônica.

A ênfase de Paulo em seu dever de agradecer a Deus acerca dos tessalonicenses pode sugerir que os novos conversos se sentiam um pouco envergonhados porque Paulo havia falado extensamente sobre eles em sua carta anterior e diante de outras pessoas. Paulo lembrou-lhes, todavia, que essa gratidão era não apenas exigida dos cristãos (1Ts 5:18), mas que os tessalonicenses a mereciam. Deus não somente havia produzido uma mudança miraculosa na vida deles, mas a evidência de Sua obra na vida deles continuava a se manifestar no modo como sua fé, amor e inabalável esperança em Deus estavam crescendo. Isso era algo digno de louvor, especialmente porque tudo isso estava acontecendo em meio a provações e perseguição.

Mas, como Paulo podia ver evidências do reto juízo de Deus na vida dos tessalonicenses quando eles estavam sendo perseguidos? No mundo antigo, a tendência das pessoas era ver a tribulação como uma indicação do desagrado de Deus (lembra dos amigos de Jó?). A evidência do reto juízo de Deus tem dois aspectos. Primeiro, até certo ponto, a evidência que Paulo via era a perseverança na fé que os tessalonicenses demonstravam em meio às tribulações. Essa capacidade de recuperação certamente era uma evidência de que Deus estava atuando na vida deles. Porém, mais importante do que isso, Paulo também considerava a perseguição que eles enfrentavam como evidência do reto juízo de Deus. Mas como poderia ser esse o caso? Como Paulo disse antes, os cristãos devem esperar perseguição. Se a presença do Cristo ressuscitado em nossa vida é realmente um antegozo do reino de Deus que finalmente substituirá os reinos do mundo (Dn 2:44, 45), não deveria ser nenhuma surpresa que o mundo se sinta ameaçado e busque perturbar a obra de Deus e Seus discípulos. A perseguição que os tessalonicenses estavam enfrentando por causa de sua fé, e a perseguição que Seus seguidores continuam a enfrentar, é uma evidência de que um novo dia está chegando.

Pense nisto: De acordo com Paulo, a perseguição é evidência do “reto juízo de Deus” em nossa vida. Como podemos saber se as provações que enfrentamos acontecem por causa do evangelho ou por causa de nossa própria atitude ou comportamento?

II. Juízo e justiça na volta de Cristo

(Recapitule com a classe 2Ts 1:5-12)

Como a lição aponta, o juízo de Deus é uma preocupação para muitos. A descrição de Cristo “tomando vingança” contra os ímpios, como descrito no verso 8, parece inadequada. Como esse quadro de Jesus pode ser conciliado com o Jesus amoroso dos evangelhos? Aqui é importante notar que e palavra vingança não é a melhor tradução da palavra que Paulo usa no grego. O problema é que a palavra vingança, em português, atualmente é usada em um sentido extremamente brutal. Por exemplo, um dicionário na internet (dictionary.com) define a expressão “com vingança” [“with a vengeance”] como algo que é feito até um grau irracional, excessivo ou assustador. Certamente, isso pode ser visto no tipo de violência sádica e excessiva que Hollywood coloca em seus filmes envolvendo alguém em busca de vingança.

A palavra traduzida como “vingança” (RA) e punição (NVI) não tem ligação com a maneira pela qual a nossa sociedade passou a considerar o termo “vingança”. No, grego, essa palavra (ekdikēsis) vem da palavra para “justo”, “reto” ou “justiça” (dikaios) e significa literalmente “distribuição de justiça”. Esse tema da justiça é o que Paulo está focalizando nessa passagem. Ele já havia mencionado o “reto” juízo de Deus, no verso 5, e descrito as ações de Deus como “justas”, no verso 6. Embora Deus ainda tenha que lidar com o pecado e pecadores que têm recusado continuamente Seus apelos ao arrependimento, podemos ser encorajados porque Deus agirá de maneira justa, leal e sem nenhum elemento de sadismo em Seu juízo.

A segunda palavra que merece ser destacada é a palavra “revelado” (NVI), no verso 7. O Novo Testamento usa três palavras para se referir à volta de Jesus. Em 1 Tessalonicenses, já encontramos a palavra parousia (veja a seção Comentário Bíblico da lição 8). As outras duas palavras são apocalypse e epiphany. A palavra usada aqui é apocalypse. Ela significa literalmente “revelar algo que estava escondido”. Embora Cristo esteja oculto aos olhos do mundo hoje, em breve Ele será revelado. Que grande dia será esse!

Pense nisto: O tema da justiça de Deus é um conceito importante nas Escrituras e é particularmente significativo para os que têm sido injustiçados. Em que sentido a justiça de Deus é uma boa notícia para você?

Aplicação

Perguntas para reflexão

1. Paulo diz que Jesus voltará “em chama de fogo” (2Ts 1:8). O que o “fogo” simboliza quando associado a Deus ou ao juízo? Considere as seguintes passagens: Dt 4:24; Ex 3:2; Is 33:11–14; Is 66:15; Ap 1:14.

2. Tiago diz que a provação da nossa fé nos momentos de tribulações pode produzir perseverança (Tg 1:3). As provações também podem, é claro, tornar as pessoas espiritualmente desencorajadas e leva-las a desistir da fé. Como podemos reagir a tais provações para que nossa fé cresça, em lugar de vacilar?

Perguntas de aplicação

1. Deus pode usar nossa experiência nas provações para ajudar outros com problemas semelhantes (2Co 1:3–6). De que maneira suas experiências nas dificuldades podem ser usadas para encorajar outros?

2. Paulo orava continuamente pelos tessalonicenses (2Ts 1:11). Existe alguém que necessita de suas orações continuamente? O que você pode fazer para manter firmes as orações e a fé?

Criatividade

Só para o professor: Os alunos podem ser tentados a pensar que esta lição se aplica principalmente aos cristãos que estejam sofrendo perseguição física ao redor do mundo, e não às suas próprias circunstâncias. Use a seguinte atividade para tornar a lição desta semana mais relevante para toda a classe.

Atividade: Enfatize que Paulo se refere aos desafios enfrentados pelos tessalonicenses como “perseguições” e “tribulações” (2Ts 1:4). Explique que, enquanto as perseguições se referem a ataques contra crentes, as tribulações são mais gerais e poderiam se referir às muitas dificuldades da vida. Peça aos membros da classe para criar uma lista de coisas que possam ser incluídas na categoria de “tribulações”. Depois, comente com a classe o significado de ter esses dois termos em mente enquanto refletimos na lição desta semana.


Lição 11 – Promessa aos perseguidos
Secretário Ministerial
Associação Paulistana da IASD

Texto: 2 Tessalonicenses 1:1-12

A propósito de rápida introdução ao estudo da segunda epístola aos tessalonicenses, observe as seguintes informações: unanimemente se aceitou que Paulo é o autor deste documento, até que alguns representantes da “alta crítica” puseram em dúvida esse fato.

O caráter de Paulo se reflete nesta carta. Sua terna preocupação pelos conversos (2:13-17); seu louvor por suas virtudes (1:3-5; 3:4); o extremo cuidado com que menciona debilidades, ao passo que demonstra autoridade em suas ordens (3:6, 12), tudo demonstra que Paulo é o autor da segunda carta aos tessalonicenses.

A autenticidade da epístola é sustentada por fortes evidências. Além de estar incluída nas listas mais antigas dos livros do Novo Testamento, é citada pelos mesmos escritores eclesiásticos que fazem referência à primeira carta. Também parece ter sido conhecida por Policarpo e Justino Mártir (cerca do ano 150).

A data de composição da epístola corresponde aos últimos meses do ano 51 ou primeiros de 52. É evidente que foi escrita no mesmo lugar da primeira e muito próxima ao tempo dela. Os mesmos três personagens são mencionados na abertura de ambas as cartas (1Ts 1:1 e  2Ts 1:1).

Lembre-se de que Paulo permaneceu um ano e meio em Corinto durante sua segunda viagem missionária (At 18:11). Não há evidência nenhuma de que Silas tivesse colaborado com ele mais tarde. Isso nos leva à conclusão de que a segunda epístola foi escrita poucos meses depois da primeira. Portanto, todos os seus antecedentes e circunstâncias são idênticos aos da primeira carta.

Provavelmente o mensageiro que levou a primeira carta tivesse voltado com informações de que se havia despertado um espírito inquieto e fanático quanto à segunda vinda de Cristo, que se supunha imediata. Essa situação demandava uma pronta resposta para evitar que os mais simples e sensíveis pudessem cair nos laços do fanatismo e da agitação sensacionalista.

Em vista desse problema, Paulo assegurou a esses humildes cristãos que o Senhor os havia aceitado. Insistiu que deviam ser gratos a Deus pelas vitórias alcançadas. Mostrou-lhes o progresso alcançado nas virtudes cristãs da fé e do amor fraternal (2Ts 1:3) e firmeza em meio à perseguição (2Ts 1:4).

Outro fato importante é que Paulo deixou claro aos tessalonicenses que a segunda vinda do Senhor não aconteceria sem que antes viesse a apostasia, exatamente como lhes havia ensinado antes, pessoalmente (2:5). Havia alguns que ensinavam não mais ser necessário trabalhar, em vista da proximidade do regresso do Senhor (1Ts 4:11; 5:14); o apóstolo já os havia advertido contra essa atitude extremista. Então, voltou ao assunto com nova ênfase (2Ts 3:2, 12). Paulo chegou ao ponto de pedir medidas disciplinares contra tais pessoas (3:14, 15).

Portanto, o tema da segunda epístola aos tessalonicenses é o mesmo da primeira: a piedade prática (1:11, 12). Os débeis deviam ser reanimados e novamente estabelecidos na fé (2:17); os agitadores deviam se calar (3:12). A igreja devia conhecer a obra enganadora do grande adversário que iria provocar a apostasia e o reinado do anticristo que seria finalmente destruído (2:3-12).

O conteúdo dos capítulos é o seguinte:

1. Saudação e ações de graças pela fé dos tessalonicenses.
2. O “mistério da iniquidade”.
3. Paulo pede orações. Advertências contra a vida desordenada. Saudações finais.

O livro Atos dos Apóstolos de Ellen G. White traz excelente material relativo a essa epístola: capítulo 25, sob o título “As Cartas aos Tessalonicenses”. Leia.

Saudações Novas (2Ts 1:1, 2)

Temos nesta passagem inicial toda a sabedoria de um verdadeiro mestre. Parece que os tessalonicenses haviam enviado a Paulo uma mensagem cheia de dúvidas. Tinham medo de que sua fé não resistisse à prova. A resposta de Paulo não tinha o propósito de afundá-los ainda mais no “Pântano do Desânimo” (John Bunyan), mas ressaltar suas virtudes e conquistas de tal maneira que aqueles cristãos desanimados pudessem encarar as pessoas e afirmar: “Bem, se Paulo tem esse conceito a nosso respeito devemos continuar resistindo em meio às crises”.

Foi isso que Paulo fez pela igreja tessalonicense. Sabia que um elogio no momento correto pode fazer mais que uma crítica indiscriminada, e que o louvor prudente nunca faz que alguém se acomode nos lauréis, mas se encha de vontade em fazer ainda mais e melhor.

O apóstolo reconheceu que as dádivas espirituais da graça e da paz podem vir somente de Deus. A graça é o amor de Deus em ação e, mediante Jesus Cristo proporciona gratuitamente completa salvação aos pecadores indignos, enquanto a paz é o resultado desse fato. Implica na compreensão íntima do perdão dos pecados, o reconhecimento da reconciliação com Deus (SDABC, v. 7, p. 272).

Ação de graças de Paulo (2Ts 1:3, 4)

É importante observar que, quando Paulo recebeu a boa notícia da espiritualidade da igreja em Tessalônica, não acreditou que ele mesmo, o fundador dessa igreja, devesse ser louvado pela espiritualidade dela, mas considerou que o fato era motivo para render graças somente a Deus.

Com isso, Paulo não estava afirmando que não havia debilidade na igreja. Ao contrário, nos capítulos seguintes ele assinalou sérios defeitos. Não obstante, queria que todos soubessem que ele tinha confiança em suas virtudes espirituais. As pessoas que viviam desordenadamente, nesse ponto da carta foram conservadas num plano secundário. O verso 3 contém uma mensagem alegre. O que temos aqui é uma alegria irresistível que, em forma de sinceras e humildes ações de graças, é dirigida ao Doador de todas as coisas boas. Mais tarde, escrevendo aos coríntios, o apóstolo exaltou as igrejas da Macedônia e insistiu para que seguissem o exemplo de seus irmãos macedônios em abrir o coração ao Espírito de Deus (2Co 8).

Segundo William Barclay, há três coisas que Paulo destacou como sinais de uma igreja saudável:

1. A fé estável. É uma das marcas do cristianismo em progresso que cada vez está mais seguro em Jesus Cristo. A fé que talvez tenha começado por uma hipótese culmina em uma certeza. O cristão alcança esse estágio em que acrescenta à emoção da primeira experiência a disciplina do pensamento cristão.
2. O amor em ascendência. Uma igreja que cresce é aquela que aumenta sua capacidade de serviço. Alguém pode começar servindo a seus semelhantes pelo sentimento do dever que a fé cristã lhe impõe, mas crescerá servindo sempre porque essa é sua maior alegria. A vida de serviço reserva a grande descoberta de que generosidade e felicidade caminham de mãos dadas.
3. A constância que resiste. Paulo usou uma palavra magnífica – hypomonê – que se traduz por paciência, porém não quer dizer a habilidade de alguém suportar passivamente o que acontece. O termo tem o sentido de “constância viril na adversidade” e descreve o coração que não somente se mantém firme em circunstâncias difíceis, mas que as conquista. Aceita os golpes da vida, mas, ao aceitá-los, transforma-os em degraus para novas realizações.

Sofrimento como sinal do fim (2Ts 1:5, 6)

A última frase do verso 4 diz: “...as perseguições e aflições que estão suportando.” Originalmente, suportar significa “manter-se erguido”, e portanto, “suster”, “levar”, “suportar”. Esta flexão verbal deve ser traduzida como “estais suportando”, e indica que os cristãos ainda estavam sendo perseguidos.

Justo juízo de Deus”. Esse juízo poderia ser a intervenção divina em favor de Seu povo (v. 6) e o grande castigo descrito nos versos 7 a 10. A fortaleza dos santos perseguidos é para os ímpios um presságio de sua própria e futura destruição.

O verso 5 contém a expressão “para que sejais considerados dignos do reino de Deus”. Entenda que o cristão nunca é, em si mesmo, digno do reino de Deus, nem os sofrimentos necessariamente o tornam digno. Não há nada que nos faça merecedores do reino de Deus. Porém, pela divina graça perdoadora somos “tidos por dignos”, com base no dom gratuito de Deus (Rm 6:23).

“Que Ele dê em paga tribulação aos que vos atribulam” (v. 6). Portanto, “pagar com a mesma moeda”, “retribuir”. Os princípios de justiça exigem que os seres humanos recebam uma retribuição correspondente às suas obras. Os que menosprezam a expiação do Salvador permanecem sem proteção e se expõem à justa retribuição divina (SDABC).

Não se esqueça de que a justiça de Deus se manifesta num sentido duplo: por um lado, ela é retributiva. Deus retribui (dá em troca) com aflições aqueles que afligem os crentes. Por outro lado, ela é remunerativa. Ele concede descanso (literalmente, cessar) àqueles que estão sendo afligidos, gracioso alívio de todas as asperezas que têm suportado em razão de sua valente batalha em favor da verdade (Hendriksen).

Fogo e destruição (2Ts 1:7-9)

Paulo gostava dessa palavra e a empregou no verso 7: o substantivo “apokálupsis”, literalmente, “descobrir”, “ato de remover um véu”, ou “revelação”. O autor identificou o repouso que os cristãos alcançarão com o segundo advento do Senhor em glória. Naquele momento os justos receberão sua recompensa e os ímpios seu castigo.

Paulo considerava que aqueles a quem o Senhor castiga pertencem a duas classes: os que não conhecem a Deus e os que não obedecem ao evangelho. Os primeiros são os que tiveram chance de conhecer a Deus, mas desprezaram esse privilégio. Os segundos são os que conheceram a mensagem evangélica, porém resistiram em obedecer-lhe. O Senhor mostra claramente que a razão que têm para rejeitar o evangelho, é seu amor ao pecado.

Podemos ainda destacar alguns itens importantes relacionados à Àquele através de quem Deus exercerá julgamento, descrito como “Senhor”. O título Senhor é frequentemente associado à parousia e ressalta a dignidade do Juiz.

Aparecem no verso 7 três frases que dão colorido ao quadro:
1ª. Ele vem do Céu – ressalta a origem e a autoridade do Senhor. Vem da morada de Deus com a autoridade de Deus para executar juízo e recompensa.
2ª. Vem com os anjos do Seu poder – que acompanham o Agente de Deus, o Filho do homem, de tal maneira que contribuam à glória e à majestade da Sua vinda, no julgamento.
3ª. Vem em chamas de fogo (v. 8) – talvez uma alusão a Isaías 66:15. A expressão não indica simplesmente uma teofania, mas, sim, sublinha o fato do julgamento e deve ser ligada com a frase que se segue: “tomando vingança” (Marshall).

No grande dia do advento, o Senhor Se revelará com Sua própria glória, com a glória de Seu Pai e dos santos anjos. Essa glória aparece como fogo ante os olhos dos mortais.

Glorificando a Cristo (2Ts 1:10-12)

A mensagem animadora de Paulo acaba na visão mais alentadora de todas. Termina no que se poderia chamar de “a glória recíproca”. Quando Cristo vier outra vez será “glorificado em Seus santos e admirado pelos que creram” (v. 10). Essa foi uma palavra de consolo para a congregação como um todo, mas especialmente para aqueles que ficaram perplexos ante o estado de sua salvação e da sorte daqueles crentes que já haviam partido desta vida.

Observe com cuidado as expressões do verso 11: “pelo que também rogamos sempre por vós, para que o nosso Deus vos faça dignos da sua vocação...” Pelas evidências, Paulo sabia que, como resultado de orações constantes, os tessalonicenses viveriam e se comportariam como convém aos que são chamados, de modo que, no dia do juízo, Deus os consideraria dignos de entrar no reino. Na corrente da salvação, que conecta uma eternidade com outra, a oração constante e a santificação diária são elos indispensáveis (Hendriksen).

O apóstolo estava interessado em algo mais além da salvação dos tessalonicenses. Ele desejava que toda obra resultante de fé alcançasse sua realização e que os leitores pudessem ser considerados dignos, a fim de que fosse alcançado o mais elevado propósito, como expressa o verso 12: “para que o nome de nosso Senhor Jesus Cristo seja glorificado em vocês, e vocês nEle...”

Nessa expressão é o nome do Senhor que é glorificado. E o nome de Cristo é o próprio Cristo, como Ele Se revelou. Portanto, quando homens aceitam Sua salvação e reconhecem Seu senhorio, Seu nome é glorificado neles. Isso, por sua vez, reflete glória sobre eles.

Aqui temos a verdade vertiginosa de que nossa glória é Cristo e a glória de Cristo somos nós. A glória de Cristo está naqueles que aprenderam com Ele a resistir e a conquistar e assim brilhar como luzeiros em lugar escuro. A glória de um mestre está nos discípulos que produz; a dos pais, nos filhos que educam não somente para que ganhem a vida, mas para que a enriqueçam; a nós é concedido o imenso privilégio e a tremenda responsabilidade de que a glória de Cristo esteja em nós. Podemos contribuir para crédito ou descrédito do Mestre a quem pertencemos e tratamos de servir (Barclay).

Pode haver maiores privilégio e responsabilidade?

Que o batismo do Espírito Santo possa vir sobre nós, para que sejamos imbuídos do Espírito de Deus! Então, dia a dia nos tornaremos mais e mais semelhantes à imagem de Cristo e, em cada ato de nossa vida, a pergunta será: “Glorificará isto a meu Mestre?” Por meio da paciente continuidade em fazer o bem, buscaremos glória e honra e receberemos o dom da imortalidade (Ellen G. White, Minha Consagração Hoje [MM, 1989], p. 49).

O autor dos comentário deste trimestre é o Pr. José Silvio Ferreira, casado com a psicóloga Ellen Ferreira. O casal tem três filhos: Maltom Guilherme, Marlom Henrique e Mardem Eduardo. Doutor em Teologia pelo Unasp, o Pr. José Silvio já trabalhou como distrital, líder de jovens e secretário ministerial, atendendo a igreja nos Estados de Goiás, Espírito Santo, Paraná, Rio de Janeiro e São Paulo, onde atua hoje como Ministerial da Associação Paulistana. É autor do livro Cristo, Nossa Salvação.



ES – Lição 10 - Vida da igreja (1Ts 5:12-28) – 3º Trim, 2012






NOVO TEMPO

Lições da Bíblia


Vida da igreja (1Ts 5:12-28)








Lição 10 – de 1º a 8 de setembro

Vida da igreja (1Ts 5:12-28)







Sábado à tarde
Ano Bíblico: Ez 14–17

VERSO PARA MEMORIZAR: “Não desprezeis as profecias; julgai todas as coisas, retende o que é bom” (1Ts 5:20, 21).

Leituras da semana: 1Ts 5:12-28; Mt 5:43-48; Gl 5:22; Fp 4:4; Jo 15:4-6

Pensamento-chave: Paulo deu aos tessalonicenses, tanto líderes quanto membros leigos, conselhos muito práticos e também espirituais sobre a maneira de se relacionar uns com os outros.

Paulo conclui sua primeira carta aos Tessalonicenses com dezessete admoestações (1Ts 5:12-22), seguidas por uma oração de encerramento (1Ts 5:23-27). A lição desta semana começa com três advertências sobre a atitude dos membros da igreja local para com seus líderes (1Ts 5:12, 13). Essas advertências são seguidas por seis imperativos sobre o modo pelo qual os líderes da igreja devem se comportar para com seu povo.

Oito admoestações breves seguem nos próximos sete versos (1Ts 5:16-22). Elas podem ser organizadas em dois grupos: três conselhos sobre uma atitude cristã positiva (1Ts 5:16-18) e cinco a respeito da maneira de se relacionar com a nova luz na forma de profecias (1Ts 5:19-22).

Na oração de conclusão, Paulo resume o tema principal da carta: que os crentes em Tessalônica e em outros lugares continuassem crescendo em santidade até a segunda vinda de Jesus. Em outras palavras, eles deviam viver cada dia em preparação para a vinda do Senhor. Em certo sentido, o que poderia ser mais “verdade presente” do que essa mensagem?

Domingo
Ano Bíblico: Ez 18–20

Resposta ao ministério (1Ts 5:12, 13)

Os dois versos no centro da lição de hoje seguem a admoestação de encerramento da lição da semana passada: “Consolai-vos, pois, uns aos outros e edificai-vos reciprocamente” (1Ts 5:11). Essa obra ocorre na igreja local, no processo de orientação e discipulado. A lição de hoje se concentra no modo pelo qual os discípulos devem responder aos esforços de seus líderes e mestres.

1. Leia 1 Tessalonicenses 5:12, 13. Qual é a lição básica de Paulo e como devemos aplicá-la à nossa vida? De que forma podemos apoiar, amar e trabalhar melhor com os “que [nos] presidem no Senhor”?

A estrutura do grego do verso 12 indica que as três expressões na segunda metade se referem ao mesmo grupo, os líderes da igreja de Tessalônica. Paulo exorta os membros da igreja a “reconhecer” esses líderes, o que significava notar, respeitar ou acatar com apreço. A implicação é que, talvez, alguns na igreja não respeitassem as autoridades.

A palavra admoestar tem a conotação de instruir, advertir ou mesmo “ensinar uma lição de forma enérgica”. Paulo reconhece que os líderes da igreja sempre necessitarão exercitar o “amor severo”. Esse tipo de liderança nem sempre é bem-vinda. No entanto, no verso 13, ele segue pedindo que os membros estimem seus líderes de modo elevado, por causa das questões difíceis com as quais eles têm que lidar. Paulo deseja que todos os membros da igreja estejam em paz uns com os outros.

A linguagem desses versos reflete estratégias antigas para lidar com as pessoas. Os líderes influentes dos dias de Paulo sabiam que lidar com pessoas é um trabalho delicado. Eles encorajavam os líderes a diagnosticar cuidadosamente a condição de seus seguidores, ter sensibilidade para perceber se o seguidor estava aberto à correção, escolher o momento certo e aplicar o remédio adequado. Acima de tudo, os líderes deviam examinar a si mesmos antes de tentar corrigir os outros. Paulo adiciona elementos a esse sistema. Para o cristão, Deus é o modelo de liderança, e o objetivo da liderança da igreja é que a vida dos membros honre a Deus.

Em algumas culturas, há uma tendência de desconfiar e desafiar a liderança; em outras, de se submeter cegamente. Como a atitude da cultura em relação às autoridades tem afetado sua igreja?

Segunda
Ano Bíblico: Ez 21–23

Ministério de apoio (1Ts 5:14, 15)

Nos versos 12 e 13, Paulo abordou maneiras pelas quais os membros da igreja devem tratar seus líderes. No texto de hoje (1Ts 5:14, 15), ele volta a atenção aos líderes da igreja e como eles devem tratar as pessoas sob seu cuidado.

2. Que advertência Paulo deu aos líderes sobre a maneira de tratar os membros da igreja? Considere os princípios do texto. Como podemos aplicá-los ao nosso ministério na igreja? Como devemos praticá-los no trabalho, em casa e no lazer? 1Ts 5:14, 15; Mt 5:43-48

Paulo encoraja os líderes de Tessalônica a que admoestem “os insubmissos” (1Ts 5:14). Os insubordinados eram membros que se recusavam a sustentar a si mesmos. Por causa de sua atitude, era difícil lidar com eles. Essas pessoas deviam ser confrontadas.

Em contraste com isso, Paulo instrui os líderes da seguinte maneira: “Consoleis os desanimados, ampareis os fracos e sejais longânimos para com todos” (1Ts 5:14).

Os “desanimados” são pessoas que têm pouca autoconfiança ou senso de valor. Estão ansiosas e preocupadas com muitas coisas. Essas pessoas são importantes para Deus. Por isso, os líderes devem incentivá-las.

Os “fracos” são os que têm limitações morais e espirituais. São ingênuos, facilmente desencorajados por dificuldades e têm medo do desconhecido. Seu coração pode estar no lugar certo, mas lhes falta conhecimento e estão perturbados pelo passado. Precisam de ajuda para sobreviver.

Paulo orienta os líderes da igreja a ser pacientes com todos. Enquanto os três primeiros conselhos do verso 14 são ajustados para atender diversas condições, a paciência é sempre apropriada para o cuidado pastoral.

No verso 15, Paulo provavelmente ainda tivesse em mente os líderes. Sempre que aqueles que cuidam são atacados pelos que não apreciam suas admoestações, eles podem ser tentados a retaliar. Mas quando os líderes revidam, demonstram que sua liderança não é motivada pelo espírito de Cristo. Fundamental para a liderança saudável na igreja é ter em mente o bem dos outros.

Os versos 12-15 presumem que haja mestres e discípulos na igreja e é importante haver muito respeito e paciência nesses relacionamentos. Mas não devemos esquecer 1 Tessalonicenses 5:11 (“Consolai-vos, pois, uns aos outros e edificai-vos reciprocamente”). Muitas vezes, o cuidado pastoral deve ser recíproco. Há momentos em que os mestres precisam ser orientados.

Terça
Ano Bíblico: Ez 24–26

Atitudes cristãs positivas (1Ts 5:16-18)

De acordo com 1 Tessalonicenses 5:12-15, os cristãos precisam aprender a aceitar e a oferecer a crítica construtiva. Isso pode acontecer apenas no contexto do relacionamento. A conclusão é de que cada cristão precisa ser responsável perante os outros e deve estar disposto a considerá-los responsáveis. Uma igreja que ora cresce em admoestação e encorajamento.

3. Que três coisas Paulo considerava ser a vontade de Deus para cada crente? Por que cada uma delas é tão importante?1Ts 5:16-18; Gl 5:22; Fp 4:4

Glenn Coon, um querido pregador adventista, gostava de dizer que, na Bíblia há muito mais ordens de se alegrar do que de guardar o sábado. No entanto, raramente damos à alegria a ênfase que ela merece. Uma vida alegre é um dos frutos do Espírito (Gl 5:22; Fp 4:4). E a alegria cheia do espírito é possível mesmo no sofrimento (1Ts 1:6).

Paulo certamente foi um modelo do que significa orar sem cessar. Como já vimos, a primeira carta aos Tessalonicenses está impregnada de oração. Paulo convidou os leitores dessa carta a seguir seu exemplo.

Gratidão é outra atitude cristã positiva que Paulo demonstrou (1Ts 1:2; 2Ts 1:3). Na raiz da depravação pagã estava a falta de gratidão a Deus (Rm 1:21). De acordo com Thomas Erskine, “No Novo Testamento, religião é graça e ética é gratidão” (Citado em F. F. Bruce, Paul: Apostle of the Heart Set Free [Paulo: Apóstolo do Coração Libertado]; United Kingdom, The Paternoster Press, 1977, p. 19). É interessante notar que as palavras gregas para “alegrar-se” e “ser grato” têm a mesma raiz básica. A chave para a alegria piedosa é um espírito contínuo de gratidão a Deus.

Abra seus olhos. Os dons de Deus estão todos à nossa volta. Nós apenas nos esquecemos de Lhe agradecer por eles, muitas vezes porque estamos muito concentrados nas provações e lutas da vida. Se cultivássemos cada vez mais a atitude de gratidão a Deus, nossa caminhada com Ele seria muito mais íntima e nossa vida, cheia de alegria.

Faça uma lista de dez coisas pelas quais você é grato. Seja bem específico. Em seguida, faça de cada item o motivo de uma breve oração a Deus. Observe as mudanças que ocorrerão em toda a sua atitude e perspectiva. Essa prática pode mostrar a você a importância da gratidão em nossa experiência com Deus.

Quarta
Ano Bíblico: Ez 27–29

Conhecendo a “nova luz” (1Ts 5:19-22)

4. “Não apagueis o Espírito. Não desprezeis as profecias; julgai todas as coisas, retende o que é bom; abstende-vos de toda forma de mal” (1Ts 5:19-22). Como essas palavras podem ser aplicadas em nossa experiência? Que “forma de mal” devemos, na nossa realidade, nos esforçar muito para evitar? (1Ts 5:19-22). Como essas palavras podem ser aplicadas à nossa experiência?
Em 1 Tessalonicenses 5:12-15, Paulo estava advertindo a igreja. Nos versos 19-22, ele apresenta outra forma de admoestação: o dom de profecia. As duas expressões negativas com as quais ele começou essa seção são contínuas na ênfase: “Pare de apagar o Espírito” e “pare de desprezar as profecias” (1Ts 5:19, 20, tradução do autor). Ele estava basicamente dizendo aos tessalonicenses que deixassem de fazer algo que estavam fazendo constantemente.

Embora não saibamos qual problema específico Paulo estava abordando, parece que ele estava exortando os cristãos a ser abertos a mais luz e, ao mesmo tempo, estava dizendo para testá-la, para se certificar de que era realmente luz (2Co 11:14).

Existem várias maneiras de enfraquecer o dom de profecia. Uma delas é “apagar o Espírito”. Fazemos isso quando ignoramos ou resistimos à obra de um profeta verdadeiro. Mesmo dentro de nossas fileiras, considere toda a oposição ao dom profético que recebemos na vida e no ministério de Ellen White.

Uma segunda maneira de enfraquecer o dom de profecia é aceitar o que é dito, mas interpretá-la ou aplicá-la de modo equivocado. Podemos lidar com uma mensagem profética tendo a mente aberta, mas aplicar o que é dito de forma inadequada à situação imediata. Precisamos ter muito cuidado com isso. Recebemos um dom maravilhoso e não queremos debilitá-lo pelo uso errado.

Uma terceira maneira de enfraquecer o dom de profecia é dar autoridade profética a pessoas ou escritos que não receberam o dom de Deus. A igreja deve estar continuamente vigilante, pondo à prova todas as coisas para ver se a mensagem profética está edificando a igreja.

Qual tem sido a influência do ministério profético de Ellen White em sua vida? Comente sua resposta com a classe.

Quinta
Ano Bíblico: Ez 30–32

Santidade no tempo do fim (1Ts 5:23-28)

5. O que significa ser santificados “em tudo” e ser “conservados íntegros e irrepreensíveis” na vinda do Senhor? Não deveríamos estar nessa condição agora mesmo? 1Ts 5:23, 24
No texto de hoje, Paulo volta à linguagem da oração. Seu estilo é semelhante ao de 1 Tessalonicenses 3:11-13. Seu tema principal também é semelhante: estar irrepreensível em santidade na segunda vinda de Jesus. Paulo faz aqui uma transição do que os tessalonicenses deviam fazer (1Ts 5:12-22) para o que Deus faz em nós (santidade) e por nós (a segunda vinda de Cristo).

Muitas vezes, os cristãos têm discordado a respeito do que exatamente esse texto revela sobre a natureza dos seres humanos e do tipo de caráter que eles podem esperar ter quando Jesus voltar. Em nosso breve encontro com essa passagem, focalizaremos o que pode ser dito claramente com base no texto.

Paulo está dizendo que Deus alcança a pessoa inteira do crente. Cada parte da vida do cristão deve ser afetada pela santificação à medida que se aproxima a vinda de Jesus. Ao falar de “espírito, alma e corpo”, Paulo não está tentando ser científico e preciso acerca das várias camadas da pessoa humana (no pensamento bíblico, mente e corpo são um todo unificado, não partes que existem separadamente). Ao contrário, ele está expressando que cada parte de nossa mente e do corpo deve ser submetida a Deus. O Senhor deve ter o controle total de nossos pensamentos, sentimentos e ações.

A oração de Paulo se estende do tempo presente até a segunda vinda de Cristo. Os crentes devem ser conservados ou mantidos irrepreensíveis até a vinda do Senhor. Paulo está orando para que a plenitude de sua dedicação a Deus seja mantida até o fim. De acordo com essa carta, os tessalonicenses estavam longe da perfeição, mas o que eles já haviam alcançado valia a pena preservar até a volta de Jesus. Entre outras coisas, Paulo está orando para que eles continuem crescendo na graça por meio de um relacionamento com Jesus (leia também Jo 15:4-6).

De que forma você pode e deve se preparar a cada dia para a vinda do Senhor?

Sexta
Ano Bíblico: Ez 33–35

Estudo adicional

Requer-se muita paciência e espiritualidade para introduzir a religião bíblica na vida familiar e profissional, suportar a tensão dos negócios do mundo e ainda conservar os olhos voltados unicamente para a glória de Deus. Aí é que Jesus era um auxiliador. Nunca estava tão cheio de cuidados do mundo que não tivesse tempo para pensar nas coisas de cima. Expressava frequentemente o contentamento do coração, cantando salmos e hinos celestiais. Muitas vezes os moradores de Nazaré ouviam Sua voz se erguer em louvor e ações de graças a Deus. Por meio de cânticos entretinha comunhão com o Céu e, quando os companheiros se queixavam da fadiga do trabalho, eram animados pela doce melodia de Seus lábios. Parecia que Seu louvor bania os anjos maus e, como incenso, enchia de fragrância o lugar em que Se achava. A mente dos ouvintes era afastada de seu terreno exílio, para o lar celestial” (O Desejado de Todas as Nações, p. 73).

“Coisa alguma tende mais a promover a saúde do corpo e da mente do que um espírito de gratidão e louvor. É um positivo dever resistir à melancolia, às ideias e sentimentos de descontentamento – dever tão grande como é orar” (Ellen G. White, A Ciência do Bom Viver, p. 251).

Perguntas para reflexão

1. Em sua opinião, qual tem sido a influência de Ellen White sobre a igreja como um todo? Como o ministério dela tem influenciado sua vida?
2. Como a atitude da nossa cultura em relação às autoridades afeta nossa atitude para com a autoridade na igreja? Nossa cultura nos incentiva a desrespeitar as autoridades ou a demonstrar elevado respeito para com elas?
3. Como sua igreja pode fazer um trabalho melhor de orientação aos novos crentes no crescimento do caráter?

Resumo: No texto da semana, Paulo focalizou especialmente a qualidade espiritual da vida da igreja. Os cristãos devem orientar uns aos outros e ser alegres e agradecidos. Eles também devem estar abertos a novas verdades, principalmente a verdade profética, mas devem ser cuidadosos em sua avaliação das novas ideias. Acima de tudo, Paulo nos chama a uma completa submissão a Deus em todas as áreas da vida pessoal e a manter o pensamento na vinda de Jesus.

Respostas sugestivas: 1:Devemos acatar e apreciar nossos líderes, atentando para suas exortações, seguindo suas orientações e demonstrando espírito de gratidão e cooperação. 2: Os líderes devem admoestar os insubmissos, consolar os desanimados, amparar os fracos, ser pacientes e promover o perdão e o bem entre os irmãos; devem tratar a todos com amor, mesmo os injustos. 3: Alegria, oração e gratidão; são importantes porque demonstram a ação do Espírito Santo na vida e indica submissão aos mandamentos divinos. 4: Abrindo o coração para a influência e ensinamento do Espírito Santo na obra dos profetas, tendo o cuidado de verificar se as profecias são verdadeiras; evitando o mal, na forma de falsas profecias, conduta impura e atitude desordenada; devemos viver em santidade. 5: A cada dia e no dia da vinda de Jesus, devemos consagrar toda a nossa vida ao Senhor, espírito, alma e corpo; se aceitarmos o desafio, Deus é fiel para realizá-lo.


Resumo da Lição 10 – Vida da igreja (1Ts 5:12-28)







O aluno deverá...

Saber: A importância do papel de líderes e membros da igreja na vida e bem-estar das comunidades de fé.

Sentir: O desejo de tornar a igreja um lugar em que líderes e membros convivam em harmonia.

Fazer: Decidir ser uma influência positiva e amorosa, para o bem dos outros.

Esboço

I. Saber: A necessidade de bons líderes e seguidores comprometidos

A. A obra de Deus sempre prosperou sob o cuidado de bons líderes espirituais. Que qualidades Deus deseja ver nos líderes da igreja, e como suas responsabilidades devem ser realizadas? 1Tm 3:1-7; Tt 1:6-9; 1Ts 5:14.
B. Que exemplos você encontra entre os juízes e reis de Israel que ilustram a influência positiva ou negativa que os líderes têm sobre os outros?
C. Jesus disse: "’Toda... casa dividida contra si mesma subsistirá’"(Mt 12:25). O que os líderes e membros da igreja podem fazer para unir a igreja?

II. Sentir: Atitude de gratidão

Você tem se beneficiado da admoestação, encorajamento e ajuda oferecidos pela igreja? Como você se sentiu diante dessas ações?

III. Fazer: Gratidão e influência pessoal

A. Sendo líder ou seguidor, cada um tem algum tipo de influência. Sua influência torna a igreja um lugar melhor?

B. O que você pode fazer para mostrar sua apreciação e amor pelo trabalho dos líderes da sua igreja?

Resumo: Líderes e membros da igreja em geral devem cumprir suas respectivas funções com uma atitude de respeito e amor uns pelos outros, enquanto trabalham juntos para fazer avançar a causa de Deus.

Ciclo do aprendizado

Motivação

Conceito Chave para o Crescimento Espiritual: A vida no corpo de Cristo deve ser fundamentada na submissão completa a Deus e marcada pela expressão de amor mútuo, respeito e apoio entre os líderes da igreja e os membros em geral.

Um famoso especialista em liderança diz que toda a ascensão ou queda se deve à liderança. Por mais chocante que isso pareça, a própria história testemunha a verdade dessa afirmação. Seja nas histórias dos reis de Israel no Antigo Testamento ou nas histórias mais recentes do mundo dos negócios e sobre os líderes mundiais, percebemos que os líderes desempenham um papel extraordinário em determinar o sucesso ou o fracasso do povo e dos acontecimentos que estão sob sua liderança.

Para destacar o tipo de diferença que um líder cristão pode fazer no mundo ou na igreja, reflita nas seguintes qualidades de um líder de sucesso. Um líder de sucesso é aquele que: 1. Usa seu poder para o bem no momento certo e da maneira correta; 2. É responsável por seus próprios erros; 3. É honesto não apenas nas coisas grandes, mas também nas pequenas; 4. Motiva e inspira os outros; 5. Lidera pelo exemplo; 6. Põe os outros em primeiro lugar; 7. Supera as adversidades; 8. Mantém sua integridade com firmeza; 9. Sabe quando pode se comprometer sem prejudicar os princípios; 10. Coloca o serviço ao próximo acima da promoção pessoal (John C. Maxwell, Developing the Leader Within You [Desenvolvendo o Líder Dentro de Você]; Nashville; Thomas Nelson, Inc., 1993, p. IX, 201, 202).

Pense nisto: Embora essas qualidades de liderança certamente sejam inspiradoras, muito frequentemente elas parecem ser mais a exceção do que a regra. O que uma pessoa precisa fazer para manifestar ou desenvolver tais habilidades de liderança?

Compreensão

Comentário Bíblico

I. A importância e as responsabilidades dos líderes da igreja

(Recapitule com a classe 1Ts 5:12-15.)

É importante lembrar que, quando Paulo escreveu essas instruções finais aos tessalonicenses, a igreja de Tessalônia tinha apenas alguns meses de existência e era composta basicamente de gentios convertidos. Isso significa que os líderes nomeados pelo apóstolo haviam tido pouco tempo para um treinamento formal antes de ser repentinamente (e certamente de modo desconfortável) lançados no centro das atenções. Ainda que eles fizessem o seu melhor para preencher a lacuna de poder deixada pela ausência de Paulo, é compreensível que nem todos ficassem satisfeitos com os novos arranjos. Uma coisa era ouvir Paulo, mas uma coisa totalmente diferente ouvir líderes que eram novos cristãos, assim como qualquer um deles.

À luz da perseguição enfrentada pelos Tessalonicenses depois da partida de Paulo, não é difícil imaginar que os líderes da igreja tenham cometido alguns erros ao longo do caminho e que alguns membros provavelmente não levassem muito a sério sua autoridade. Foi contra esse pano de fundo que Paulo exortou os conversos tessalonicenses a acatar com apreço os seus líderes e valorizá-los pelo trabalho que eles faziam (1Ts 5:12).

Em que tipo de trabalho os líderes de Tessalônica estavam envolvidos? Paulo não apresenta muitos detalhes, mas mostra algumas evidências que nos ajudam. Primeiro, Paulo descreve os líderes locais como aqueles que “trabalham entre” os irmãos (1Ts 5:12). A palavra traduzida como “trabalho” se refere a um tipo difícil de trabalho e aos exaustivos esforços associados ao trabalho manual. Levando em conta que os líderes de Tessalônica muito provavelmente tivessem empregos de tempo integral, além de suas responsabilidades na igreja, eles certamente ficavam fisicamente esgotados no fim do dia. Mas a parte muito mais difícil do ministério é a exaustão espiritual, mental e emocional que resultam das preocupações com os fardos, angústias e necessidades dos outros.

Outro aspecto do trabalho dos líderes da igreja era a tarefa da “admoestação”, que se refere ao ofício de advertir contra o mau comportamento e as consequências que resultam de tal comportamento. Mesmo que a tarefa de admoestar nunca seja fácil, é importante notar que a palavra usada por Paulo não envolve o tipo de repreensão severa que deixa uma pessoa se sentindo menosprezada e amargurada. O objetivo da admoestação não é ferir, mas curar.

Embora os líderes da igreja sejam responsáveis pelo cuidado de sua congregação local, Paulo deixa claro que o trabalho do ministério não deve ser responsabilidade única dos líderes. Todos somos chamados a cuidar uns dos outros, seja advertindo os desobedientes, encorajando os desanimados ou ajudando os fracos espiritualmente (Rm 14:1, 2; 1Co 8:10, 11). Em todos os casos, é importante lembrar de ser paciente (Rm 15:1; 1Co 13:4) com aqueles a quem estamos ministrando.

Pense nisto: Paulo declara que o ministério é uma obra que pertence tanto aos líderes quanto aos membros em geral. Por que é importante não fazer do ministério uma tarefa exclusiva da liderança?

II. A última palavra

(Recapitule com a classe 1Ts 5:23, 24.)

As instruções de Paulo à liderança e aos leigos deixa claro que o tipo de vida que Deus deseja para Seu povo não acontece automaticamente, uma vez que a pessoa vem para Jesus. Depende de determinação pessoal para entregar a vida ao Senhor diariamente e de tomar a cada momento a decisão de colocar as necessidades dos outros antes das nossas. Mas isso ainda não é suficiente. Paulo deixa claro que todos necessitamos do ensinamento e liderança cristãos. A preparação para o reino de Deus não é uma tarefa solitária, mas também requer o afetuoso cuidado e apoio da família da igreja.

Mas agora, depois de todas as instruções que Paulo havia dado sobre viver de modo agradável a Deus (1Ts 4:1), ele lembra os tessalonicenses de que, no fim, Deus é o único capaz de produzir tal mudança em nossa vida. Não podemos fazer com que isso aconteça. O poder necessário para ter uma vida de santidade está em Deus e somente em Deus (1Ts 3:13). E, se quisermos, Ele fará essa obra em nossa vida.

Pense nisto: Quando falam sobre a maneira de viver a vida cristã, algumas pessoas usam a expressão “Let go, and let God” [Abra mão da sua vontade e permita que Deus realize a vontade dEle]. Em que sentido essa expressão é verdadeira, e em que sentido está equivocada?

Aplicação

Perguntas para reflexão

1. Paulo designa a responsabilidade de admoestar tantos aos líderes quanto aos leigos. Que lição obtemos a respeito de como lidar com os pecados na igreja a partir do ensinamento de Jesus em Mateus 18:15–20 e da situação que Paulo descreve em 1 Coríntios 5:1-5?

2. Paulo termina suas cartas com instruções específicas relevantes às necessidades de cada congregação. Compare Fp 4:1-9 e Cl 4:2-18com 1Ts 5:12-22. Que aspectos dos conselhos de Paulo são iguais? Qual é a razão para os conselhos semelhantes?

3. Embora os tessalonicenses estivessem experimentando perseguição por causa de sua fé, Paulo os instruiu a dar graças em tudo (1Ts 5:18). O que Paulo estava querendo dizer? Com Base em que eles poderiam ser gratos?

Perguntas de aplicação

1. Como podemos demonstrar respeito e consideração pelos líderes da igreja quando lidamos com conflitos? E nos casos de problemas de comportamento?

2. Paulo diz que os cristãos devem ser pacientes e bondosos para com todos. Os outros percebem você como alguém bondoso e paciente? Se não, o que você pode fazer para mudar a percepção deles?

3. O que mais o encorajou espiritualmente no estudo de 1 Tessalonicenses?

Criatividade

Só para o professor: Os seres humanos aprendem melhor quando têm um modelo ou exemplo a seguir. Use a seguinte atividade para ajudar os alunos a imaginar e apresentar exemplos concretos das qualidades abstratas de liderança destacadas no Passo 1.

Atividade: Divida a classe em grupos de no máximo cinco pessoas. Coloque um número ao lado de cada uma das dez qualidades de liderança listadas no Passo 1 e dê uma cópia para cada pessoa. Oriente os grupos a escrever o nome de pelo menos uma pessoa que ilustra positivamente cada uma das qualidades de liderança. Depois que eles terminarem, peça que os grupos compartilhem suas listas.
                                                                  
Para concluir, encoraje os alunos a levar suas listas individuais para casa e colocá-las na porta da geladeira ou em algum lugar visível. Incentive cada um deles a olhar para a lista durante a semana a fim de demonstrar as qualidades de liderança durante as semanas seguintes.

Lição 10 – VIDA DA IGREJA

Texto – 1 Tessalonicenses 5:12-28
Secretário Ministerial 
Associação Paulistana

Uma nova seção começa claramente em 5:12. Paulo já havia completado suas instruções e exortações específicas acerca da ética cristã e da vinda do Senhor, e então, se voltou para uma terceira área de instrução e encorajamento gerais.

O tema da lição desta semana me enche de entusiasmo, pois tem a ver com um aspecto prático na vida da igreja. A meu ver, um dos grandes anseios de todo adventista leal é ver sua congregação cheia de entusiasmo e motivada para cumprir a missão que lhe foi designada. Ao rever o direcionamento seguro que Paulo ofereceu à comunidade cristã de Tessalônica, fica estabelecido um modelo de procedimentos para nós, membros da igreja do século 21.

Em primeiro lugar, o Novo Testamento conheceu unicamente membros ativos da igreja. A imagem moderna de igreja composta de uma massa passiva, em favor da qual se empenham alguns “ministros” não é bíblica e contradiz a essência de uma igreja de Jesus. Por isso, a presente carta ao mesmo tempo salienta e pressupõe como fato, o que Paulo expressou com as seguintes palavras: “consolai uns aos outros”, “todos vós sois filhos do dia e filhos da luz”, “exortai uns aos outros”, “edificai um ao outro” (Werner de Boor).

“Consolar”, “exortar” e “edificar” é algo de que não apenas “pastores” são encarregados ou exclusivamente “autorizados”. Nessas congregações vivas e ativas existiam pessoas “que [labutavam] em [seu] meio”. Porque a longo prazo, nenhuma comunhão de pessoas pode subsistir somente com os respectivos serviços voluntários. Não é possível existir sem serviços organizados e permanentes. Daí a suprema importância de unidade e sincronia entre pastores, obreiros e membros, voluntários nas igrejas de nossos dias.

Resposta ao ministério (1Ts 5:12,13)

Com a ausência dos fundadores, o estabelecimento de uma liderança na igreja era uma das principais preocupações. Mas a pergunta sempre era: “quem estará preparado para assumir essa responsabilidade?” Há listas de qualificações nas epístolas pastorais que orientavam Timóteo e Tito nas nomeações de anciãos e diáconos em Éfeso e Creta (1Tm 3:1-11; Tt 1:5-9). Mas no caso de Tessalônica, o texto não informa como foram selecionados os novos líderes. O verso 12 sugere que os apóstolos simplesmente reconheciam a liderança emergente. A exortação à comunidade era: “agora vos rogamos, irmãos, que acateis com apreço os que trabalham entre vós e os que vos presidem no Senhor e vos admoestam”.

Os que deviam ser reconhecidos como líderes e que recebiam a aprovação apostólica eram aqueles que faziam o trabalho. O que legitimava a liderança não era sua posição nem destaque social, como era a prática comum nas sociedades grega e romana, mas o trabalho que realizavam entre os membros da congregação.

Paulo descreveu o trabalho desses líderes de três maneiras. No texto grego aparece somente um artigo que rege os três particípios que aclaram sua função, portanto não se deve pensar que se tratasse de três tipos distintos de líderes. Todos eles são “os que trabalham arduamente entre vós, e vos guiam e admoestam no Senhor”.

“Trabalham arduamente” – vem de um verbo que significa um tipo de labor esgotante. É usado repetidas vezes para descrever os labores ministeriais em favor das igrejas (1Co 3:8; 15:58; 1Ts 3:5), e destaca o fato de que o verdadeiro líder se esforça pelo bem-estar da igreja. Os primeiros líderes da igreja em Tessalônica deviam ser como Jason (At 17:5-9), que dirigiam a congregação. Os que guiavam os irmãos eram os mesmos que buscavam seu benefício. Também eram os que admoestavam a congregação, isto é, os que corrigiam seus erros doutrinários e morais.

Lembre-se: na congregação dos tessalonicenses, os que se destacavam por seu trabalho, sua direção, provisão, proteção e correção eram aqueles que deviam ser reconhecidos como os verdadeiros líderes. Não a posição social nem os títulos, mas a atividade entre os irmãos era o que os separava para esse ministério. Não seria esse um belo modelo para nossas igrejas hoje?

O verso 13 chama os irmãos à lealdade para com os que eles mesmos reconheciam como seus líderes e aos demais membros da comunidade cristã. O alto respeito é demonstrado num contexto de profundo amor fraternal e não simplesmente como a sujeição de um súdito a alguém de posição superior. A relação entre os irmãos e seus líderes não era a única preocupação. O apóstolo também chamou os cristãos a um compromisso de lealdade entre si: “vivam em paz uns com os outros”.

No campo das relações humanas, a expressão “viver em paz” denotava a ausência de discórdia e a manutenção da harmonia entre as pessoas. Parece que o relacionamento entre os membros da igreja tessalonicense era bastante bom (1:3; 4:9-10), mas alguns irmãos não estavam trabalhando e sua dependência como “clientes” causava tensão (v. 14). Por isso  a exposição apostólica terminou com uma oração pela paz.

Ministério de apoio (1Ts 5:14, 15)

Deixando o tema da lealdade comunitária, Paulo exortou os irmãos a respeito de como eles deviam responder aos vários grupos dentro da congregação. Ele mencionou os “insubmissos”, os “desanimados” e os “fracos” (parece que esses “sempre os [teremos conosco]”), e finalmente instruiu sobre qual devia ser a atitude correta “para com todos”.

Essa responsabilidade ministerial não era somente para os líderes, mas para todos os membros da igreja. Isso quer dizer que, embora a liderança tivesse um papel importante dentro da congregação, o trabalho do ministério não se colocava exclusivamente em suas mãos. Os membros da congregação tinham (e têm) parte na responsabilidade comum de ajudar uns aos outros para sua edificação.

Aqui a instrução começa com o vocativo “irmãos”, e a exortação “que admoesteis os insubmissos”. A igreja não devia permanecer passiva frente à conduta desordenada de seus membros, mas devia responder para corrigir seu comportamento. Os que necessitam de admoestação são os insubmissos (em grego ataktous), os “que estão fora de ordem”, ou “indisciplinados”. Esse é o sentido do termo que se encontra em vários textos da época, inclusive nos “estatutos” do ginásio de Bereia que prescreve as medidas disciplinares que se deviam tomar para corrigir a conduta dos que não seguiam os regulamentos.

Em seguida, o apóstolo exortou aos tessalonicenses: “estimulem os desanimados”. Esses eram os que estavam em sério perigo de cair em apostasia. Tanto a adversidade que sofriam como a morte de seus amados, eram motivos suficientes para que alguns membros da congregação se desanimassem. A responsabilidade dos demais, frente a essa necessidade, era “estimular”, isto é, animá-los para que cobrassem novo ânimo.

Paulo também focalizou um grupo identificado como “os fracos”, a respeito dos quais insistiu para que fossem amparados. Os fracos, ou débeis, podiam ser simplesmente os que não tinham boa posição social, talvez por terem a condição de escravos ou libertados, ou por causa de situação econômica adversa. Lembre-se de que a sociedade grega não considerava a debilidade uma virtude. Portanto, é gratificante ouvir como a igreja do Senhor deve agir. Os irmãos precisam ajudar os débeis, interessando-se por eles. Os que a sociedade secular pisoteia, recebem ajuda e apoio da igreja.

Atitudes cristãs positivas (1Ts 5:16-18)

Nos versículos para hoje são descritas algumas características positivas do cristão como alegria, oração e gratidão. A vida assim orientada se coaduna com a vontade de Deus.

A primeira exortação da trilogia é – “estejam sempre alegres”. Essa alegria deve sempre acompanhar o cristão, não importa as circunstâncias em que se encontre. O apóstolo nunca negou que a adversidade traz tristeza. Ele não era masoquista. Mas reconhecia que, em meio a situações angustiosas, a presença de Deus através de seu Espírito pode infundir na alma esperança e gozo no coração.

O segundo apelo da trilogia é “orai sem cessar”. Custou-me algum tempo para que eu entendesse corretamente esse imperativo. Passar cada momento consciente em oração seria psicologicamente uma meta impossível de alcançar. Até que descobri o sentido hiperbólico do advérbio grego adialeiptôs, que significa a instrução do Senhor de orar sob toda circunstância e nunca se dar por vencido (Lc 18:1). Claramente, a oração não se limita a horas prescritas, mas deve ser um elemento comum e constante na vida diária.

A terceira exortação é: “deem graças a Deus em toda situação”, ou seja, o agradecimento a Deus deve ser um aspecto central de nossa relação com Ele. O apóstolo concluiu essa trilogia de conselhos sobre atitudes cristãs positivas explicando que alegria, oração e ações de graças são o que Deus quer de nós: “Esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus”.

Conhecendo a “nova luz” (1Ts 5:19-22)

O último grupo de exortações que Paulo comunicou à igreja inclui cinco imperativos que se referem ao uso e controle de um dos dons do Espírito Santo dentro da comunidade: a profecia. O ciclo de exortações sobre o dom de profecia começa com duas proibições contra a tentativa de impedir seu uso na igreja: “não apaguem o Espírito, não depreciem as profecias”.

O verbo do primeiro imperativo significa literalmente “extinguir um fogo”, e metaforicamente “aniquilar” ou “fazer que desapareça”. Alguns estavam tentando proibir as manifestações do Espírito na igreja. Sendo que a presença do Espírito na comunidade se compara a um fogo (Lc 3:16; At 2:3), o verbo “apagar” era próprio para descrever os intentos de eliminar suas manifestações. O Espírito “apagado”significa a cessação das profecias. A presença do Espírito Santo na igreja se unia tão intimamente com a profecia que não surpreende que os apóstolos respondam à intenção de frear o uso do dom de profecia com a exortação: “não apaguem o Espírito”.

A segunda exortação repete a ideia da primeira, com a diferença de que se abre parcialmente a janela para ver porque alguns queriam apagar o dom profético. O autor disse à igreja: “não depreciem as profecias”, ou melhor, não as rejeitem com desprezo. Alguns não somente menosprezavam, mas rejeitavam os oráculos proféticos na igreja. O uso do dom profético era bastante comum na igreja primitiva (At 2:17, 18; 11:27; Rm 12:6; 1Co 11:4, 5), e provavelmente houvesse na congregação de Tessalônica aqueles que profetizavam.

A esta altura de nosso estudo, é preciso lembrar ao leitor que, conforme Paulo, o propósito principal da profecia na comunidade cristã, não era predizer o futuro, mas “edificar, animar e consolar”, com ênfase especial sobre a edificação (1Co 14:1-5, 12, 26). Porém, claramente havia problemas em mais de uma congregação concernente ao falso uso dos dons. Por isso, foram tomadas medidas para que as igrejas pudessem discernir se as profecias realmente eram inspiradas pelo Espírito Santo (1Co 14:29; 1Jo 4:1-3). Um dos dons do Espírito é exatamente o de “discernir espíritos” (1Co 12:10), que tem o propósito de julgar a validez das profecias.

Sabemos que havia manifestações de oráculos pagãos em Tessalônica ligadas ao culto de Ísis e Serapis. O questionamento das profecias por parte de vários ramos filosóficos, somado à decisão da igreja de se distanciar dos cultos aos ídolos (1:9), ajudam-nos a identificar as condições e o ambiente que levavam alguns a desprezar as profecias.

Entretanto, o conselho do apóstolo foi que, em vez de rejeitar as mensagens proféticas, a reação da igreja devia ser mais balanceada:“julgai todas as coisas, retende o que é bom”.

“Todas as coisas” que se devem submeter à prova são as profecias que alguns rejeitaram. Isso significa “provar para verificar o caráter de algo”. Os apóstolos reconheciam que a igreja tinha a responsabilidade de verificar se as profecias eram genuínas ou não. Isso por causa da presença de falsos profetas e profecias que promoviam doutrinas espúrias na igreja antiga. Uma vez havendo submetido as profecias à prova, o dever dos membros da congregação era “apegar-se” ao que é bom.

O verso 22 conclui afirmando que os crentes deviam se afastar de toda “classe de mal”, fosse qual fosse, incluindo as profecias não autênticas. Os cristãos devem, portanto, descartar qualquer revelação que a comunidade julgar espúria. A igreja não deve tratar as profecias genuínas com presteza e não deve se apegar às revelações patentemente falsas.

Santidade no tempo do fim (1Ts 5:23-28)

O apóstolo chegou ao final de sua carta. A primeira parte da conclusão começa com uma bênção expressa em forma de oração e termina com um pedido pelas orações dos tessalonicenses: “irmãos, orai por nós”.

Gostaria de destacar ainda dois itens:

“Que todo vosso espírito, alma e corpo sejam conservados íntegros...” (v. 23). O adjetivo traduzido como “todo seu ser” significa“completo”, “inteiro”. Para que os tessalonicenses entendessem que a santificação abrange todo o ser, Paulo incluiu os termos antropológicos “espírito, alma e corpo” para descrever os diferentes aspectos da natureza humana. Este é o único lugar nos escritos paulinos em que o apóstolo empregou os três para descrever a totalidade da natureza humana.

Concernente às palavras “saudai todos os irmãos com um beijo santo”, pode-se dizer que o beijo no mundo antigo significava várias coisas: o amor entre membros de uma família, honra, respeito, amizade. O beijo boca a boca, que expressa o amor erótico não era comum. O mais conhecido era o beijo dado na fronte ou na face em saudações ou despedidas entre familiares, amigos e pessoas de respeito. Também em ocasiões oficiais como os jogos ou quando se faziam contratos e também como sinal de reconciliação. Nas comunidades cristãs que abrangiam todas as classes sociais (escravos, libertados e livres) e várias raças (macedônios, romanos e judeus), o beijo santo servia como afirmação de unidade de todos na mesma fé.

Finalmente, Paulo ordenou: “que esta epístola seja lida a todos os irmãos”. Ele entendia a importância de reunir todos os irmãos da cidade para ouvir a mensagem de sua carta. Não devemos esquecer que havia analfabetos entre os membros de qualquer comunidade como essa e eles precisavam da ajuda de outros para ouvir a mensagem dos apóstolos. Não há dúvida de que a igreja lia essa epístola em muitas ocasiões e era edificada (A exposição deste estudo se baseia em 1 e 2 Tessalonicenses de Eugenio Green).

Encerro este comentário como Paulo encerrou sua epístola: “A graça de nosso Senhor Jesus Cristo seja convosco”.